Projeto que estuda o discurso dos políticos ganha Prémio de Investigação

No valor de 25 mil euros e atribuído todos os anos, os Prémios de Investigação Colaborativa visam projetos que envolvam várias faculdades da Nova

– Que margem de manobra têm realmente os políticos, hoje em dia, na tomada de decisões? Que desculpas ou justificações apresentam para as medidas que aprovam? Como recebem os cidadãos o discurso dos políticos? É a estas três perguntas que procura responder um projeto em que participam estudiosos da Universidade Nova de Lisboa (UNL) de três áreas distintas: Ciência Política, Filosofia e Computação. Uma cooperação que conquistou este ano o Prémio de Investigação Colaborativa Santander Totta/Nova, quando este festeja já o seu 1o.º aniversário.

"Os decisores políticos estão muito mais constrangidos hoje do que há 30 anos", garante Catherine Moury, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da UNL, referindo-se às pressões modernas a que estão sujeitos estes líderes, como sejam a globalização, os mercados financeiros ou o facto de pertencerem a organizações supranacionais do estilo da União Europeia. Moury é apenas um dos três nomes que assinam o projeto A Política dos constrangimentos: Estratégias discursivas num jogo a três níveis. A seu lado, também como investigadores principais, estão Dima Mohammed, do Instituto de Filosofia da Nova, e João Leite do LINCS (Laboratory for Computer Science and Informatics) da mesma universidade.

Ao juntarem forças, os três investigadores conseguiram estudar a mesma questão – as estratégias de discurso político – sob um prisma tripartido entre a ciência política, a filosofia e as ciências da computação. Uma multidisciplinaridade que permitiu desenvolver uma metodologia inovadora que analisa o discurso argumentativo tanto qualitativa como quantitativamente.

Segundo Catherine Moury, o que o seu projeto fez foi tentar perceber até que ponto, no momento da tomada de decisões, os políticos se sentem (ou não) constrangidos e quando e porquê é que isso acontece.

O segundo ponto analisado é a forma como os políticos comunicam à opinião pública a margem de manobra que apreendem ter na tomada de decisões. "Será que, em alguns casos, exageram os constrangimentos sentidos para fazer passar medidas impopulares, dizendo que a culpa é da Europa? Ou, ao contrário, quando a Europa é impopular, minimizam, negam o constrangimento para não parecerem marionetas da União Europeia?", interroga a investigadora como exemplo para melhor explicar o que está em causa no estudo.

Por fim, tentar perceber como é que os cidadão recebem os argumentos avançados pelos políticos é o terceiro e último objetivo do projeto, que na semana passada foi distinguido com o Prémio de Investigação Colaborativa de 2017. "O caráter inovador deste projeto é a colaboração interdisciplinar", afirmou Catherine Moury, agradecendo pelo prémio recebido.

Atribuído todos os anos, o Prémio de Investigação Colaborativa Santander/Universidade NOVA de Lisboa, no valor de 25.000 euros, visa distinguir projetos de investigação a desenvolver por investigadores juniores desta universidade que envolvam, pelo menos, duas das unidades orgânicas da instituição.

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