Campeão de karaté e jogador da Académica eleitos Atletas do Mês na Universidade de Coimbra

Primeiras edições do Troféu Atleta do Mês - Powered by Santander distinguiram João Traquina, da Académica, e José Pedro Lemos, campeão da 1ª Liga da Federação Nacional de Karaté, José Pedro Lemos.

É recente, mensal e pretende destacar um aluno da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra (FCDEF-UC) que se tenha evidenciado na sua prática desportiva. O Troféu Atleta do Mês - Powered by Santander foi criado pela Associação de Estudantes em novembro último e logo distinguiu João Traquina, jogador profissional da Académica. O Atleta do Mês de Dezembro - Powered by Santander foi José Pedro Lemos, campeão da 1ª Liga da Federação Nacional de Karaté.

É meramente simbólico, um troféu para colocar na prateleira dos títulos e prémios conquistados ao longo da carreira desportiva, mas para os dois estudantes e desportistas profissionais de Coimbra o Troféu Atleta do Mês que receberam do Núcleo de Estudantes da faculdade onde estudam, na U.Coimbra, representou o reconhecimento do seu esforço e valor.

"Para mim, é um orgulho muito grande, porque é um orgulho também fazer parte desta casa, que é a Universidade de Coimbra", disse José Pedro Lemos, que se sagrou campeão da Federação Nacional de karaté, representando as cores da Académica.

Com 24 anos, o karateca campeão licenciou-se o ano passado e está a agora a iniciar o mestrado, para o qual escolheu o tema Ensino em Educação Física. A profunda dedicação ao seu desporto de eleição não impediu José Pedro Lemos de terminar o seu curso em Ciências do Desporto, nem de conquistar a 1ª Liga do Campeonato da Federação de Karaté. Daí ter merecido a distinção de Atleta do Mês de Dezembro - Powered by Santander do Núcleo da FCDEF da Associação de Estudantes de Coimbra.

"Para mim, receber esta distinção mostra que o meu trabalho está a ir na direção correta" concluiu José Pedro Lemos. A decisão da distinção só foi tomada no final do mês de dezembro, pelo que o troféu, em si, o karateca campeão ainda não recebeu. A entrega oficial estava agendada para esta semana que agora termina, mas o confinamento acabou por adiar tudo, como revelou fonte da organização.

Antes de José Pedro Lemos, e a inaugurar a iniciativa, esteve João Traquina, jogador profissional da Académica de Coimbra, que no passado mês de novembro superou a fasquia dos 100 jogos disputados com a camisola do clube dos Estudantes. Ser o Atleta do Mês de Novembro, eleito pelos colegas da FCDEF, "tem um significado especial, uma vez que, sendo jogador da Académica, só por si já é um sentimento especial, dado ser um clube que é ligado aos estudantes", disse o futebolista.

João Traquina afirmou ser gratificante, para ele, ver reconhecido o esforço que está a fazer para estudar e, ao mesmo tempo, ser jogador profissional de futebol. "No fundo eu vejo esse troféu como um prémio de quem faz bem as duas coisas: compito profissionalmente na Académica e, ao mesmo tempo, estudo e dou-me bem nos dois lados", explicou.

João Traquina tem 32 anos, terminou o curso o ano passado e está agora dedicado ao mestrado em Treino Desportivo, que está a tirar também na Faculdade de Desporto da U.Coimbra, onde estudou.

Para os jovens que, como aconteceu com ele, estão agora à beira de uma profissionalização desportiva e que, por isso, estão a ponderar abandonar os estudos, João Traquina deixa uma mensagem contundente: "Eu acho que o futebol e os estudos são perfeitamente compatíveis e dá para conciliar as duas coisas".

Sublinhando que existe no meio académico, nomeadamente por parte dos professores, grande compreensão face aos condicionamentos que uma profissão desportiva impõem e que tudo está facilitado pelas novas tecnologias, com a possibilidade de estudo e trabalhos feitos à distância, o jogador da Académica diz: "O conselho que eu dou é precisamente que não abandonem o curso, que o façam sempre que conseguirem, porque com um bocadinho de esforço e de dedicação tudo se consegue."

João Traquina conta que passa oito a dez horas por dia no clube, em treinos e noutras atividades quotidianas ligadas ao futebol, pelo que fez o curso aproveitando todo o tempo que ia tendo livre para estudar, preferencialmente durante o dia. "Até porque à noite não tenho nenhum grau de concentração", disse, rindo. "Portanto, é aos fins de semana e em todos os momentos livres durante o dia-a-dia [que estuda]".

Também José Pedro Lemos, 2º Dan do cinto preto de Karaté, na estilo Shotokan, e campeão da 1ª Liga da Federação dedica entre cinco e sete horas diárias aos treinos, divididos em duas sessões, normalmente durante seis dias por semana. "Tenho um regime de treino muito árduo e muito disciplinado", diz.

Para estudar só lhe resta mesmo o domingo e as horas que consegue roubar aos outros dias, ocasionalmente à noite. "Não vou dizer que é todas as noites, até porque chego sempre muito tarde a casa, por volta da 10 e meia, 11 da noite, já depois dos treinos e das aulas", conta José Pedro Lemos. "Eu tento sempre estudar nos momentos de descanso que tenho dos treinos e em que também não estou a ter aulas. Claro que estar atento nas aulas, como toda a gente sabe, é a grande mais-valia, mas é complicado."

Apesar de admitir abertamente que nunca foi "um aluno exímio" e que estudar não é a sua mais forte aptidão, José Pedro Lemos não desiste dos estudos e aconselha aos outros jovens para prossigam também até ao fim. Porquê? É uma questão de futuro.

Desistir, "não o façam, porque os estudos conciliados com o desporto é igual a um futuro realmente proeminente. Se nós praticamos tanto tempo com o nosso corpo e desenvolvemos os nossos músculos com os alteres, então podemos dizer que a mente é igualmente importante e os alteres para tal são os livros e os estudos", afirmou.

João Traquina tem um argumento ainda mais franco e concreto para defender a importância de uma formação universitária. "Nós, no futebol, temos todos a mania de pensar que é tudo muito bonito e acabamos sempre a fazer carreiras e a ganhar muito dinheiro e nem sempre é verdade. Às vezes construímos uma carreira bonita, mas também é preciso pensar que podemos não conseguir. Daí a importância dos estudos."

E foi mais além: "Mesmo que se consiga uma carreira em que se ganhe bastante dinheiro, em que consigamos arranjar meios para seguir a nossa vida de uma forma mais confortável, os estudos serão sempre importantes, até por uma vertente cultural e especialmente pela confiança em nós próprios".

Distinção pelos pares

Esta é uma iniciativa que partiu do do Núcleo de Estudantes de Ciências do Deporto e Educação Física da Associação Académica de Coimbra (NECDEF-AAC). Trata-se portanto, de um reconhecimento pelos pares, como explicou Diogo Salgado Braz, presidente do NECDEF-AAC.

"Este Prémio Atleta do Mês, financiado pelo Santander e com o apoio da Associação Académica de Coimbra, foi realizado pela primeira vez desde o mês de novembro e tem como principal objetivo destacar um estudante da Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física da Universidade de Coimbra que, por sua vez, se tenham evidenciado nas suas atividades extracurriculares desportivas nesse mesmo mês", explicou.

Para isso, o NECDEF-AAC lançou mão à recente parceria firmada entre o Santander Universidades e a AAC, equiparando esta associação a uma Instituição do Ensino Superior.

"No fundo, o que se pretende é destacar a carreira dual", destes estudantes, sublinha Diogo Salgado Braz. E, de caminho, salientar que é possível praticar desporto num contexto profissionalizado, ou quase, e continuar a estudar. Com o mesmo trabalho e dedicação destes Atletas do Mês.

"Portanto, aqui o principal objetivo também passa por destacar e por reconhecer o trabalho deles, de estudantes que nós temos muito orgulho em ter aqui na nossa faculdade", concluiu o responsável do NECDEF-AAC.

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