Baterias solares e membranas purificadoras conquistam Prémios de inovação 2017

A 3.ª edição dos prémios da UPorto distinguiu patentes revolucionárias e projetos culturais e sociais inéditos. A cerimónia de gala teve grande adesão

– Células que armazenam a energia solar e a transformam em eletricidade, como se fossem baterias comuns, e membranas que permitem separar e até sequestrar os gases existentes no ar, como por exemplo o CO2, foram os projetos que arrebataram este ano o Prémio de Inovação, na categoria de Tecnologia, da Universidade do Porto. A cerimónia de entrega dos galardões foi este sábado, 4 de outubro, onde foram ainda atribuídos os Prémios Inovação Social e Inovação Artística. A Gala da Inovação da Universidade do Porto, que decorreu no Museu do Carro Elétrico, foi a mais concorrida de sempre, com mais de 300 convidados, entre os quais representantes de dúzias de empresas e entidades de referência, como a Sonae, a Efacec ou a Sogrape.

O Prémio Inovação Tecnológica 2017 da Universidade do Porto coube a Adélio Mendes, engenheiro químico e docente nesta instituição do ensino superior, empenhado em projetos de investigação ligados às energias renováveis e ao ambiente. Tudo por causa das duas mais recentes patentes que registou: a das células redox solares e a das membranas de carbono com capacidade de separação gasosa.

A primeira, é uma nova tecnologia que permite a conversão direta da energia solar em eletroquímica e depois em eletricidade. "Como se fossem baterias", explica o professor. Só que ao invés do processo baterias tradicionais – que convertem eletricidade em energia eletroquímica e de novo em eletricidade –, as células desenvolvidas por Adélio Mendes fazem o mesmo processo mas convertendo energia solar.

A segunda patente, consiste numa membrana de carbono com propriedades muito especiais: é capaz de separar os elementos gasosos do ar. "Pegamos numa membrana polimérica e fazemos a sua carbonização", ou seja, o mesmo é dizer que a queimam, como explicou Adélio Mendes. Apesar disso, o professor conseguiu descobrir uma forma de manter a sua flexibilidade. "Conseguimos dobrá-la com toda a facilidade e ela não parte", afirmou o professor.

E para que serve uma membrana assim? "Por exemplo, pode ser usada na produção de oxigénio para hospitais, ou na purificação de hidrogénio – em que ela tem, de facto, propriedades extraordinárias –, ou na remoção dos CO2", explicou Adélio Mendes. Quanto a esta última aplicação prática, o engenheiro químico concretizou que esta membrana de carbono pode ser utilizada "nos poços de exploração de gás natural, fazendo logo a separação e sequestração do CO2 no local, evitando o seu lançamento na atmosfera".

Apesar das várias aplicações práticas possíveis para estas duas ideias, o professor sublinha que ainda cedo para falar da sua chegada ao mercado. "Ainda estamos um bocadinho longe, mas já recebemos o apoio de uma empresa multinacional, a Air Products & Chemicals, dos EUA e de outra holandesa, que mostraram interesse nestas membranas", avançou Adélio Mendes.

Para já, as duas ideias revolucionárias valeram ao investigador a conquista da edição deste ano do Prémio de Inovação Tecnológica da UPorto, que – graças ao apoio do Programa Santander Universidades – representou um valor pecuniário de 5.000 euros. Uma gota para o orçamento anual de cerca de 1,5 milhões euros para investigação de que o professor dispõe, a maioria dos quais, segundo diz, financiados pela Comissão Europeia, por empresas privadas e pela Agência Nacional de Inovação. Ainda assim, é um prémio que Adélio Mendes não menospreza. "É uma gota, de facto, mas o seu valor simbólico é muitíssimo superior ao valor monetário: primeiro pelo reconhecimento dos pares que ele implica e depois pela motivação que dá à equipa", concluiu o engenheiro

Na categoria da Inovação Artística, a 3.ª edição dos prémios da Universidade do Porto distinguiu Jorge Lira, um arquiteto apaixonado pela gaita de foles mirandesa, que muito têm contribuído para a sua valorização. A sua investigação já levou não apenas ao recuperação deste instrumento na sua versão mais genuína – que estudou e aprendeu a construir – como também ao reconhecimento da gaita de foles mirandesa como instrumento musical pelo Ministério da Cultura.

"Foi uma surpresa muito grande", disse Jorge Lira, acrescentando: "Fiquei muito contente, porque eu faço aquilo que faço por paixão e este reconhecimento da universidade foi inesperado". Segundo diz, o troféu só veio estimular mais ainda os seus planos de divulgação da gaita mirandesa. "Tenho previsto, neste momento, participar na organização de um congresso, no próximo verão, sobre a gaita de foles e vou fazer alguma programação cultural e a organizar um festival no Porto, que já será a 2.ª edição este ano, talvez com um concerto no Palácio da Bolsa", afirma. "De resto, tenho muito trabalho para fazer na minha oficina", conclui.

Constança Paúl, professora Catedrática e investigadora no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) , que criou e dirige o Centro de Atendimento 50+ desta faculdade e tem vários outros projetos na área do envelhecimento saudável, foi a agraciada com o Prémio Inovação Social da UPorto.

"Temos dois grandes projetos: um mais ligado à demência, para tentar inverter ou retardar a evolução da doença; e outro de consciencialização pública, com ações mais viradas para a comunidade para que as pessoas se sintam confortáveis e não excluídas da sociedade", disse Constança Paúl. A responsável avançou ainda que, com a ajuda da Universidade do Porto, foi possível a Porto4Ageing, um espaço de discussão das questões ligadas ao envelhecimento ativo e saudável, em que estão envolvidas cerca de 70 instituições de vários quadrantes, sublinhou.

Gala da Inovação com adesão histórica

A Gala da Inovação da Universidade do Porto 2017 foi a mais concorrida de sempre, em três anos de existência, o que só prova o interesse que os prémios nela divulgados começa a ter para o mercado. Na assistência contaram-se cerca de 300 convidados, entre os quais estavam representadas mais de uma dúzia de grandes empresas e entidades de referência.

Tendo por tema o “Engenho Humano”, a cerimónia com a estilista luso-venezuelana Katty Xiomara e com o comandante Cardoso da Silva, oficial da Marinha Portuguesa, como oradores convidados. Este último foi, entre 2011 e 2014, diretor de treino de mar da “Universidade Itinerante do Mar”, uma iniciativa que nasceu de uma parceria entre a Universidade do Porto e a Marinha Portuguesa.

A inovação não faltou nem no espetáculo que animou a noite. A violinista Ianina Khemelik, membro da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música, interpretou vários trechos num violino de carbono criado pela IDEA.M, spin-off incubada na UPTEC (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto). O instrumento, que estava ligado a uma nova aplicação da tecnologia de termografia – desenvolvida na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto –, permitiu ao público ver, através das variações da temperatura corporal, qual o esforço físico despendido pela intérprete ao longo do concerto.

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