Prémios TecInnov aceleram tecnologia do futuro

Protótipos tecnologicamente inovadores, em parte financiados pelos prémios Santander Totta-IST, ajudam a formar uma nova geração de engenheiros

– Dois carros de corrida elétricos, um aeromodelo rádio-pilotado e uma lancha solar. São quatro projetos, quatro ideias tecnológicas inovadoras que partiram do Instituto Superior Técnico (IST) e foram medir forças com as suas congéneres pela Europa fora e até com marcas de renome mundial. Em comum têm o facto de integrarem a aplicação do último grito da investigação tecnológica e terem conquistado os Prémios TecInnov 2017, um galardão criado no âmbito do Programa Santander Universidades. Completados já três meses sobre a sua atribuição, a 6 de junho, os projetos são hoje casos de sucesso.

Todos os projetos vencedores dos Prémios TecInnov envolvem a criação de um protótipo de cariz tecnológico e inovador, capaz de disputar competições internacionais e, de caminho, proporcionar um campo de testes para a próxima geração de engenheiros de alto nível. E, tratando-se de um troféu que é fruto de uma parceria entre o Banco Santander Totta e o IST, todos eles são desenvolvidos por alunos deste instituto. Na edição de 2017, os prémios distribuídos atingiram o montante total de 15 mil euros, sendo que o valor máximo atribuído a um projeto nunca é mais de 5.000 euros.

Este ano, o vencedor da “taluda” dos Prémios TecInnov foi o Projeto FST Novabase, querendo a sigla significar Formula Student. Como se adivinha, o ideia é criar um carro de corridas, mas com algo de especial. O FST 07E, o bólide deste ano, é 100% elétrico, sem caixa de transmissão e é capaz de chegar dos 0 aos 100 km/h em cerca de 2,3 segundos. “O que é mais rápido do que qualquer Ferrari de produção ou do que qualquer Porsche ou Lamborghini, qualquer carro de topo”, afirmou João Paulo Monteiro, líder da equipa de 2017.

Quanto à velocidade máxima, o FST 07E atinge “apenas” cerca de 100 km/h – o modelo de 2016 (o IST já inscreve uma equipa na Formula Student desde 2001) tinha uma velocidade de ponta de 150 km/h. “O motivo para isso é que, em carros deste tipo, há um trade-off entre velocidade de ponta e aceleração: quanto maior for a primeira, tipicamente, pior é a segunda. No nosso caso, quisemos maximizar a aceleração”, explicou o responsável. E no que respeita à autonomia, o FST 07E aguenta 22km a andar ao máximo, com as acelerações e travagens necessárias em qualquer circuito, o que equivale a meia-hora de corrida, avança João Paulo Monteiro.

O FST 07E participou este ano em três provas internacionais, realizadas na República Checa, Alemanha e Espanha, tendo esta última decorrido a 28 de agosto. As competições são compostas por uma prova estática, em que é avaliado o design de engenharia do carro, e por uma prova dinâmica, que é a corrida. “A nível de provas estáticas, a equipa teve resultados históricos”, diz João Paulo Monteiro, referindo-se ao 1º (na prova checa), 4º (na Alemanha) e 6º (em Espanha) lugares conquistados. As corridas é que podiam ter corrido melhor . Mas um problema na inspeção técnica do carro impediu a sua participação nas duas primeiras competições. Por causa disso “os resultados finais da equipa ficaram aquém daquilo que esperávamos e do potencial do carro que levámos”, lamenta João Paulo.

E onde é que entra o Prémio TecInnov no meio de tudo isto? “Esse prémio foi mais ou menos crítico para nós”, disse o futuro engenheiro. “Os 5.000 euros são aproximadamente o custo de inscrição nestas competições”, explicou.

Uma lancha de corrida movida a... Sol

O 2.º Prémio TecInnov 2017, no valor de 4.500 euros, coube ao projeto Técnico Solar Boat, que se propôs construir uma “embarcação tripulada de competição, movida exclusivamente a energia solar”, disse o líder da equipa, Manuel Simas. O resultado foi o São Rafael 01 – ou SR 01, na versão curta –, “um trimarã em fibra de carbono, com a capacidade de atingir velocidades superiores a 25 km/h”.

O SR 01 estreou-se a 13 de julho no Monaco Solar & Electric Boat Challenge, competição que é dividida entre a Top Class e a A Class, tendo o trimarã do IST integrado esta última. Logo na primeira corrida, a Fleet Race, que é uma prova de resistência, o SR 01 começou com um atraso de 20 minutos, devido a problemas técnicos, mas ainda assim conseguiu ficar em 5º lugar na sua classe e em 11º na geral, isto é, na junção da classificação de ambas as classes. Uma avaria grave no motor impediria o SR 01 de participar nas duas provas seguintes da competição, segundo relatou Manuel Simas, mas ainda conseguiu disputar a prova de Speed Record, que decorria à parte, só para testar a velocidade de cada barco. Aí, o SR 01 atingiu uma velocidade média de 25 km/h, ficando classificado em 4º lugar da sua classe e em 8º na geral, deixando assim para trás muitos barcos da Top Class. “A diferença entre a A Class e a Top Class é notória”, frisou Manuel Simas, “pelo que, para nós, foi muito positivo perceber que podíamos enfrentar algumas das embarcações da Top Class”.

“O próximo passo passa por melhorar todos os sistemas da embarcação e poder participar no maior número de competições possíveis em 2018”, disse o líder da equipa. E tudo isto só foi, em parte possível, com a contribuição do Prémio TecInnov, como salientou Manuel Simas. “O Prémio Santander foi recebido em êxtase por toda a equipa e ele foi, em primeiro lugar, utilizado para a construção dos hydrofoils da embarcação – uma tecnologia desenvolvida pela equipa que tem como objetivo fazer levantar a embarcação, diminuindo a superfície de contato com a água e aumentando a velocidade”. Além disso, “foi também uma grande ajuda para a nossa participação na competição”, concluiu Manuel Simas.

Rápido e sem emissões poluentes

O PSEM – Projeto de Sustentabilidade Energética Móvel foi aquele que conquistou o 3.º Prémio TecInnov. Trata-se de um “veículo elétrico de alta eficiência energética e sem emissões poluentes, criado para participar nas provas do Greenpower Education Trust, em Inglaterra”, explicou Pedro Diogo, líder da equipa. O protótipo de 2017 é já o quarto desenvolvido por equipas do IST e distingue-se por ser “o mais leve e aerodinâmico da história do projeto”, disse o responsável.

Este ano, a estreia do PSEM podia ter sido em grande, na pista de Dunsfold, famosa por ser o campo de provas do programa Top Gear, na Grã-Bretanha, mas um curto-circuito impediu o protótipo do IST de participar, por “questões de segurança”, explicou Pedro Diogo. Porém, nem tudo está perdido. No próximo domingo, 17, o PSEM português vai lançar-se no circuito de Castle Combe, também em Inglaterra, e no dia 20 de setembro prova o seu valor em Liverpool. “Em outubro, na final internacional, o PSEM vai correr contra equipas de empresas de renome, como a Jaguar-Land Rover ou a Lockeed-Martin”, avançou Pedro Diogo. É também nesta final que serão avaliados outros aspetos do projeto, como o design e aerodinâmica do veículo.

Mais uma vez, o Prémio TecInnov atribuído ao PSEM foi um apoio importante. Permitiu “a inscrição nas provas, a compra das baterias e de um motor” e deu para financiar “outras questões logísticas mais relacionadas com a viagem”, explicou Pedro Diogo.

Um aeromodelo com músculo

O 4.º Prémio TecInnov coube ao projeto Air Cargo Challenge 2017, que “consistiu no desenho e construção de um aeromodelo rádio-pilotado que conseguisse voar com a maior carga possível”, como avançou João Canas, team leader da equipa. Tal como nos projetos anteriores, este não é o primeiro aeromodelo que o IST leva a competir no Air Cargo Challenge. No protótipo deste ano – e como explicou João Canas –, a equipa conseguiu “remover alguns limites geométricos”, o que permitiu “aumentar as dimensões do aeromodelo, nomeadamente na envergadura e corda da asa”. Isto é, descodificando para os leigos, no comprimento da asa de ponta a ponta – que, no caso, ficou com 4 m – e na largura da mesma. Além disso, este ano a equipa sujeitou o aeromodelo a um teste de estrutural, o que obrigou a “utilizar sistemas de encaixe mais complexos entre os vários painéis da asa e novas técnicas de produção de materiais compósitos”, disse João Canas.

O aeromodelo do IST foi posto à prova entre 7 e 11 de agosto, em Zagreb, na Croácia. “A prova consistia numa pista de 100 m que tinha de ser percorrida 10 vezes, para um total de 1000 m, no menor tempo possível”, contou o líder da equipa. Para a pontuação final, contavam apenas os dois melhores voos de cada equipa, sendo que, no caso da AéroTéc – Lisbon (como se chama a formação de João Canas), as melhores prestações equivaleram a um 2.º e 3.º lugar nas respetivas provas. A pontuação mais alta atingida pela equipa foi 142,63 pontos, quando conseguiu fazer voar o aeromodelo do IST durante 81 segundos, carregando 4,570 kg, tendo demorado 18,91 segundos a pôr a carga no avião (fator que também era avaliado).

No final, o aeromodelo do IST juntou ao 2.º lugar conquistado numa das suas provas de voo o 6º lugar, com 94,8 pontos, na pontuação estática, “constituída pela avaliação do relatório, desenhos técnicos e apresentação oral”, do projeto. “No total a equipa somou 353,37 pontos, classificando-se na 15ª posição em 36 equipas inscritas, das quais 28 estiveram presentes”, concluiu João Canas.

No caso deste aeromodelo, o responsável explicou que o Prémio TecInnov contribuiu para a aquisição dos materiais necessários à sua construção. “Ao longo do desenvolvimento do projeto, foram construídas peças em alumínio e compósitos feitos à base de fibra de vidro e carbono, materiais esses que têm um custo elevado”, explicou João Canas. Parte do prémio foi também utilizado na aquisição de componentes eletrónicos essenciais, como os motores e baterias, disse.

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