Tendência: startups que aliam inovação às preocupações sociais

Empresários que visitaram a EIA surpreendidos com as ideias-base das startups desenvolvidas e com o seu nível de sofisticação

Um dia depois de passarem pela "Feira de Startups" da Academia Europeia de Inovação, a decorrer no Centro de Congressos do Estoril até 2 de agosto, os projetos apresentados deixaram impressões profundas a quem a visitou, nomeadamente nos empresários. A maioria veio à espera de encontrar projetos ligados sobretudo ao desenvolvimento de novas tecnologias, mas descobriu que os jovens de hoje aliam à inovação social uma forte consciência social.

"Surpreendeu-me o tipo de projetos em termos de inovação social", admitiu Jorge Antunes, diretor da Hitachi Consulting para a Europa, Médio Oriente e África (EMEA, na sigla inglesa) e um dos que esta terça-feira, 23 de julho, passaram pela Startup Expo para dar uma vista de olhos ao que este ano se está a criar na EIA 2019.

"Dos projetos com que tive contacto notei que havia muitos com uma consciência social bastante grande. Ou seja, não eram só projetos de tecnologia ou de inovação tecnológica, mas muito na linha da inovação social", afirmou Jorge Antunes. Para este responsável, isto "é muito interessante de ver, porque nós próprios, enquanto Hitachi, também acreditamos que esse é o caminho, e é muito interessante ver isso acontecer junto daquele grupo tão jovem de participantes", concluiu.

Jorge Antunes confessa que não teve muito tempo para explorar verdadeiramente a Startup Expo, mas admite ter visto propostas em que não se importaria de apostar caso fosse investidor. "Os dois projetos que vi em detalhe, sim, esses apoiaria sem dúvida alguma", avançou, explicando porquê. "Era um projeto que fazia a ponte entre as universidades e as empresas, ou seja, tentavam encurtar a distância entre propriedade intelectual que é produzida pelas universidades e as empresas, no sentido de estas empresas utilizarem essa propriedade intelectual."

Já o segundo projeto que chamou a atenção de Jorge Antunes não era relacionado com a transferência de saber, mas com a família. "A outra iniciativa que conheci em muito detalhe foi relacionada com a gestão dos eventos da família. O que eles faziam era uma coisa muito interessante, é quase um family hub que, numa primeira versão muito básica, integrava a agenda de todos os elementos da família, quer em termos de compromissos, deveres, etc. e que tem um potencial enormíssimo de crescimento para outras áreas – de saúde, financeiras e outras."

Também Kateryna Shepeliuk, empreendedora, responsável das empresas de atuação social Gifted English, YouthLine e Funny Money, salienta este fator. "Este ano notei uma nova tendência para haver mais projetos sociais, comparando com o ano passado", disse. "Na edição passada, os projetos eram interessantes, mas muitos deles baseavam-se ou em qualquer coisa relacionada com a Uber ou com a Inteligência Artificial, ou algoritmos de Machine Learning, portanto, as pessoas estavam muito entusiasmadas com estes conceitos".

Kateryna Shepeliuk consegue fazer esta comparação porque tem vindo a acompanhar a Academia de Inovação em Portugal como visitante e, este ano, é mesmo mentora do evento, sendo a Funny Money parceira da EIA 2019. Na terça-feira, no entanto, a responsável passou pela "Feira de Startups" como visitante.

"Ontem, quando tive a oportunidade de visitar a Startup Expo, vi muitas startups com uma orientação social e, como eu sou uma empreendedora social, essa será uma das razões por que atraíram mais a minha atenção", contou. "Estou muito satisfeita por ver a forma como empresas de cariz social e Organizações Não Governamentais estão a atrair a tecnologia", sublinhou.

"Estou contente por ver que estes jovens se apercebem que, em três semanas não podem inovar em termos de tecnologia, mas podem inovar na forma como prestam serviços e como alcançar os stakeholders. Portanto, este ano, há algumas startups que são super-simples mas a solução proposta é de génio e ao mesmo tempo simples", concluiu Kateryna Shepeliuk.

Projetos de elevado nível

Para Rogério Meireles, CEO da aceleradora Market Connectors, empresa do grupo Vigil, a surpresa foi o grau de sofisticação das startups apresentadas. "Foi muito interessante observar o elevado nível médio dos projetos", disse o empresário. "Apesar de haver pontualmente alguns que são, na prática, cópias de soluções já no mercado, verifiquei que na sua maioria apresentam inovações ao nível do modelo de negócio e, até mesmo, implementação de inovações tecnológicas ainda não presentes no mercado".

E a exiguidade de tempo em que os jovens empreendedores da EIA 2019 conseguiram concretizar as suas propostas de startup também merece reparo. "Dado o tempo muito reduzido que as equipas tiveram até agora, que se traduziu em seis dias úteis de trabalho efetivo, e considerando que partiram literalmente do zero, sem sequer terem um ideia concreta ou projeto, é admirável!!", sublinhou Rogério Meireles. "Deixa no ar a questão do que seriam capazes caso lhes fosse dado mais tempo", concluiu.

Uma interrogação apelativa para quem é CEO de uma empresa que tem por "objetivo ajudar startups na geração de leads de forma estruturada, tanto usando o próprio network em vários países como também no approach digital ao mercado". Ou seja, um empresa que gosta de descobrir talentos do mundo de negócios e apostar neles, ajudando-os a avançar.

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