"É através da educação que conseguimos promover e apoiar o desenvolvimento da economia"

Administradora fala da viragem na estratégia do Santander para a educação: a maior aposta é agora na reciclagem profissional e na formação em competências transversais

Há duas décadas que o Banco Santander se assume como o Banco das Universidades. Afinal, tem 1.200 parcerias firmadas com universidades em mais de 20 países e o grupo investe, em termos globais, mais de 120 milhões de euros por ano no setor da educação. Em Portugal, o apoio ao ensino superior, canalizado através do mecenato do Santander Universidades, ascende aos 5,5 milhões de euros por ano. Mas agora o Santander quer ir ainda mais longe: quer tornar-se um mais abrangente Banco da Educação. Nesta que é a última "aula" do "ano letivo" de 2020 (que a pandemia obrigou a prorrogar até 2021) do Campus Santander, rubrica que promete regressar em breve, a administradora Inês Oom de Sousa fala da nova estratégia do Santander para o setor da educação.

Há décadas que o Banco Santander se vem assumindo como o Banco das Universidades, mas com a nova estratégia quer ir mais longe. O que é isto de ser o banco da educação, com maior abrangência nesta área?
O Santander há mais de 20 anos que vem apoiando o ensino superior. Esta nova estratégia de querermos ser o banco de apoio à educação é, no fundo, ampliar aquilo que nós damos aos estudantes e às universidades a outros profissionais de qualquer idade, para proporcionar melhores oportunidades, para que consigam evoluir nas suas carreiras e aumentar a sua capacidade profissional. À medida que o mundo vai mudando é necessário que as pessoas façam reskilling, que façam upskilling, tenham novas competências para se adaptarem ao novo mundo em que vivemos. E isto não se limita aos jovens e aos universitários, mas abrange sim a todas as pessoas, independentemente da idade e da posição que tenham. É esta posição que o banco quer passar a ter, ser o banco que apoia toda a educação, independente da idade e da profissão que qualquer pessoa possa ter.

Até agora, o processo normal do mecenato universitário do Santander baseava-se no firmar de um convénio com cada uma das universidades, o que lhes facultava acesso a financiamento e ao programa de bolsas Santander. Como é que vai ser agora? Qualquer pessoa pode beneficiar do apoio Santander?
Vamos continuar, obviamente, a dar todo o nosso apoio e a ter o nosso compromisso com o Ensino Superior - consideramos que é através da educação que conseguimos promover e apoiar o desenvolvimento da economia. Este [o novo] programa de bolsas é mais abrangente: todos podem beneficiar, não só os jovens, mas qualquer pessoa, de qualquer idade. Basta, para isso, irem ao site dedicado do Santander, aceder às várias bolsas e candidatarem-se. Vamos ter vários tipos de bolsas: umas para as competências digitais, outras para aumentar todas as skills e outras transversais a qualquer posição, de linguagem, dirigidas às mulheres, de research...

O que é que um mecenas da educação como o Santander, uma entidade que tem apenas poderes privados, que não intervém na governação, pode fazer para minorar o impacto da pandemia no setor da educação?
O nosso grande objetivo, independentemente da pandemia, a nossa grande missão, é apoiar os jovens, as pessoas e as famílias a desenvolverem-se e a prosperarem. É neste contexto que, especificamente quanto à pandemia, o que o grupo fez no ano passado, por exemplo, foi canalizar cerca de 30 milhões de euros que estavam afetos às universidades e, em concordância com todas as instituições do ensino superior, para iniciativas especificamente de combate à Covid. E podemos resumi-las basicamente em cinco grandes iniciativas. Uma, para aquisição de computadores e outros materiais informáticos, não só para as universidades e professores, mas também para os alunos. Outra, foram bolsas para estudantes que estiveram em situações económicas bastante difíceis - portanto, demos bolsas para poderem continuar a estudar nas várias universidades. Apoiámos também alguns projetos ligados à saúde. E tivemos várias iniciativas das universidades que tinham os seus próprios programas e apoiámo-las nesses programas locais de combate à crise.

A grande novidade da nova estratégia é a aposta na reciclagem profissional e a formação em competências transversais. Porquê?
Segundo o Fórum Económico Mundial, em apenas cinco anos 85 milhões dos atuais empregos vão estar obsoletos e poderão, inclusivamente, ser extintos decido à automação e toda a transformação digital que estamos a viver. Por outro lado, também dizem que vão ser geradas 97 milhões de novas funções relacionadas com esta mesma digitalização. E é precisamente neste contexto que o Banco Santander lançará, neste programa de bolsas 2021, duas grandes apostas: uma, a reciclagem ou reeducação profissional, para promover a criação de novos conhecimentos e competências em diferentes disciplinas e para que [as pessoas] favoreçam a sua versatilidade profissional; e, a outra, na formação profissional em competências ou o que nós chamamos agora o upskilling, para facilitar a formação em competências transversais. Tudo isto porque, no mundo em que estamos a viver e em que nos estamos a transformar (os nossos próprios clientes estão a transformar o seu comportamento), temos de apostar bastante na aprendizagem, na reciclagem contínua e na nossa capacidade de adaptação. Isso será fundamental para melhorar as nossas perspetivas de emprego e desenvolvimento pessoal e profissional.

É importante referir que estas novas bolsas que estamos a lançar estão dentro dos nossos horizontes estratégicos não só em relação à educação, mas também em toda a parte da empregabilidade: ajudar, de facto, as pessoas a conseguirem ter melhores empregos e melhores e oportunidades no mundo em que estamos a viver e que se está constantemente a transformar.

Exemplo disso, são as 300 Bolsas Santander Tech - Digital Reskilling que acabam de ser lançadas. Muito sucintamente, em que consistem essas bolsas? E a aposta no digital é, no entender do Santander, a saída para crise do mercado de trabalho e empresarial imposta pela pandemia?
Estas Bolsas Santander Tech - Digital vão permitir melhorar as competências em tecnologia de programação e o desenvolvimento de toda a parte de economia digital. São uma parceria feita com uma escola internacional líder nesta área da educação. Nós consideramos, de facto, que devido a esta transformação que está a ocorrer, cada vez mais é importante que qualquer pessoa tenha formação em todas estas novas tecnologias e nesta economia digital que estamos a viver. Consideramos que estas bolsas, especificamente, tal como as bolsas de upskilling e reskilling, vão ser muito importantes para as pessoas conseguirem, de facto, aproveitar estas novas oportunidades e, no fundo, reciclarem toda a sua competência e toda a educação que tiveram no passado e conseguirem adaptar-se a esta nova realidade.

Quando se fala em economia digital, as pessoas tendem a pensar na internet. Para um leigo, como explicaria as vantagens da economia digital, por exemplo em setores como a agricultura ou a indústria pesada?
Quando falamos na economia digital, de facto, não falamos apenas na internet e nos canais digitais e tudo mais. Pensamos sim em tudo o que está a ser feito e transformado, para termos uma maior eficiência, redução de custos, otimização de processos, automação. Isto, sim, é tornar tudo o que estamos a viver, em todos os setores, numa economia mais digital. Sobretudo, o grande objetivo não é apenas fazer a automação dos processos ou pôr as vendas de qualquer setor na internet, fazer vendas online. Não, é muito mais do que isso. O objetivo é tornar todo o processo muito mais eficiente, otimizar os custos e tornar muito mais rentável e sustentável a empresa, independentemente do setor onde ela se encontre.

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