Projetos de high-tech na saúde medem forças na universidade do Porto

2.ª edição da Digital Health Porto vai apreciar 31 ideias de negócio inovadoras e disruptivas, seis das quais portuguesas, até dia 4 de dezembro

Pela segunda vez consecutiva a Digital Health Porto volta a Portugal e, em concreto, à Universidade do Porto : 31 startups com soluções digitais e tecnológicas para a área da saúde vão estar em contacto com mentores, peritos e investidores com intuito de, no final, fazerem a apresentação perfeita da sua ideia e captarem financiamento. O lançamento da 2.ª edição da Digital Health Porto - que de novo chega à universidade da Invicta contando com a Tech Tour como promotora e o Santander Universidades como patrocinador - aconteceu esta quinta-feira, 5 de novembro, e os candidatos têm quatro semanas para mostrarem o que valem e convencerem os investidores.

"O que nós pretendemos aqui é ter uma plataforma de encontro entre startups particularmente inovadoras na área do Health Tech, daí o Digital Health, e pô-las em contacto com investidores que estejam à procura de oportunidades de investimento com grande potencial de crescimento", explicou Joana Resende, Pró-reitora da Universidade do Porto para o Planeamento, Empreendedorismo e Transferência de Conhecimento. "É esta interação, esta plataforma e este ponto de encontro que é a grande proposta de valor desta iniciativa", concluiu a responsável.

Na 1.ª edição do evento, então com a designação de Digital Health Venture Forum, os candidatos tiveram apenas dois dias de trabalho condensado para as duas fases previstas: receber mentoria, passar por sessões de treino de negócios (coaching), reuniões bilaterais com investidores, painéis de discussão e formação para os seus responsáveis aprenderem a fazer o melhor pitch possível da sua ideia de negócio, no primeiro dia; e apresentação (ou pitch) da sua startup perante um número muito significativo de investidores, no segundo. Este ano, tudo mudou.

"Em ano de pandemia, tivemos de reinventar o formato", avançou Joana Resende. "Aquele elemento de networking muito concentrado que existiu o ano passado neste contexto atual não é possível, portanto, o que fizemos foi alargar a timeline do programa", explicou. Assim, ao longo das próximas semanas será privilegiado o formato virtual dos contactos, sendo que na grande final, dos dias 3 e 4 de dezembro, haverá apresentações dos projetos candidatos e contactos com os investidores.

Segundo avançou Joana Resende, o Digital Health Porto 2020 recebeu 74 candidaturas, que foram depois "analisadas por um painel de reputadas personalidades, que selecionaram 31 candidaturas". Quanto ao número de prémios, logo de vencedores, diz a pró-reitora da U.Porto que ainda não estão definidos, "mas a nossa perspetiva é que possam ser maximizadas as oportunidades para estas 31 startups, que são de toda a Europa". E "no caso português, temos sete startups portuguesas, cinco das quais spin-offs da Universidade do Porto", sublinhou Joana Resende.

Em 2019, foram distinguidas 10 startups, três das quais portuguesas. "O ano passado tivemos uma história de sucesso de uma startup nossa que conseguiu angariar 3,5 milhões de euros, a Tonic App", referiu a pró-reitora. Este ano, "estamos expectantes de que possa ter um resultado, em termos de angariação de financiamento, pelo menos tão bom como foi o ano passado, de preferência melhor para as nossas startups", concluiu.

Para a pró-reitora, eventos como o Digital Health Porto, que a Universidade do Porto conseguiu atrair para Portugal, têm um duplo efeito: direto e indireto. O primeiro faz-se sentir diretamente nos projetos que são apresentados a concurso, as startups que assim angariam financiamento para que possam crescer, internacionalizar-se e "tornar-se uma referência a nível global".

Afinal, foi o que aconteceu com a já referida startup Tonic App, uma das grandes vencedoras portuguesas da 1ª edição, desenvolvida desde 2016 na incubadora da U.Porto, que não apenas obteve financiamento, como reconhecimento e dimensão internacionais e já foi nomeada pela revista Forbes como uma das 60 startups lideradas por mulheres que estão "a agitar a tecnologia pelo globo".

Indiretamente, o evento "também é, digamos, uma inspiração para outros empreendedores que veem os seus colegas a crescer e que, este ano, por exemplo, estão também a concorrer", sublinhou Joana Resende. "Portanto, este tipo de iniciativas, ao permitir aqui abrir às nossas empresas um mercado, um palco para o contacto com os investidores é muito importante." E, "felizmente, nós temos cada vez mais startups a desenvolver projetos verdadeiramente inovadores e com potencial disruptivo", afirmou

A importância dos parceiros

O Digital Health Porto conta com o patrocínio do Santander Universidades, com a Tech Tour como entidade promotora e tem ainda o apoio da EIT Health, além, é claro, do da própria Universidade do Porto e da UPTEC, o Parque de Ciência e de Tecnologia desta instituição de ensino superior. Todos parceiros cuja importância a pró-reitora Joana Resende sublinha.

"Os patrocinadores são, de facto, muito importantes, para que possamos ter este tipo de iniciativas", afirmou. "Este evento, em particular, conta com o apoio do Santander, que tem sido um parceiro importantíssimo para a universidade nas iniciativas da promoção do empreendedorismo, aquilo que nós chamamos o ponto de encontro dos três 'E', empreendedorismo, empregabilidade e a educação."

Para Joana Resende, esta é "a tríade perfeita" tanto do ponto de vista do interesse do Santander Universidades, como também do interesse estratégico da universidade: "Nós queremos uma educação melhor, queremos garantir a empregabilidade dos nossos estudantes e queremos torná-los pessoas empreendedoras - mesmo que não venham a seguir o caminho do empresário, nas suas vidas profissionais e pessoais, terão de ser empreendedores".

"Portanto", reafirmou, "este cruzamento dos três 'E' proposto pelo Santander Universidades vai muito ao encontro daquilo que é a nossa estratégia, pelo que o Santander tem sido um parceiro importante, não só nesta, como noutras iniciativas".

Já a Tech Tour, a empresa promotora, diz a pró-reitora que tem um papel interessante, "na medida em que conta com uma expertise na realização deste matching entre investidores e startups". É por causa da experiência da Tech Tour que a U.Porto não teme a duração alargada do Digital Health Porto, ao longo das próximas quatro semanas.

"Desse ponto de vista, consideramos que esta fase preliminar, que não existiu o ano passado, pode ser interessante para que, naquele momento mais concentrado , as empresas possam efetivamente já estar preparadas para apresentar a sua proposta de valor da forma mais eficaz para captar o interesse dos investidores e eu acho que isso é uma mais-valia nova, que resulta desta obrigação de repensarmos o programa em função daquilo que são os constrangimentos da pandemia", disse Joana Resende.

Por fim, esta iniciativa, que é muito orientada para a questão da saúde digital, conta também com o apoio do EIT Health, comunidade de que a Universidade do Porto faz parte ao estar integrada num seu hub regional. "Portanto, estamos a falar daqui de uma área setorial, a saúde digital, que não poderia ser um tópico mais relevante no contexto atual que vivemos", disse Joana Resende. "Este é um setor em que nós vemos muito potencial de inovação e em que vemos a possibilidade de um contributo enorme da academia".

E, também aqui, pelo facto de o Digital Health Porto ser um evento situado num setor tão disruptivo, que Joana Resende volta a realçar a relevância da intervenção do Santander. "Acho que isso é um win-win que temos aqui: por um lado, este encontro dos três 'E' e o apoio da Santander na consecução deste que é um dos grandes objetivos da universidade; por outro lado, a escolha do setor, da saúde digital, e esta colaboração com o EIT Health, que também vemos como algo muito interessante para a concretização da estratégia da universidade".

Além de que, como sublinha a pró-reitora, ao "estamos essencialmente a falar de investimentos de série A - portanto, para o crescimento e internacionalização das nossas startups -, o Santander está, de certa maneira também, a criar as bases para que essas empresas possam crescer e, depois, já mais ajustadas ao seu perfil e ao seu segmento de mercado, virem a ser elas próprias parceiras do Santander".

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de