Cardeal Tolentino de Mendonça distinguido 2ª feira com o Prémio Universidade de Coimbra 2021

A forte intervenção cultural, com grande pendor de inclusão social, valeram ao arquivista português da Santa Sé a conquista do troféu anual que é considerado uma das mais relevantes distinções nas áreas da ciência e da cultura

É já na próxima segunda-feira, 1 de março, Dia da Universidade de Coimbra (UC), que o cardeal, poeta, ensaísta e teólogo José Tolentino de Mendonça vai receber formalmente o Prémio UC 2021. Instituído há 17 anos, com o patrocínio do Santander Universidades e o apoio do Global Media Group, o galardão é atribuído anualmente a personalidades de relevo do mundo da cultura e das ciências e inclui um valor pecuniário de 25 mil euros. Só que este ano o Prémio UC traz uma inovação: o cardeal vai poder dedicar 60% do seu valor à criação de uma Bolsa de Investigação Santander.

"Tenho o grato prazer de anunciar que o vencedor do Prémio UC 2021 é o senhor cardeal D. Tolentino de Mendonça. Trata-se de uma figura ímpar, uma pessoa da cultura, com uma visão social inclusiva, que tocou muito diretamente ao júri, que o nomeou por unanimidade."

Foi com estas declarações que o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, revelou na passada quinta-feira, 25 de fevereiro, o vencedor do Prémio UC 2021. O galardão vai ser entregue pelo chefe máximo da U.Coimbra durante a sessão solene comemorativa do 731.º aniversário da universidade.

"Não obstante termos diversos candidatos de grande valia, o cardeal D. Tolentino de Mendonça destacou-se dos demais pela figura inquestionável que é no plano nacional e internacional", avançou ainda o professor Amílcar Falcão. (Veja abaixo o vídeo completo do anúncio).

Com efeito, José Tolentino de Mendonça é não apenas, como se referiu, poeta, ensaísta e teólogo, como se tornou arquivista e bibliotecário da Santa Sé em 2018, por nomeação do Papa Francisco. E, de acordo com o site Ecclesia, a Biblioteca Apostólica do Vaticano apresenta-se como "instrumento da Igreja para o desenvolvimento, a conservação e a divulgação da cultura". Além disso, o cardeal português alia uma vasta carreira académica (que dedicou, em parte, à investigação e estudos bíblicos) a uma riquíssima obra cultural e literária.

"É com enorme honra que o Banco (Santander) se associa à entrega do Prémio Universidade de Coimbra ao cardeal D. José Tolentino de Mendonça, uma referência do mundo da Cultura, sempre atento aos ventos de mudança que percorrem o mundo, com especial atenção para os problemas sociais", comentou Pedro Castro e Almeida, presidente executivo do Santander Portugal. É "uma personalidade única, que vai muito para além das fronteiras da religião, mas também de Portugal", concluiu.

Considerado como uma das mais relevantes distinções nas áreas da ciência e da cultura em Portugal, o Prémio Universidade de Coimbra assumiu este ano uma vertente inovadora: pela primeira vez, embora mantenha o valor pecuniário de 25 mil euros, o prémio é dividido em duas partes, com 10 mil euros a serem atribuídos ao vencedor e 15 mil euros destinados a uma Bolsa de Investigação Santander, numa área determinada pelo vencedor.

"Tratando-se de quem se trata, acreditamos que será, certamente, de uma área de inclusividade, de resposta às necessidades da sociedade num ano tão difícil como o que estamos a viver e em que a Humanidade, que é o tema da XXIII Semana Cultural da Universidade de Coimbra, fica muito bem representada com um premiado desta qualidade", afirmou o reitor Amílcar Falcão.

Natural de Machico, na Madeira, Tolentino de Mendonça nasceu a 15 de dezembro de 1965, foi ordenado padre em 1990 e é Doutor em Teologia Bíblica pela Universidade Católica Portuguesa, onde aliás chegou a ser vice-reitor, antes de rumar ao Vaticano. Nesta altura foi elevado a arcebispo e, em outubro de 2019, acabou por ser nomeado cardeal.

Comendador da Ordem do Infante D. Henrique (2001) e da Ordem Militar de Sant"Iago da Espada (2015), Tolentino de Mendonça foi em 2020 presidente da Comissão das Comemorações do Dia de Portugal, com uma marcante intervenção, entretanto publicada no livro "O que é amar um País". Este versa sobre como a pandemia de Covid-19 nos "obriga, como comunidade, a refletir sobre a situação dos idosos" e "implica robustecer o pacto intergeracional", nas palavras do autor.

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