Universidade da Madeira é líder na arte de manipular átomos e moléculas

Com projetos de investigação inéditos e mestrados em Nanoquímica e Nanomateriais, a Cátedra em Nanotecnologias da UMa atrai alunos de todo o mundo

Nasceu de um desafio lançado ao Santander Totta pela Universidade da Madeira (UMa) e é a única cátedra em nanotecnologia do país. Hoje este "curso" da UMa é já reconhecido no mundo inteiro pelos seus projetos de investigação, pelos materiais que desenvolve e trabalhos que publica e pelos seus mestrados em Nanoquímica e Nanomateriais, que garantem um elevado grau de emprego e atraem estudantes e investigadores de todas as nacionalidades. Para saber mais sobre este caso de sucesso académico, o Dinheiro Vivo foi falar com o professor João Rodrigues, coordenador científico do Centro de Química da Madeira, departamento da UMa onde é desenvolvida a cátedra de nanotecnologia.

É a tecnologia da manipulação de átomos e moléculas. Ou seja, a nanotecnologia é a engenharia das coisas extremamente pequenas que consegue criar novos materiais, máquinas e equipamentos à escala de nanómetros - uma unidade de medida que equivale a um bilionésimo de metro, cerca de 100 mil vezes mais pequeno do que a espessura de um cabelo.

Segundo João Rodrigues (na foto), a nanotecnologia foi uma área em que a Universidade da Madeira investiu praticamente logo desde o início deste século XXI. Ainda antes da existência da Cátedra em Nanotecnologia, "já o Centro de Química da Madeira (CQM) tinha lançado, em 2005, um programa de investigação e ensino na área das nanotecnologias e nanomateriais", contou o responsável. Um passo que levou a UMa, quatro anos mais tarde, ao delinear o seu plano de desenvolvimento para 2010-2013, "a consagrar como estratégica a área das nanotecnologias, delegando no CQM a responsabilidade pelo seu desenvolvimento".

Para isso, UMa e CQM contaram com o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), apoio que, por si só, não era suficiente. Por isso, "a Universidade da Madeira decidiu lançar ao Santander Totta o desafio de não só apoiar a única Cátedra em Nanotecnologias do país, como a fazê-lo numa área que não era o core business da empresa" e o banco aceitou, recorda João Rodrigues.

Após um complexo e exigente concurso internacional, o catedrático convidado para a Cátedra em Nanotecnologias da UMa foi o "professor Xiangyang Shi, investigador na Universidade de Donghua, de Xangai, na China, e que tinha já integrado, entre 2002 e 2008, o Michigan Nanotechnology Institute for Medicine and Biological Sciences, na Universidade de Michigan, EUA".

Com uma duração prevista de cinco anos, findo o projeto terminou também o apoio da FTC. E foi aí que, face aos resultados obtidos, o Santander apostou mais fortemente nesta cátedra, o que permitiu "à UMa e ao CQM continuar a contar com o professor Xiangyang Shi nos seus quadros de ensino e de investigação".

"A parceria com o Santander permitiu, nomeadamente a partir de 2010, a consolidação da área e a criação, em 2012, de um mestrado em Nanoquímica e Nanomateriais, todo lecionado em inglês, com elevado grau de empregabilidade e que tem atraído maioritariamente alunos internacionais", afirmou João Rodrigues. Mas, mais importante ainda, disse o académico, "foi o facto de a Universidade da Madeira e o Centro de Química da Madeira terem aumentado significativamente a sua visibilidade nacional e internacional e o grau de internacionalização da sua investigação".

Para João Rodrigues, o apoio financeiro conferido à Cátedra permitiu não apenas suportar o seu funcionamento e a aquisição de um pacote de equipamentos especializados e vitais, como criou condições para fixar na Região Autónoma da Madeira um professor catedrático com reconhecimento internacional na área, o que conferiu ao CQM "as condições adequadas para atrair mais e melhores alunos e investigadores".

Assim, segundo o coordenador do CQM, obteve-se "a consolidação de um grupo internacional que trabalha na área da investigação e desenvolvimento de nanomateriais para aplicações na área biomédica e da optoeletrónica. E, deste trabalho, resultou já a publicação de mais de uma centena de artigos em jornais com alto fator de impacto".

Salientando a mais-valia que parcerias como a que une UMa e Santander Totta trazem a ambas as partes, João Rodrigues afirmou: "O envolvimento do Banco neste projeto despertou a atenção nacional e internacional sobre a Universidade da Madeira, o CQM e a própria Região Autónoma da Madeira, atraindo igualmente outras empresas e potenciando a aprovação de projetos de investigação e desenvolvimento, num valor no mínimo de três a quatro vezes superior ao investimento realizado pelo Banco".

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