Está aí mais uma edição das Bolsas W50, que são "uma oportunidade de ouro" para as mulheres-líderes

Bolsista de edição anterior fala do que se aprende com as Bolsas Santander Women / W50, cujas inscrições terminam a 10 de maio, e de como é liderar em tempos de pandemia

Lançada a 8 de março, Dia Internacional da Mulher, eis que chega a 11ª edição das Bolsas Santander Women. Com vagas para 50 mulheres que aspirem ou estejam já em posições de topo no mundo dos negócios, aquelas que são também conhecidas abreviadamente por Bolsas W50 têm inscrições abertas até 10 de maio. Ana Miranda, diretora financeira de uma empresa de investimento, foi bolsista W50 em 2019 e a sua opinião acerca das mesmas é contundente: "A avaliação que eu faço destas bolsas é a melhor possível, é uma oportunidade de ouro que o Santander proporciona a um grupo de mulheres".

Em 10 anos de existência, as Bolsas W50 já formaram mais de 700 profissionais de topo do mundo inteiro e dos mais variados ramos de negócios. As interessadas, dos 13 países elegíveis, entre os quais se inclui Portugal, poderão candidatar-se online, no site dedicado às Bolsas Santander, até à meia-noite do dia 10 de maio.

Diz o Santander Universidades, promotor das Bolsas W50, que o objetivo é formar "mulheres com elevado potencial e destacada carreira profissional e/ou académica" - gestoras de topo, portanto. Durante oito semanas, 50 mulheres com mais de 10 anos de trabalho e experiência em cargos de responsabilidade irão aprender competências que lhes abrirão as portas de cargos hierárquicos acima do seu ou até mesmo as dos conselhos de administração das empresas ou a que dá acesso ao lugar executivo máximo de uma corporação, o de Chief Executive Officer (CEO).

Tudo porque o programa previsto oferece formação em assuntos, essenciais para futuros líderes, como inteligência organizacional, governança corporativa, estratégia de negócios e capacidades de negociação.

"É uma semana de programa bastante intensa onde não só nos são dados ensinamentos por professores bastantes bons sobre como pensar a nossa carreira e como estruturar a estratégia para chegar onde queremos chegar, mas dá-nos ainda outra coisa, que é uma maior perceção do que é ser um membro de um conselho de administração, o tipo de características que se esperam de um membro de um conselho de administração, a diferente perspetiva entre o que é ser um executivo ou um não-executivo, o que é o papel do CEO versus o papel de um board..."

A descrição é de Ana Miranda, Chief Financial Officer (CFO) da Timber Capital, uma sociedade gestora de fundos de investimento ligados aos ativos florestais e madeireiros, que usufruiu de uma Bolsa W50 em 2019, altura em que a formação estava concentrada numa semana de formação presencial super-intensiva. Este ano, a formação continuará a ser intensiva, mas será ministrada online, ao longo de três extensos meses, entre setembro de dezembro de 2021, por elementos da prestigiada London School of Economics.

"É como se fosse o insight do conselho de administração, de todas estas dinâmicas, que há muitas mulheres-líderes que não têm - acham que querem chegar aí, mas nunca tiveram oportunidade de participar num conselho, não sabem exatamente o que esperar e como se preparar", continuou Ana Miranda. "Portanto, este curso é uma oportunidade única de ter essa informação. Para além de que proporciona uma partilha de experiências entre os participantes do curso que tem muito valor", concluiu.

De facto, além do contacto com as outras "colegas" bolsistas, que exercem os mais variados cargos de responsabilidade e chefia e que partilham o que sabem e as soluções que encontraram para os problemas enfrentados, o programa estabelece uma rede de mulheres, futuras líderes nas suas áreas de atuação, e promove o networking e o diálogo permanente entre elas.

Nas palavras de Ana Miranda: "Fica depois disso uma rede de contactos e um networking muito importante, internacional neste caso, que abre portas, horizontes ou oportunidades e que é um networking que ainda hoje funciona".

Portanto, em conclusão, diz a executiva que a Bolsas W50 envolvem mais do que formação: "É também dar valor ao networking, dar valor ao mentoring, saber partilhar, saber ouvir". Além de toda a aprendizagem técnica, há também uma forte componente de soft skills, "que me podem ajudar a mim, como estão a ajudar este grupo de mulheres que participou nas Bolsas W50, a construir o seu caminho para chegar aonde querem chegar".

Os desafios de liderar em tempos de pandemia

Mais intenso, mais compreensão, mais tolerância e empatia. Foi com estes termos que Ana Miranda, diretora financeira da Timber Capital, descreveu como é liderar em tempos de pandemia.

"É mais intenso porque, para além de juntarmos tudo aquilo que é o nosso foco habitual dos ideais corporativos de objetivos e performance, passámos a ter uma preocupação muito mais humana", afirma Ana Miranda. E, de seguida, explica: "A minha experiência nesta altura da pandemia foi, de uma forma muito rápida, ter de pensar como é que conseguíamos proteger as nossas pessoas, como é que podíamos dar condições às nossas pessoas para podermos trabalhar em regime de teletrabalho e passámos, ou passei, a ter uma preocupação com sentimentos e saúde mental, coisa que dantes não estava nas minhas principais preocupações enquanto responsável da área em que estou".

Daí, disse, ter sentido a tal maior exigência de compreensão, tolerância e empatia: Para "com aquilo que as pessoas com quem lidamos possam estar a passar nas suas casas, as dificuldades que têm a adaptar-se a um novo regime de trabalho, as dificuldades que possam ter, principalmente para mulheres-líder, em gerir em simultâneo dentro de casa a tarefa profissional e a tarefa de acompanhamento dos filhos - principalmente para quem tem crianças pequenas, isto é verdadeiramente um desafio".

Já do ponto de vista dos negócios, segundo Ana Miranda, a pandemia veio obrigar a pensar em cenários alternativos, ter em conta uma espécie de catástrofe em que é preciso tentar antecipar o que vai acontecer a seguir, porque o efeito ou os efeitos da pandemia podem ser muitos: desde o lado que está mais relacionado com as equipas, aos efeitos económicos da pandemia.

Por último, outro dos efeitos da Covid-19 para os líderes de negócios, mulheres ou não, que Ana Miranda salienta é o facto de se ter assumido o aspeto de "um fast course" do uso de tecnologia. "Claramente que a tecnologia ganhou de repente uma preponderância muito grande no nosso dia a dia e foi o meio que encontrámos para conseguir continuar a operar com alguma normalidade, com as empresas e com as nossas equipas."

A pandemia está a levar as mulheres ao burnout

No mundo dos negócios não há igualdade de género: é sabido que as oportunidades de progressão na carreira abrem-se muito mais facilmente aos homens. Será que a pandemia veio dificultar ainda mais esta situação?

Para Ana Miranda, mais do que dificultar, a pandemia veio salientar um problema relacionado com o papel tradicional da mulher enquanto mãe ou dona de casa, face à necessidade de muitas empresas terem de aderir ao regime do teletrabalho.

"Os números estão as mostrar, e há já muitos estudos sobre isto, que as mulheres estão a chegar muito rapidamente, ou mais rapidamente que os homens, neste período de pandemia a situações de burnout", afirma Ana Miranda. Isto está a levar as mulheres a repensar as suas carreiras: "Há uma estatística um bocadinho assustadora que mostra que as mulheres estão a pensar um downgrade das suas carreiras para conseguirem uma conciliação melhor entre a sua vida profissional e pessoal", avança a CFO.

Segundo a responsável financeira, a Covid-19 "mostrou-nos a fragilidade humana". "A pandemia levou a que mulheres profissionais, dedicadas, em posições de responsabilidade, portanto líderes, tivessem de ir para casa e tivessem de lidar ao mesmo tempo com ter filhos em casa, aos quais tiveram de aprender a dar atenção ao mesmo tempo que trabalham", disse.

Ana Miranda conta uma história envolvendo um grupo de mulheres suas conhecidas, todas elas em cargos de responsabilidades em diversas empresas, que ilustra bem esta questão. Alguém se lembrou de lançar um desafio a todas para que fotografassem a sua área de trabalho em casa durante esta pandemia e postassem a foto online. O resultado foi que a grande maioria partilhava a mesa da sala com os filhos, com os seus elementos de trabalho a par dos livros e cadernos das crianças, enquanto os respetivos parceiros estavam instalados noutra divisão da casa.

"Isto é uma super-exaustão para uma mulher", remata Ana Miranda. Uma situação que leva a executiva da Timber Capital a afirmar que, mais do que oportunidades de progressão na carreira, o que a pandemia vai porovocar é falta de candidatas aos lugares cimeiros das corporaçoes. "Esse é que é o problema. Vamos ter falta de candidatas, porque vamos ter mulheres a pensar: 'It"s too much! Eu não quero isto'".

Equipas com mulheres-líderes encontrarão soluções sustentáveis mais rapidamente

Tendo Ana Miranda um cargo executivo numa empresa que investe em ativos florestais, nomeadamente no Brasil e na Colômbia, e tendo o confinamento obrigatório levado ao registo de pegadas de carbono e níveis de poluição, por todo o planeta, muito mais reduzidos, surgiu a questão de saber se as mulheres-líderes, que são também muitas vezes mães, terão uma maior sensibilidade para as questões ligadas à necessidade de salvar o planeta? Estarão mais disponíveis para adotar alterações dos modelos de negócios e do seu processo de funcionamento, mesmo que sejam difíceis e custosas, para deixar menor pegada de carbono?

"Eu acredito que sim, que há de facto aí um fator mulher que traz um pouco mais de sensibilidade", diz Ana Miranda. Embora reforce que qualquer líder, mulher ou homem, tendo filhos é muito mais sensível à questão ambiental - "porque, como é óbvio todos nós temos um instinto de proteção dos nossos filhos" -, a responsável considera que "é a determinação da mulher, impulsionada pelo seu lado mais sensível, pelo facto também de ser mãe, que vai fazer alguma diferença".

Para Ana Miranda, a mulher é mais sensível ao contexto, ao ambiente que a rodeia. E, nesse sentido, "será também mais sensível e terá mais abertura de mente para absorver todas as iniciativas que existem hoje em dia para tentar levar o mundo corporativo a tomar decisões que efetivamente façam a diferença. E isso pode implicar mudar modelos de negócios".

"Portanto, eu acredito que equipas com mulheres-líderes mais rapidamente chegarão a soluções dentro das suas empresas para se tomar um caminho mais sustentável", afirmou.

Mas outros atores a ter em conta, neste caminho para sustentavilidade: os jovens, que impulsionam para a mudança. "Na função que exerço, contacto com pessoas mais jovens, faço recrutamento de pessoas para a minha área, e não é a primeira nem a segunda vez que me surgem estas gerações mais jovens, que estão agora a sair dos cursos, que me fazem perguntas muito diretas sobre qual é o nosso posicionamento em relação às matérias da sustentabilidade, às matérias sociais, que tipo de propósito tem a nossa empresa e o que faz para dar uma contribuição positiva no sentido de mudar um pouco esta forma de tratar o planeta", conta Ana Miranda.

Uma preocupação dos jovens candidatos a emprego que tem toda a razão de ser, tendo em conta a área de investimento a que se dedica a sua empresa: o setor florestal e madeireiro.

"Exatamente", admite a responsável. "Nós, na nossa empresa, acreditamos, e esse é o nosso modelo de negócio, em crescimento sustentável do parque florestal, que continua a alimentar uma indústria, mas com objetivos também muito claros de proteção da fauna e flora local", avança.

"Mas eu tenho conversado também com outras pessoas e é engraçado perceber que os jovens estão de facto muito atentos a isto, estão a valorizar as empresas que adotam uma postura diferente, estão a fazer escolhas muito mais sustentadas na forma de estar na vida, de comprar produtos, de olhar para as empresas, de decidirem onde querem estar enquanto profissionais. Isto é inegável e, portanto, as empresas têm de se posicionar nesse sentido e têm de levar a sério este tema", termina Ana Miranda.

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