Estratégia EntrePower coloca Universidade de Évora no Top-50 de ranking mundial

Estratégia foi lançada com o Bootcamp Empreend'UÉ patrocinado pelo Santander Universidades: dois dias intensivos a aprender a transformar ideias de negócios em empresas spin-offs. Quem assistiu diz que quer mais.

Chama-se EntrePower e é a nova estratégia de empreendedorismo e inovação da Universidade de Évora, que acaba de ser lançada com a realização do Bootcamp Empreend'UÉ, patrocinado pelo Santander Universidades. Foi um campo de treino intensivo que, na prática, se insere numa das sete fases previstas na nova estratégia. O plano é tão inovador e eficiente que já levou a Universidade de Évora a entrar, em algumas áreas, para o Top-50 do ranking das Universidades do Mundo com Impacto Real (WURI, na sigla inglesa), como revelou o vice-reitor Soumodip Sarkar.

"A EntrePOWER é uma estratégia completa", começa por afirmar o vice-reitor da Universidade de Évora com o pelouro do Empreendedorismo e Inovação, responsável pela criação do projeto inédito. "A Universidade de Évora já tinha tido, como todas as universidades, diversas iniciativas para promover spin-offs e fazer transferência de conhecimento. Agora, o que estamos a fazer, que é novo, é tentar juntar as peças todas e criar uma estratégia muito clara" para concretizar isso, continuou o professor.

O lançamento da nova estratégia foi assinalado com a realização de um campo de treino intensivo de empreendedorismo e inovação, patrocinado pelo Santander Universidades, parceiro institucional da Universidade Évora. O Bootcamp Empreend'UÉ saldou-se por dois dias - 28 e 29 de maio - que deram a 20 investigadores e alunos da universidade alentejana todas as ferramentas para transformarem os seus projetos e ideias em empresas viáveis. No fundo, tratou-se de um programa gratuito e condensado que explorou toda a jornada do desenvolvimento de ideias de negócio de sucesso, através da metodologia lean start-up.

Com o objetivo de transferir para a sociedade e o mercado de trabalho o conhecimento gerado nas salas e laboratórios da universidade, a estratégia concebida pelo professor Soumodip Sarkar e a sua vice-reitoria segue sete passos. Podendo estas etapas ocorrer de forma sequencial ou em simultâneo, tudo começa pelo mapeamento de ideias de negócios e patentes dentro das paredes da universidade.

Há depois um momento de auscultação e sensibilização de participantes. "Vamos falar, conversar, com investigadores e doutorandos para fazer o scouting e sensibilização, para ver que ideias é que têm potencial para fazer o nurturing", explica o vice-reitor. De seguida, leva-se a cabo a capacitação, mediante a realização de workshops, bootcamps, hecathons e outros eventos contínuos. "Portanto, o Bootcamp Empreend'UÉ foi parte dessa iniciativa de capacitação", sublinhou Soumodip Sarkar.

Dá-se então lugar à criação de spin-offs e novas patentes, para o que a Universidade de Évora contribui com a sua posição privilegiada. "A universidade tem essa particularidade, que é: está associada ao Parque da Ciência e da Tecnologia do Alentejo, é a sua sócia principal, portanto permite uma plataforma para promover start-ups e spinn-offs", salientou o professor Sarkar.

Os últimos passos de todo o processo são o acesso a investimento e networking - em que, segundo Soumodip Sarkar, a universidade vai convidar parceiros externos para apoiar a cadeia de networking e, inclusive, vai desenvolver nestes moldes a sua secção de alumni -, a internacionalização dos projetos e, por fim, a potenciação de casos de sucesso.

"Tudo para dizer que temos aqui uma cadeia de valor na nossa estratégia que é nova, um bocadinho disruptiva, e que é também um bocadinho o juntar de algumas peças que já existiam, outras são peças novas, de a modo a que possamos ter, logo de início, uma estratégia muito completa com a finalidade de criar spin-offs e também de fazer transferência de conhecimento", concluiu o vice-reitor.

Apesar da tónica na criação destas empresas "derivadas" da Universidade de Évora como forma de levar o conhecimento para lá dos seus muros, Soumodip Sarkar, especialista em Gestão e Economia, é perentório: "Há vários métodos, obviamente, só que as spin-offs trazem grandes mais-valias", disse.

Desde logo, um paladar aos seus alunos do que é vogar no mundo real dos negócios, depois o emprego e experiência profissional oferecidos aos estudantes e investigadores, e depois a oportunidade de nelas introduzir projetos de investigação e desenvolvê-los mais ainda.

"Há grandes mais-valias, mas isso não impede de seguir outras estratégias, que estamos a seguir. Para nós, as spin-offs são algo em que estamos a começar de uma base relativamente baixa e há um caminho muito grande para fazer" concluiu.

Mas há mais, na nova estratégia EntrePOWER. "Estamos a criar uma Plataforma de Conhecimento, apoiada por fundos comunitários, um projeto pioneiro na Europa para permitir, por via dessa plataforma, dar a conhecer a entidades externas, principalmente empresas, que tipo de conhecimento existe na universidade que dá para fazer uma transferência", explicou.

Tudo razões que levaram a que Universidade de Évora passasse a figurar na lista das World"s Universities with Real Impact (WURI), como contou Soumodip Sarkar. "Agora a nossa estratégia foi apresentada como parte do projeto total da Universidade de Évora para o chamado WURI Ranking e entrámos para o Top-50 em algumas das áreas que têm a ver com o empreendedorismo e em como fomentar o empreendedorismo, o que para nós é um orgulho grande", disse.

Primeiro bootcamp com pedido de bis

A primeira iniciativa realizada no âmbito da nova estratégia de empreendedorismo e inovação a Universidade de Évora, como se disse, foi o Bootcamp Empreend'UÉ. o evento durou apenas dois dias, mas quem assistiu disse querer mais, segundo o vice-reitor.

"O bootcamp permitiu em dois dias, num prazo muito curto, ficar com um conhecimento em alguns casos bastante aprofundado de como transformar uma ideia num negócio sustentável", explicou Soumodip Sarkar. Um passo muito importante, porque, como defende o vice-reitor, "não basta só promover o espírito empreendedor, temos também de dar ferramentas".

Assim, e segundo este responsável, foram escolhidas 20 ideias, ou seja, 20 investigadores e estudantes com ideias interessantes - "algumas em fase bastante adiantada em termos de maturidade", afirmou - para ficarem a "conhecer algumas técnicas de como fazer scale-up, por exemplo, como traduzir uma ideia bastante avançada numa spin-off em concreto, como pedir uma patente".

Portanto, e tal como o Santander Universidades chegou a divulgar, "como o processo de tornar uma ideia num modelo de negócio nem sempre é fácil, o Bootcamp Empreend"UÉ foi desenhado para auxiliar a transferência sustentada das ideias científicas da Universidade de Évora para a sociedade".

Para isso, os participantes percorreram seis diferentes módulos de aprendizagem: Conceptualização, Validação, Financiamento, Internacionalização, Avaliação de Impacto e Comunicação".

"O programa apresentado neste primeiro bootcamp procurou ainda suscitar a descoberta de modelos de liderança, de gestão de equipas e de colaboração inteligente, através de convidados que relataram experiências na primeira pessoa e pela criação de dinâmicas personalizadas", afirmou ainda o Santander Universidades.

E no final, qual foi o balanço possível?

"Há um feedback formal que ainda estamos a recolher", disse Soumodip Sarkar. "O feedback informal que eu recolhi foi muito positivo". Para começar, segundo contou, a maior parte dos participantes tinha grandes ideias, mas não tinha noção nenhuma de como traduzi-las num negócio. Com este evento, não apenas esse problema ficou minorado, como os participantes ficaram também a conhecer algumas ferramentas muito úteis.

"Isso, para mim, já é algo gratificante porque nós falamos muito da importância das ideias, mas depois, para muitos, isso é algo abstrato", disse Soumodip Sarkar, concluindo: "Eles gostaram muito e querem fazer mais bootcamps, querem assistir a mais".

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