Cidadania 5.0 é solução vencedora do Do Well Do Good Challenge

Equipa Biothentic recebe 750 euros para ajudar à concretização do projeto e tem dois meses para o pôr a funcionar em pleno. O objetivo é atrair os jovens do Porto à participação ativa nas medidas e iniciativas camarárias que lhes dizem respeito

Cidadania 5.0, a solução apresentada pela equipa Biothentic na final do Do Well Do Good Challenge, foi a vencedora deste desafio, cuja final decorreu esta quinta-feira, 1 de abril. Com a criação de uma assembleia, uma plataforma digital e um jogo, o projeto promete levar os jovens portuenses a envolverem-se mais na resolução de problemas da sua cidade e nas iniciativas para si criadas pela câmara municipal.

No Porto, tal como aliás em todo o país, há uma falta de adesão da juventude às iniciativas públicas criadas para a sua faixa etária, assim como há um desinteresse geral, por parte dos jovens, em se envolverem na tomada de decisões locais ou nacionais que lhes digam respeito. Foi para este problema que a Câmara Municipal do Porto propôs à organização estudantil Share-UP que encontrasse respostas através do seu desafio Do Well Do Good, que conta também com a Porto Business School e o Santander Universidades como parceiros.

Após a apresentação das soluções propostas pelas cinco equipas finalistas, o júri decidiu pela Cidadania 5.0 - ainda que Diogo Meireles, membro do júri e responsável pela Divisão Municipal de Juventude da CM Porto, tenha feito questão de dizer, durante a cerimónia de encerramento, que parte das outras soluções propostas serão incorporadas nas políticas públicas da autarquia.

A decisão do júri fez da Biothentic a equipa vencedora. Inteiramente feminina, a Biothentic é composta por quatro amigas e finalistas do curso de Bioengenharia da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto: Carolina Couto, Cristiana Couto (cujo apelido em comum é mera coincidência), Inês Passos Fernandes e Inês Monteiro.

Agora, as cinco jovens têm dois meses para porem o seu projeto a funcionar no terreno. E para isso vão trabalhar em conjunto com a Câmara municipal e contar com diversas mentorias.

Falta de comunicação apelativa

Carolina Couto conta que, ao analisarem os dados fornecidos pela CM Porto, constataram haver sobretudo uma falta de comunicação apelativa para a camada jovem: eram utilizados cartazes em vez das redes sociais, por exemplo.

"A nossa solução passou um bocado pela junção das temáticas que eram abordadas - que neste caso eram temáticas políticas, tomadas de decisões - e também aliar isto ao fator online. Ou seja, fazer o voto e a tomada de decisão chegar à maior camada jovem possível, de uma forma fácil e pouco burocrática", explicou a jovem.

Para isso, o Cidadania 5.0 inclui duas vertentes: uma assembleia jovem, de 60 pessoas (30 homens e 30 mulheres, para cumprir a igualdade de género) com idades entre os 16 e 30 anos, escolhidos aleatoriamente pelas várias escolas; e um processo de votação online, através da aplicação PassaPorto, especificamente criada para o projeto.

Carolina Couto explica que essa assembleia iria decidir temas (que tanto poderiam ser um problema existente, como uma lacuna detetada ou uma iniciativa nova que gostariam de ver no terreno) e as respetivas ações específicas a implementar. "O tema e ações são postos a votação numa plataforma digital, que nós criámos, o chamado PassaPorto, que permitirá que todos os jovens da cidade do Porto possam aceder e votar nas ações específicas que queiram ver implementadas.

Mas as jovens empreendedoras da Biothentic depressa se aperceberam de que isto só não basta para atrair os jovens e levá-los a repetir a sua participação nas diversas iniciativas. "Como nós sabemos, a camada jovem é muito levada através de estímulos e do sentimento de instant rewarding, ou seja, o terem uma regalia assim que efetuam uma ação", disse Carolina Couto.

Por isso a solução Cidadania 5.0 integra também um jogo, com quatro níveis, em que por cada participação e envolvimento em iniciativas os jovens recebem carimbos que darão direito a "prémios". "Eles, assim, não só realizam as ações e sentem-se concretizados pessoalmente, como também têm oportunidades: descontos, visitas à CMPorto com possibilidade de networking, estágios em empresas", explicou a responsável.

Explicada a solução proposta, Carolina Couto resumia assim a sua mais-valia. "Eu acho que este projeto não só traz vantagens para os jovens, que têm maior envolvimento, mas também para o Porto, porque conseguimos assim, com rapidez, reconhecer quais aqueles problemas ou lacunas que estão a ocorrer na cidade sobre as quais os jovens mais querem estabelecer ações. E também criamos, assim, uma comunidade ativa, interessada não só em termos de política, mas também em termos ambientais, de empreendedorismo", disse. Além disso, sublinhou a jovem, a partir da assembleia e do voto online percebe-se "realmente como estão os temas fulcrais que os jovens necessitam de ver em ação".

Os 60 dias para a execução do Cidadania 5.0 são motivo de alguma apreensão. "Dois meses, é um tempo um bocado apertado", confessa Carolina Couto. "Há todo o desenvolvimento da aplicação, muita parte tecnológica, por isso teríamos de nos aliar muito à parte IT", disse. Mas acrescentou, de seguida: "Vamos fazer tudo para implementar esta ideia e, se não for a 100%, pelo menos numa parte, que seja implementada".

A surpresa da vitória

Anunciada a Biothentic como vencedora, os elementos da equipa não esconderam a sua surpresa. Algo mais tarde confirmado e explicado por Carolina Couto.

"É muito surpreendente, principalmente para a minha equipa, porque nós viemos de um background de Bioengenharia, que não tem grande conhecimento da parte de gestão e de implementação de projetos", explicou a jovem. "Foi, desde logo, um desafio, porque era completamente fora da nossa área académica".

Carolina conta que, às quatro bioengenheiras, valeram os workshops e mentorias fornecidos pela Share-UP durante a semana de treinos e resolução do case study. Por isso, o balanço final da participação no Do Well Do Good Chellenge feito pela Biothentic é muito positivo.

"Acho que levamos [do desafio] um bocado de hard skills, porque conseguimos aprender alguns conceitos na parte de gestão de projetos. E também soft skills, uma vez que conseguimos apresentar [o projeto] perante um júri e fazer uma ideia bem elaborada, sucinta acima de tud,o e conseguimos demonstrar o que queríamos", disse Carolina Couto.

Mas o mais importante para a jovem empreendedora, afirma, é saber que a ideia gerada juntamente com as suas quatro amigas é boa e vai ser concretizada, indo assim "impactar os jovens da cidade do Porto e torná-los mais ativos e mais interessados". "E, como nós fazemos parte dessa sociedade, obviamente que estamos a fazer para os outros, mas também para nós mesmos", concluiu.

O que, no fundo, não é mais do que a concretização prática do lema do desafio que a Biothentic venceu: Do Well Do Good.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de