Universidade da Beira Interior aposta forte nos doutoramentos com mecenato Santander

Responsável afirma que, na UBI, o entendimento é que a boa investigação depende da qualidade dos estudos doutorais

Bolsas de Incentivo ao Doutoramento ou desafios para defesa de teses com "3 minutos e 1 slide" são apenas dois dos métodos usados pela Universidade da Beira Interior (UBI), na Covilhã, com o apoio do mecenato Santander, para aliciar o interesse pelos doutoramentos e projetos de investigação que estes permitem desenvolver e captar alunos e investigadores de qualidade. Com o ano prestes a acabar e as últimas iniciativas já em curso, responsáveis da UBI contam o que é possível fazer, em ano de pandemia, com a ajuda de parceiros como o Santander Universidades.

Ainda não foi há muito tempo - pouco mais de duas semanas - que Daniela Ferreira, doutoranda em Engenharia Aeronáutica na UBI, subiu ao palco do auditório universitário para receber das mãos de uma responsável do Santander um prémio, com o valor pecuniário de 300 euros, por ter sido a melhor a defender a sua tese em apenas três minutos e só com um slide (veja a notícia aqui). E, dentro de algum tempo, uma vez terminadas as candidaturas e havendo uma decisão do Júri, serão atribuídas 21 Bolsas de Incentivo ao Doutoramento. Bolsas estas que, na prática, se traduzem por investimento na investigação da UBI.

"Na perspetiva deste reitor, o professor António Fidalgo, a investigação nas universidades depende muito da qualidade dos estudos doutorais", explicou Joaquim Paulo Serra, presidente do Instituto Coordenador da Investigação (ICI), da Universidade da Beira Interior. Daí ter sido canalizada uma parte do mecenato Santander para o "apoio à investigação a nível dos doutoramentos", explicou.

Diz o responsável que, com estas e outras bolsas e iniciativas de apoio aos doutoramentos, o peso do mecenato Santander no orçamento de investigação da UBI "tem sido de cerca de 200 mil euros por ano".

"Em termos de mecenas particulares", sublinha Joaquim Paulo Serra, "o nosso grande mecenas é o Banco Santander Totta e tem feito um trabalho de grande relevo no apoio a estas atividades da UBI".

Conta Joaquim Paulo Serra, que as verbas do Santander que são geridas pelo ICI destinam-se a três grandes finalidades. Além de serem aplicadas nas Bolsas de Incentivo ao Doutoramento, destinadas a alunos matriculados no 1º ano - e que têm por objetivo captar estudantes nacionais e estrangeiros para irem estudar na UBI -, aquelas verbas são também usadas na chamada "formação transversal" e no financiamento de prémios e participações dos estudantes em eventos, congressos, ou outros, como o já referido concurso da UBI "3 Minutos, 1 Slide...1 Tese."

A formação transversal, que o presidente do ICI refere carece talvez de melhor explicação. São ações que visam dotar os estudantes de doutoramento de soft skills fundamentais, disse. Exemplo disso, aponta o professor Joaquim Paulo Serra, são as ações de apresentação de trabalhos orais em inglês, porque "os estudantes de doutoramento são treinados a escrever e a ler inglês, não são treinados a fazer apresentações públicas em inglês".

Voltando atrás, aos ""3 Minutos, 1 Slide...1 Tese", sublinha o presidente do ICI: "Esse concurso, que se realizou no dia 25 de novembro, teve uma adesão bastante grande - houve 30 concorrentes. E ele permite mostrar à generalidade dos estudantes de doutoramento e à universidade o trabalho de investigação que se vai fazendo nos diversos doutoramentos. Portanto, é fundamental, como partilha de conhecimento e de experiências, e, por isso, valorizamos muito esse tipo de concursos."

Sendo que o que está em causa, na aplicaçao destes fundos, não é alcançar apenas conhecimentos teóricos. Em plena pandemia de Covid-19, o presidente do ICI enalteceu os resultados práticos que o apoio Santander à investigação, através dos doutoramentos, pode ter. "Por exemplo, ainda agora estamos a apoiar uma investigação na área de uma vacina alternativa também para a pandemia. Ainda não conduziu a resultados, mas esperemos que conduza brevemente", afirmou.

Mas não é só na investigação feita em sede de doutoramentos que o mecenato Santander deixa marca. "Eu diria que temos três vertentes em que é utilizado o dinheiro do mecenato", afirma João Canavilhas, vice-reitor da UBI para o Ensino, a Internacionalização e as Saídas Profissionais.

De seguida, concretiza: "Uma é especificamente para investigação, outra parte é, em concreto, para o ensino e a melhoria das condições de ensino e há uma terceira, que este ano foi reforçada devido à pandemia, que tem a ver com a oferta de condições económicas para que alunos com dificuldades possam prosseguir os estudos".

O vice-reitor frisa a importância do mecenato para as universidades e, em concreto, o do Santander, dizendo que, "sobretudo, este ano, notou-se muito a importância desse apoio". A título de exemplo, refere que "as verbas este ano especificamente aplicadas no combate à pandemia, rondaram os 110 mil euros". Dinheiro esse que tanto serviu para investir em equipamento de ensino à distância, como para apoiar medidas como a produção de viseiras e a realização de testes pandémicos, participando na iniciativa local CoviDrive.

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