Com empregos a desaparecer, Design the Future e Santander Universidades ajudam a reorientar carreira

Depois dos muito jovens, a faixa etária dos 35-44 anos é quem mais procura dicas para mudar de rumo no trabalho. A reciclagem profissional começa a ser necessária. Plataforma vocacional une-se ao "banco do Ensino Superior" para ajudar.

Automação, tecnologia e fecho massivo de empresas - muitas das quais porque não sobreviveram aos apertos da pandemia - ameaçam tornar obsoletos ou inexistentes muitos empregos. Em Portugal a plataforma vocacional Design the Future uniu-se ainda mais estreitamente ao seu parceiro Santander Universidades para ajudar os desempregados, ou em vias disso, a requalificarem-se e incutirem novo rumo às suas carreiras. Inês Menezes, fundadora e gestora da Design the Future, está convencida de que a reciclagem profissional é cada vez mais uma necessidade na atual conjuntura laboral.

Já existe há quase seis anos. É uma plataforma vocacional que foi criada primordialmente para facilitar o acesso à exploração vocacional por parte dos jovens em alturas tão impactantes como quando têm de escolher a área de estudo ou o curso superior a seguir, algo que pode condicionar e mudar a sua vida para sempre. Mas, de há uns tempos para cá, a Design the Future tem vindo a ganhar outros utilizadores.

De acordo com os dados recolhidos por meio de ferramentas como o Google Analytics, a coordenadora da plataforma detetou que, ainda que a maior faixa de utilizadores esteja entre os 18-14 anos, uma parte deles são adultos, já a trabalhar. "Para grande surpresa nossa, muitos deles situam-se na casa dos 35-44, 25-34, o que quer dizer que são pessoas que estão a repensar as suas carreiras e que sentem essa necessidade de voltar a olhar para si e para o mercado e ver que espaço é que podem vir a ocupar", frisou Inês Menezes.

Para a responsável da Design the Future, a explicação para esta procura é óbvia. Se por um lado há a presente crise laboral induzida pela pandemia, que está a levar ao encerramento consecutivo de empresas, por outro há a situação que já vinha de trás da perda de empregos para a automação.

"Portanto, as pessoas têm de olhar, de facto, para as suas carreiras, para as suas profissões e, das duas uma: se elas se estão a tornar obsoletas, têm de ter em atenção qual é a formação que as pode ajudar a manterem-se empregadas no mercado de trabalho; e se a sua profissão ou função vai ser extinta do mercado, por via da automatização, têm de ver o que é que poderão vir a desempenhar no futuro", disse Inês Menezes.

Acresce a esta situação, sublinha a responsável, o facto de irmos "assistir à criação de pelo menos 600 mil novos empregos, com grande incidência nos setores dos cuidados de saúde e assistência social, serviços profissionais, científicos e técnicos e da construção", diz, para o que são exigidas novas competências. E ainda a questão de "a população ativa portuguesa (ser) uma das com mais baixos níveis de qualificação e, infelizmente também, com uma fraquíssima cultura de aprendizagem, pelo que terá cada vez mais necessidade de se requalificar para manter a sua relevância e competitividade e, assim, responder à mudança", garantiu.

E como é que a Design the Future pode ajudar?

"Antes de mais, nós somos uma plataforma de exploração profissional que tem informação sobre profissões - neste momento mais de 250 em vídeo - e sobre a formação para essas mesmas profissões", explicou Inês Menezes. "Os utilizadores que venham à plataforma, mesmo aqueles que já estão empregados ou que são empregáveis e com a sua vocação definida, podem ter aqui uma ajuda para reorientarem a sua carreira. Podem, por exemplo, partir da estaca zero com uma ferramenta que disponibilizamos há muito pouco tempo, com o apoio do Santander, e sobre a qual temos tido um feedback muito positivo e um crescimento continuo em termos de utilizadores".

Inês Menezes refere-se ao Quiz de Profissões, que salta logo à vista mal se entra no site da plataforma. Este integra um Quiz de Interesses e outro de Inteligências Múltiplas a que se vai respondendo e, no final, são apresentadas as 10 profissões da Plataforma que, consoante as respostas, possuem uma probabilidade maior de irem ao encontro da vocação do utilizador.

"Neste momento, em cerca de seis meses, cerca de 30 mil pessoas já fizeram o Quiz", contou Inês Menezes voltando a frisar as reações que recebe. "Temos tido um feedback muito positivo, primeiro pelo passa-palavra, que é visível através dos nossos dados Google Analytics, em que percebemos que, todos os dias, cerca de 200 pessoas fazem o Quiz".

Depois, "temos recebido vários e-mails de psicólogos escolares, profissionais de orientação vocacional, coaches, enfim, todos estes profissionais que estão mais na linha da frente sobre a orientação de carreira e em que muito nos agradecem o lançamento destas funcionalidades porque percebem a sua atualidade e interatividade. Mas também pelos resultados que dão, que vão ao encontro das expectativas das pessoas ou, pelo menos, lhes cria uma apetência para explorarem profissões em que nunca tinham pensado ou que vão ao encontro daquilo que achavam que poderia ser a sua vocação".

Conta Inês Menezes que, quando se percebeu de que grande parte dos utilizadores da Design the Future eram pessoas eventualmente em fase de reciclagem de carreira, logo surgiu a ideia de estreitar laços com o Santander Universidades, programa do banco dedicado ao mecenato na área do Ensino Superior.

"O que estamos neste momento a fazer é uma linkagem ao site [de bolsas] do Santander Universidades, onde estão disponíveis uma série de bolsas que servem exatamente para o reskill e upskill de pessoas que percebem que têm de atualizar as suas competências", disse a coordenadora.

Portanto, explicou, no final do Quiz, "quando os utilizadores recebem os resultados sobre as suas profissões e a formação adequada às mesmas, têm uma ligação direta para poderem explorar quais são as bolsas a que poderão recorrer e concorrer para esta função de upskill, reskill e aprendizagem ao longo da vida".

De igual forma, e em sentido inverso, o site do Santander Universidades tem um espaço promocional para quem ainda não escolheu a sua profissão ou curso que redireciona as pessoas para a Design the Future. Tudo em prol de ajudar a orientar quem perdeu o rumo nestas coisas do emprego.

Diz Inês Menezes que ela própria e a sua plataforma são agora "embaixadoras" do Santander Universidades.

Uma plataforma inclusiva

Outra das funcionalidades relativamente recente desta plataforma vocacional é a Inclusive Future. Além de pretender ajudar os jovens a explorarem as suas vocações e desobrirem o que querem ser na vida, e de facilitarem a reciclagem profissional de quem está desajustado ou descontente na sua profissão, a Design the Future também quer contribuir para facilitar a integração das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

Mais uma vez, a coordenadora fala em resultados muito animadores. "Temos tido um feedback muito positivo, sobretudo por parte do Inclusive Community Forum (ICF), que é uma iniciativa da Nova SBE dedicada à vida das pessoas com deficiência, que tem como objetivo promover uma comunidade mais inclusiva"

Diz Inês Menezes que "é impossível ficar indiferente a estes testemunhos [em vídeo, no site], e que de facto eles cumprem a sua função de mostrar não apenas as mais-valias que as empresas obtêm quando empregam pessoas com algum tipo de deficiência, como as próprias pessoas se sentem valorizadas no momento em que vamos recolher um testemunho com elas sobre o que é o seu dia a dia, a sua função e profissão".

Depois, há outro lado positivo e mais animador ainda. Na opinião da coordenadora esta valência da plataforma incentiva outras pessoas, que não tinham coragem para tal, a lançarem-se ao mercado de trabalho, dado que, ao verem estes vídeos, sentem alguma abertura para poderem fazê-lo. "Neste aspeto, a Design the Future vai completamente ao encontro do objetivo".

Novidades em breve na Design the Future

Para o futuro, o que está previsto de novo na Design the Future? Diz a sua coordenadora que "a grande preocupação, neste momento... são duas".

Inês Menezes quer disponibilizar na sua plataforma programas ou packs de formação de soft skills para incentivar as pessoas a procurarem mais formação. "Assim como fizemos esta ligação ao site do Santander para acesso a bolsas, fazermos também outros com mais programas de soft skills para que as pessoas possam ser incentivadas a tornarem-se cada vez mais atualizadas perante o mercado de trabalho."

"Por outro lado, e face à pandemia que estamos a atravessar, em que os universitários são grupos-alvo que têm sofrido muito com esta situação, gostaríamos e estamos a estudar o lançamento de uma ferramenta de intervenção online, baseada no coaching, para promover o bem-estar mental na adolescência", avançou a responsável. O objetivo é ajudar os jovens a lidarem com esta fase de frustração, depressão, ansiedade e stress provocados pela pandemia. Fase que Inês Menezes quase garante que "vai alterar muito a vida dos estudantes, das suas famílias e, enfim, todos aqueles que estão à sua volta".

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