Desafio do Santander Universidades foi "experiência fantástica" de empreendedorismo

Envolvimento na área da Educação do banco torna-se transversal a grande parte dos funcionários: muitos contribuirão para promover a educação, o empreendedorismo e a empregabilidade dos portugueses. Pelo caminho descobrem inovações surpreendentes

Foi um desafio lançado pelo Santander Universidades (SU) a um colaborador de outra área do próprio banco: envolver-se num programa de empreendedorismo universitário e assim contribuir para a aposta que o SU faz nos seus três eixos estratégicos - educação, empreendedorismo e empregabilidade. A iniciativa escolhida foi o Programa de Empreendedorismo da NOVA School of Science and Technology | FCT NOVA e dele saíram vencedoras, no início de março. três ideias de negócio que surpreenderam: um "nariz eletrónico" que identifica a Doença de Parkinson, um penso inteligente que avisa aos primeiros sinais de infeção numa ferida e um biossensor dos níveis de ferro no organismo. No júri, a apreciar os projetos concorrentes, esteve Gonçalo Carvalho, Chief Information Officer (CIO) do Santander, funcionário que nada tem que ver com a área das universidades.

"O Santander está a alargar esta iniciativa do Santander Universidades a outras áreas, a outras equipas do banco", diz Gonçalo Carvalho, para sublinhar que o objetivo é cultivar um método de trabalho transversal, que envolva no projeto da Educação colaboradores do banco dos mais diversos departamentos.

"É a partir daí que vamos ver cada vez mais que, em iniciativas do Santander Universidades, este estará representado por pessoas do banco de outras áreas que não diretamente daquela equipa. E isto também faz parte daquilo que é o alargamento que o Santander pretende e um maior envolvimento nestas iniciativas", concluiu o diretor executivo de informação do banco, que se auto-descreve como responsável pela área do Desenvolvimento.

Gonçalo Carvalho conta que, quando o Santander Universidades lhe apresentou o desafio, "o 'sim' foi imediato" e que foi muito gratificante participar. "Este programa é uma experiência fantástica para se participar e estive com muito prazer a representar o Santander. É o melhor dos jovens: se conhecerem o Shark Tank, eu diria que é o Shark Tank das universidades", afirmou.

A missão consistia em ser um dos jurados do programa de empreendedorismo da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e apreciar os projetos apresentados a concurso. Algo que ao CIO do Santander pareceu "um fit perfeito".

"Eu gosto muito da proximidade ao mundo académico, gosto muito de falar e de partilhar com os jovens; também, ao longo da minha carreira, fui sendo professor convidado em algumas universidades para alguns temas de tecnologia", contou o responsável, explicando as razões por que adorou a ideia.

Na fase final, Gonçalo Carvalho acompanhou, sempre online, o resultado daquele programa de empreendedorismo, que durou um mês e em que participaram 924 alunos acompanhados por 19 professores, e com mentoria de cerca de 60 personalidades do meio empresarial e do ecossistema de empreendedorismo. No fim, foram apresentados 180 projetos, dos quais chegaram a finalistas e foram premiados 12, de onde saíram os três vencedores: os projetos ParkinsonAISmeller, ReCOVER e ironMEDE.

Aquando do pitch final das equipas, houve dois fatores que surpreenderam o CIO do Santander: a forma desenvolta e à-vontade com que apresentaram as suas ideias e a natureza dos projetos.

"Curiosamente, os vencedores situam-se os três na área da saúde, mas os 12 que foram apresentados variaram muito em termos de âmbito: saúde, sim, áreas de sustentabilidade também e outras muito diversas, de entretenimento, com um trabalho de casa muito bem feito, com ideia, clientes, negócio e a evolução e o retorno que teriam estes projetos", relatou.

"Eram ideias de negócio onde a tecnologia era fator crítico para a ideia de negócio", mas, sublinhou o responsável, "não é a tecnologia o foco: a tecnologia é o meio para as ideias de negócio".

Ir mais longe

Se o envolvimento do responsável pela área de Desenvolvimento do Santander no Programa de Empreendedorismo da Universidade Nova causa surpresa, o mesmo já não se pode dizer do Santander Universidades, ou não fosse este o "braço" do banco dedicado ao mecenato na área da educação.

Só que agora, o Santander Universidades quer ir mais longe: além de facilitar o acesso dos jovens à educação, através da atribuição de bolsas de estudo e dos mais diversos apoios, o programa quer ajudar quem precise de ajustar competências (reskilling) ou de se requalificar (upskilling), independentemente da idade, para melhor se poder adequar às necessidades do mercado de trabalho.

Neste sentido, o Santander Universidades "alarga este ano pela primeira vez o seu campo de atuação para além do target dos universitários. Entre outras mudanças, incluem-se os perfis e a idade de acesso às bolsas, que é aumentada para favorecer e incrementar a empregabilidade das pessoas e a promoção da aprendizagem contínua ou Aprendizagem ao Longo da Vida, como fator-chave para o progresso académico e profissional", foi comunicado.

Voltando ao Programa de Empreendedorismo da Nova, o copatrocínio do Santander já vem de longe e faz todo o sentido, como frisa Gonçalo Carvalho: "Temos aqui três eixos importantes, no Santander Universidades, que é o empreendedorismo, a empregabilidade e a educação e em que estamos, durante este ano de 2021, muito focados. Portanto, uma iniciativa destas está totalmente alinhada com estes eixos.".

Com efeito, explica o CIO do Santander, o programa da Nova insere-se no domínio das universidades, logo da educação. Depois, continua, "esta participação e esta partilha entre o mundo académico e o mundo empresarial e estes jovens é um fator determinante para a empregabilidade. E depois estávamos a falar de empreendedorismo. Portanto, eu diria que o fit é total entre o Santander Universidades e esta iniciativa".

Do ponto de vista dos participantes, entende o responsável que iniciativas como este programa da Nova permitem que um estudante universitário ganhe soft skills, que se prepare desde cedo, se qualifique e requalifique para conquistar o emprego de sua eleição. Dá-lhe até as ferramentas para que lance startups, apoiando-se no empreendedorismo para criar o seu próprio emprego.

O programa "expõe os jovens a uma realidade muito diferente, porque não é a cadeira A ou B e as matérias da cadeira A ou B, é uma forma diferente de pensar e de juntar os ensinamentos", disse Gonçalo Carvalho. Por outro lado, sublinhou, tem o mérito enorme de juntar um equipa multidisciplinar: "Porque as pessoas não são todas do mesmo curso; o que nós víamos, nas equipas, era um aluno de Engenharia Informática, um aluno de Engenharia Química, um aluno de Engenharia Biomédica e, portanto, essa junção das diferentes competências para criar uma ideia acho que é muito interessante e muito real, depois também, no mundo cá fora".

Outra das mais-valias do programa em que foi jurado, explicou, reside na obrigação de os estudantes exporem e defenderem, no fundo "venderem" as suas ideias de negócio de uma forma direta, concisa e apelativa, num pitch final.

A este propósito, até contou um episódio que considerou marcante. Logo no início, Miguel Gonçalves, fundador da aceleradora de carreiras Spark Agency e um dos mentores das equipas participantes dizia: "Vejam, entendam que estamos aqui perante um conjunto de jovens que são maioritariamente de engenharia e, muitas vezes, nos engenheiros existe uma relação inversamente proporcional entre o conhecimento e experiência que têm e a capacidade de comunicar".

"Portanto, preparando no fundo o júri para não exigirmos demasiado na componente da comunicação, porque poderia ser um bocadinho mais difícil pelos jovens", explicou Gonçalo Carvalho. Mas afinal, os jovens surpreenderam pela sua capacidade e eficácia de comunicação, apesar da pouca idade e experiência. E o responsável do Santander aidna brincou com as palavras de Miguel Gonçalves, seu conhecido de há vários anos, para sublinhar estar provado o contrário do que ele afirmara.

No entender de Gonçalo Carvalho, a arte de pitching é uma ferramenta inestimável. "É que não só o 'vender' é muito muito importante em todas as fases da vida e em todas as matérias e, nomeadamente, na procura de emprego, [como] esta capacidade que se tem de ter de, em pouco tempo, deixar ideias-chave e mensagens importantes que sejam aquelas que ficam guardadas na memória das pessoas a quem foi apresentado é muito importante e os jovens estão hoje muitíssimo mais preparados para essa realidade", concluiu o CIO do Santander.

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