Projetos de jovens portugueses vencedores da EIA já aceleram

No Top 3 dos projetos vencedores da maior aceleradora digital do mundo houve sempre jovens de universidades nacionais

Alguns dos mais inovadores projetos vencedores da última edição da European Innovation Academy (EIA), que se autointitula como a "maior aceleradora digital do mundo", foram desenvolvidos por equipas em que figuraram sempre jovens estudantes portugueses. O Dinheiro Vivo revela aqui o Top 3 desses projetos e até falou com dois dos seus elementos acerca das ideias que criaram juntamente com as suas equipas. Esta foi a 4ª edição da EIA em Portugal, que terminou no passado dia 23 de julho e cujos projetos estão agora em plena aceleração.

O Protosyn foi uma das ideias eleita pelo júri de mentores, empreendedores, académicos e empresários experientes. "Trata-se de uma plataforma a que poderemos chamar no mundo da engenharia de low code, que permite a diversos utilizadores fazer simulação molecular de uma maneira mais simples do que a regular", explicou Tiago Gil, estudante de Engenharia Informática e Multimédia no Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Posto de uma forma mais simples, é uma espécie de interface de simulações científicas que permite aos cientistas trabalharem sem terem de programar.

E isto é aplicável "a todo o tipo imaginável" de produtos, adiantou o jovem engenheiro. "Tudo o que seja necessário fazer uma mistura molecular, desde produtos corporais, de comida, tudo o que implique alterações moleculares, a plataforma permite-nos simular esses efeitos". Até ao desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas se pode aplicar o Protosyn, explica Tiago Gil

A par do jovem engenheiro, desenvolvendo o Protosyn, estiveram os portugueses Hugo Sales, da Faculdade de Ciências da U.Porto, José Pereira, doutorando em Bioquímica da U.Aveiro, e ainda dois estudantes das canadianas Laurentian University e MacEwan University.

Tiago Gil contou que o Protosyn despertou o interesse do Alchemist Accelerator e está já a receber um "tech boost", como lhe chamou, ou seja, "um acelerador a nível de dinheiro, para levar o projeto para a frente e receber um estímulo de desenvolvimento".

Beatriz Couceiro da Costa, que participou na EIA com Bolsa Santander, integrou a equipa que desenvolveu as Genius Caps. O "objetivo é aliar às nossas bebidas de máquinas encapsuladas, como café, cappuccino, chocolate quente, suplementos que são indicados para vários nichos. No nosso caso, só desenvolvemos um desses nichos, que era para estudantes, as Brain Caps, aditivadas com vitaminas e suplementos dietéticos, para melhorar a memória, o cansaço e também o estado de alerta", explicou a jovem de 22 anos e mestranda em Bioquímica na U.Porto.

A seu lado estiveram Ana Rita Vieira, também da U. Porto, Gabriel Figueiredo, brasileiro, mas aluno do IST, Connie Chen, dos EUA, e Eniko Vaszil, da Áustria.

Na EIA, as Genius Caps ganharam o prémio especial "The Nixon Peabody Trademark Artisan Award" - que inclui uma patente gratuita no valor de 10 mil dólares e registo de marca no valor de 5 mil dólares - e o mentoring com o HAG Group, deRodrigo de Alvarenga.

"Os próximos passos serão precisamente passar por esta mentoria, que nos ajudará a desenvolver a empresa, passar também para a pesquisa científica, que falta aprofundar, para depois vermos se conseguimos ir para a frente com a nossa ideia e com a nossa empresa. Os próximos passos serão, portanto, a aceleração da desenvolvimento da empresa", concluiu Beatriz Couceiro da Costa.

Entre o Top 3 dos vencedores está ainda o projeto Culture Kit, em parte desenvolvido por Filipe Pessoa, da U.Coimbra, e Catarina Ribeiro, do IST. Fora deste Top e não premiados houve ainda o Diagnostic Toys, projeto parcialmente criado por Hugo Jorge, do ISEL, Carolina Capela, do IST, e João Gomes, da U.Porto, e o Wellness Wonders, em cuja criação colaboraram Petra Guimarães, da U.Porto, e Maya Almeida, da U.Açores.

A European Innovation Academy, um inovador programa de empreendedorismo digital que chegou a Portugal em 2017 cofinanciado pelo Santander Universidades, todos os anos suporta a participação de várias dezenas ou mesmo centenas de estudantes neste evento. Este ano, entre os 360 participantes, 190 eram portugueses e 152 destes frequentaram a "academia" com Bolsas Santander Universidades.

Foi o caso de Beatriz Couceiro da Costa, para quem a experiência EIA "foi incrível", porque conseguiu "passar por todas as fases, desde o início da criação da ideia, até ao estudo de mercado, quais os países onde se deve apostar, todas as etapas, e tivemos sempre a ajuda de mentores, o que ajudou imenso"

"Depois há outro lado que eu acho que é muito benéfico neste programa: é o facto de ser uma equipa multidisciplinar, multicultural e isso ajuda-nos a ter uma visão muito maior do que apenas se fossemos só pessoas portuguesas e só pessoas de Bioquímica, como eu. No meu caso, a minha equipa tinha pessoas da Áustria, do Brasil e dos Estados Unidos", contou Betariz Costa.

Já Tiago Gil admite que foi complicado, "tendo em conta a altura do ano em que aconteceu: estava a acabar o curso e já a trabalhar ao mesmo tempo. "Mas ao mesmo tempo permitiu-me ter um melhor time management e também ter uma diferente perspetiva daquilo que é o mundo das startups e do desenvolvimento de produto vindo de uma ideia-base até a um produto final, por isso acabou por ser, apesar de complicado, um grande desenvolvimento pessoal", disse.

Beatriz Couceiro da Costa conta que só descobriu e participou na EIA por causa do Santander Universidades. "Agora que conheço o programa e sei que vale a pena, se calhar teria ido mesmo sem esse apoio, sem dúvida", afirma a jovem bioquímica. Na altura, no entanto, sem o incentivo da bolsa Santander e sem saber o que era a EIA, a jovem admite que talvez não tivesse investido na maior aceleradora digital do mundo.

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