Santander universidades abre as suas bolsas de formação a todos os profissionais

O mecenato do Santander para a Educação sempre promoveu, além da formação, a empregabilidade. Só que agora, a par dos estudantes, o banco quer ajudar os profissionais ativos a manterem os seus empregos ou a ficarem aptos para outros

Digitalização, robotização, necessidade de inovação, aparecimento de novas profissões, alteração das necessidades dos empregadores. Tudo fatores que podem levar um trabalhador a ver-se de repente confrontado com a sua inaptidão ou ver a sua função tornada obsoleta. Para ajudar a evitar isso, a partir deste ano o Santander Universidades decidiu abrir a suas bolsas de formação a todos os profissionais - e não apenas a estudantes - no seu Portal de Bolsas. A par deste auxílio à atualização ou reorientação de carreira, o autointitulado banco da Educação também permite o acesso às suas plataformas de emprego - Universia e respetivo portal do emprego - e do empreendedorismo, o SantanderX.com.

Com parcerias firmadas com 50 universidades e institutos superiores portugueses, o Santander Universidades afirma-se um "uma referência a nível nacional no que respeita à promoção do ensino universitário e politécnico". Mas este braço do banco dedicado ao mecenato na Educação - que em 2020 investiu no setor mais de cinco milhões de euros e este ano prepara-se para fazer o mesmo - mudou um pouco de rumo.

"Tradicionalmente, temos apoiado a Educação através do apoio ao Ensino Superior via as próprias instituições. No entanto, cada vez mais começámos a sentir a necessidade de alargar o âmbito, porque a conjuntura mudou, as necessidades mudaram e nós queremos potenciar uma sociedade mais inclusiva e mais sustentável", explicou Sofia Menezes Frère, diretora-geral do Santander Universidades.

Na mira deste mecenas está agora a formação dos profissionalmente descontentes e daqueles a quem a vida pode vir a passar, ou já passou, uma rasteira. É a ideia da reciclagem ou requalificação profissional, oferecendo uma gama diversificada de cursos e formações financiadas pelo Banco, hoje fundamentalmente online devido à pandemia.

"Desde princípios deste ano, finais do ano passado, alargámos a oferta para novas pessoas, de maneira a que pudessem adquirir novas competências para complementarem a sua profissão: não só estudantes, recém-licenciados, como pessoas que pudessem querer fazer um turn-around na sua vida, eventualmente até desempregados.", disse a responsável.

Para isso, o Santander Universidades conta com a página que tem na internet dedicada às Bolsas Santander. "Temos um portal de bolsas, que no fundo é um portal internacional onde temos espelhadas todas as bolsas, por todos os países, nomeadamente tudo o que é adequado para o mercado português, quer seja para universitários, quer seja para outros targets", refere Sofia Menezes Frère.

Ao longo do ano, haverá uma sucessão de oportunidades de formação, mas neste trimestre, com candidaturas já abertas ou prestes a abrir há três bolsas a merecer destaque. "Uma de idiomas, que é com o British Council e que assegura que os alunos se podem preparar para reuniões, palestras e apresentações profissionais. Temos outra que é mais Tech / Digital, que é com a Ironhack, e esta é muito direcionada para quem procurar novas competências e destina-se a profissionais que estejam no ativo e aos não-ativos", vai enumerando a responsável.

Depois, ainda há a Bolsa de Pós-graduação em parceria com Fundação Carolina, só para estudantes. E vem aí mais uma. "Vamos lançar ainda este trimestre uma bolsa, a que nós chamamos o W50, com a London School of Economics, para mulheres com alguma experiência, à volta dos 10 anos de experiência profissional, para que elas possam potenciar skills de liderança", diz Sofia Menezes Frère.

Pôr as pessoas a aprender de novo

Na nova estratégia do Santander Universidades para 2021 nota-se uma grande vontade de pôr as pessoas a aprender de novo. Quisemos saber porquê. A responsável referiu o atual cenário de grande digitalização, de alteração de comportamentos do consumidor, a enorme necessidade de inovação, que foi alavancado pela pandemia do Covid 19. Por isso, afirma, as necessidades dos empregadores mudaram e assiste-se, por um lado, ao crescimento de novas profissões e, por outro, a uma necessidade de atualização dos profissionais.

"Nós consideramos que a aprendizagem contínua é um elemento fundamental para a readaptação de muita gente. E é nesse aspeto que nós lançámos as bolsas que estamos as denominar como bolsas de reskilling, para impulsionar a aquisição de novos conhecimentos e competências, e, por outro lado, as de upskilling, que visam mais o reforço e a atualização das aptidões dos profissionais", explicou. São estas as tais Tech / Digital atrás referidas ou, mais especificamente, as Bolsas Santander Tech / Digital Reskilling - Ironhack.

"Muito provavelmente, muita gente acabou o curso há muito tempo e desempenha tarefas que, se calhar já estão a ser robotizadas e terá necessidade de fazer novas orientações", continuou Sofia Menezes Frère. E é por isso que o Santander Universidades quer alargar a sua oferta de formação a mais pessoas, nomeadamente "a pessoas mais velhas que já tenham as suas profissões e a sua vida mais organizada".

Há, portanto, aqui uma preocupação com o emprego das pessoas, sejam elas mais ou menos jovens. "Melhorar a empregabilidade é um dos eixos da ação do Santander nas universidades", afirma a diretora-geral. O objetivo do seu programa sempre foi "estimular os jovens a encontrarem a sua vocação e a entrarem no mercado de trabalho através de programas de bolsas e apoio na área do desenvolvimento de competências profissionais", diz Sofia Menes Frère, acrescentando que estas formações complementares que Santander Universidades dá "ajudam, necessariamente, a aumentar a sua [dos jovens] probabilidade de emprego".

Para melhorar a empregabilidade, o Santander Universidades conta a Universia é uma rede internacional de cooperação universitária que liga 800 universidades de 20 países, e o seu portal de emprego, onde estão publicadas inúmeras ofertas de emprego espalhadas pelo mundo inteiro. Só que agora estas oportunidades ficam também disponíveis para quem está a tentar recomeçar a sua carreira.

"Temos também uma parceria com a Design the Future que também ajuda, no fundo, a tentar adequar o perfil de cada pessoa para as várias profissões", diz ainda a responsável, referindo-se à plataforma vocacional que já aqui foi noticiada.

Fomentar o espírito empreendedor

Importante também para o aumento da probabilidade de emprego e reorientação de carreira é empreendedorismo das pessoas. Este, aliás, há muito que é o terceiro pilar do Santander Universidades. E as oportunidades de fomento do espírito empreendedor estão agora também disponíveis para estudantes e pessoas já estabelecidas no mercado de trabalho.

"Nós temos uma plataforma, que é o SantanderX.com, que é maior ecossistema de empreendedorismo universitário de todo o mundo e que faz a ligação entre a vontade de transformar uma ideia de um universitário num negócio e em recursos fundamentais para a sua concretização, quer do ponto de vista do talento, às vezes de clientes e de financiamento", avança Sofia Menezes Frère.

O SantanderX é de livre acesso, pelo que nada impede que os profissionais inovadores beneficiem das valências. "É uma plataforma de registo muito simples, gratuito e que possibilita também uma exposição: portanto, algum networking, a potenciais empreendedores conhecerem-se uns aos outros, acesso a mentores, às vezes há concursos internacionais...", vai enumerando a responsável.

Mas o estímulo ao espírito empreendedor dos jovens também vai continuar. "Uma das ações que nós tentamos promover bastante é, dentro das universidades, vários concursos de empreendedorismo. Nós achamos que gerar oportunidades para a nova geração de empreendedores, e para eles poderem levar as ideias para a frente, é muito positivo", diz Sofia Menezes Frère.

Por isso, a diretora-geral do Santander Universidades espera relançar no início do verão a European Innovation Academy - será a 4ª edição em Portugal, assim o permita a pandemia, na altura. Depois há o concurso Poliempreende, que aprecia inovadores projetos de emprendedorismo de alunos dos politécnicos nacionais e de alguns institutos que se associaram - a final da edição de 2020 ficou num limbo, por causa da Covid-19, mas isso só vai aumentar o entusiasmo da edição de 2021, que vai Juntar na Universidade da Madeira as duas finais.

A Académica Start UC, na universidade de Coimbra, já vai na sua 5ª edição e acaba de arrancar, como já foi noticiado. Durante um ano, os 31 embaixadores nomeados vão promover a inovação e o empreendedorismo junto da comunidade académica e do público que passar pelas iniciativas que forem organizando.

Sendo que estas iniciativas de inovação não ficam aperreadas dentro das fronteiras portuguesas. Ainda há não muito tempo, uma equipa de jovens portugueses venceu, com a sua Stamply Box, o Santander X Tomorrow Challenge, um curso intenacional de empreendedorismo já em era Cocid-19.

"E depois temos uma outra vertente, que é um bocadinho mais social, de outros projetos que também podem ser encarados nesse âmbito", o do empreendedorismo, sublinha a responsável. Refere-se, por exemplo, ao U.Porto-Santander Inspira-te, um programa de formação para projetos com impacto social, feito em parceria com a Universidade do Porto, que terá início em meados de março.

Tem por objetivo incentivar o desenvolvimento de projetos universitários com impacto positivo na comunidade e, para tal, vai proceder à partilha de conceitos, ferramentas, casos práticos e experiências de projetos no terreno. Conta a responsável que este é mais um exemplo de um projeto que começou por ser dirigido ao meio académico, mas que, ao longo da montagem do programa e dado os intervenientes, se considerou que poderia vir a ser interessante também para outras pessoas ligadas ao voluntariado e projetos de impacto social, que não apenas estudantes.

Mas não é por haver uma nova estratégia de alargamento no Santander Universidades que os estudantes serão descurados. "O nosso pilar é as parcerias que temos com cerca de 50 instituições do ensino superior em Portugal e nós queremos continuar a promover [isso], estarmos cada vez mais perto dos alunos, tentarmos adequar a nossa oferta às necessidades, à conjuntura, à evolução dos mercados, à própria maneira de ensinar", explica Sofia Menezes Frère.

"No fundo, estamos a complementar o nosso papel na Educação, sendo mais abrangentes, mas continuando com os nossos parceiros", conclui a diretora-geral do Santander Universidades.

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