U.Porto "está a formar cidadãos para o mundo". Curso de formação de voluntários já aceita inscrições

Programa U.Porto Santander Inspira-te pretende ensinar como bem gerir causas sociais. Candidaturas terminam a 15 de março no Portal de Bolsas Santander

Agora, quem quiser criar projetos solidários e voluntariamente dedicar-se a ajudar o próximo já não precisa fazê-lo às cegas. A Universidade do Porto e o Santander Universidades uniram-se para criar uma programa de formação que ensina todos os passos básicos - desde a burocracia inicial da fundação, até ao seu financiamento e gestão - para lançar um projeto de ação social com sucesso. A 1ª edição do U.Porto Santander Inspira-te começa já no final do próximo mês e tem inscrições abertas até 15 de março no Portal de Bolsas Santander. Na U.Porto, os voluntários são aos milhares e a coordenadora da Área do Voluntariado diz que a sua universidade "está a formar cidadãos para o futuro".

É uma formação feita "com o objetivo de apoiar e inspirar ao desenvolvimento de projetos conjuntos com impacto positivo na comunidade, reforçando o incentivo ao espírito de cidadania." É assim que Maria Clara Martins, coordenadora da Área de Voluntariado do Universidade do Porto, define o programa U.Porto Santander Inspira-te. "Enfim, [surge] com o objetivo de proporcionar o desenvolvimento de projetos com impacto social a quem fizer a formação", reforça a responsável de seguida.

Com efeito, ao longo de várias semanas, os participantes irão explorar temas como a inovação social, as diferentes ferramentas de gestão de projetos com impacto social, diversos modelos de financiamento e o retrato do setor social em Portugal. E tudo isto será transmitido através da partilha de conceitos, ferramentas, casos práticos e experiências de projetos no terreno, por parte de diversos oradores especialistas nas diferentes áreas.

"É uma formação online, de 12 horas, dinamizada através de uma plataforma educativa da Universidade do Porto e que irá contar com a participação de diferentes interlocutores", sumariza Maria Clara Martins. E, sublinha a coordenadora, é sobretudo, gratuita e limitada: estão previstas apenas 250 vagas.

A ideia do projeto surgiu no final do ano passado e foi apresentada em dezembro, na cerimónia realizada no dia 4 desse mês, na véspera do Dia Internacional do Voluntariado, para assinalar esta efeméride. Na altura, o projeto era uma criação de universitários, para universitários. Mas de lá para cá foi aberto o acesso a qualquer pessoa ou profissional interessado.

"Nós pensámos alargar um pouco mais, no fundo despertar o interesse de outros cidadãos que possam ter curiosidade por esta área, que pretendam fazer um pouco mais e que, eventualmente, de outra forma não teriam oportunidade de fazer uma formação dessas", explicou Maria Clara Martins.

Ao ritmo e conveniência de cada um

O curso terá um modelo misto, composto por módulos síncrono e assíncronos. Neste último caso, os alunos poderão assistir aos vídeos da formação ao seu ritmo e dentro do horário que lhes for mais conveniente. Os vídeos terão por conteúdo a apresentação de conceitos teóricos e entrevistas a empreendedores e entidades no terreno.

Depois haverá as Masterclasses síncronas, que irão proporcionar a oportunidade de ouvir ao vivo palestras, entrevistas e debates e fazer perguntas em direto aos convidados.

No final, os alunos poderão opcionalmente inscrever-se em workshops com uma abordagem muito prática, impulsionando assim a sua capacidade de transformação. Estas "oficinas práticas" ajudarão aqueles que estão mesmo decididos a dedicar-se de imediato à solidariedade social a descobrirem qual é a sua causa social, aquela que de facto vai ao encontro dos seus valores pessoais.

Ou então, para quem já sabe de que modo quer intervir positivamente na sociedade e no mundo, ajudá-lo a responder à pergunta "Como posso ser a solução para o problema social que sonho mudar?" e descobrir quais são os recursos e apoios ao seu dispor.

Parceria lógica

O envolvimento da U.Porto com o Santander, o mecenas das universidades, neste projeto faz todo o sentido. Afinal, esta universidade nortenha é das instituições do Ensino Superior (IES) portuguesas mais ativas no setor do voluntariado e nas ações de apoio social. Chegou até a ser premiada por isso e em vários anos consecutivos arrecadou o Prémio de Voluntariado Universitário Santander: IES +Voluntária, devido às dezenas de projetos candidatos em cada edição.

Maria Clara Martins garante que os números todos os anos variam, porque varia também a quantidade de projetos solidários da U.Porto no terreno e de estudantes envolvidos, mas os primeiros são sempre às dezenas e, os últimos, aos milhares. Neste momento, aliás, conta a coordenadora da Área do Voluntariado, está a ser feito um levantamento destas atividades para se ter dados mais concretos.

"Não tendo ainda o levantamento completo, já conseguimos ter a noção de cerca de 2.000 voluntários envolvidos nos vários projetos que são reconhecidos pela universidade, o que quer dizer que iremos ter um número um bocadinho superior", avança Maria Clara Martins. "Relativamente aos grupos que promovem estes projetos, [este ano] andarão à volta dos 20, 20 e poucos - entre grupos e associações de voluntariado", conclui.

Já quanto à quantidade de pessoas que todos os anos sentem o impacto do auxílio dos voluntários da U.Porto, diz Maria Clara Martins: "É impossível fazer essa contabilização, por uma razão simples: porque estes grupos, estas associações de voluntariado, a maior parte delas, senão praticamente todas, dão apoio não só dentro da universidade, como fora dela".

No entanto, os beneficiados serão seguramente muitos milhares: sendo mais de 2.000 os voluntários da U.Porto registados, tendo em conta que cada um deles presta auxílio decerto a mais de uma pessoa, é fácil calcular que universo de pessoas impactadas pelo voluntariado da U.Porto estará bem acima das 4.000.

"Uma sementinha que se coloca"

A U.Porto, "enquanto universidade, está ciente de que o voluntariado é um fator que favorece a mudança, uma mudança positiva no ecossistema em que está integrada", diz a coordenadora desta área. Uma cultura que a instituição consegue, em parte, incutir nos seus alunos e que atrai tantos de entre eles a envolver-se em ações de voluntariado. "É uma sementinha que se coloca e acaba por proliferar por si só", descreve Maria Clara Martins..

Para a responsável, Em causa, na atuação destes jovens, está verdadeiro altruismo e valores de cidadania ativa. "Eu acredito que, acima de tudo, [está] a satisfação pessoal - que o enriquecimento pessoal esteja acima de tudo o que [os estudantes voluntários] possam querer ganhar", afirma a responsável

Depois, "do lado da universidade, há o reconhecimento pelo trabalho voluntário que eles fazem, através do suplemento ao diploma", explica a responsável. Isto é, o trabalho que os voluntários desenvolvem em programas reconhecidos pela Comissão de Voluntariado da U.Porto é reconhecido no suplemento ao diploma de cada estudante. Um reconhecimento que, "no fundo, acaba por ser importante depois no seu currículo, um dia, no mercado de trabalho", conclui Maria Clara Martins.

Mas por que razão se empenha tanto a U.Porto no incentivo ao voluntariado?

Maria Clara Martins diz que é algo que está "associada à relevância crescente da educação não-formal na formação e no desenvolvimento dos jovens universitários". "Enquanto membros da universidade, pretendemos o aprofundamento de uma rede solidária ampla e enraizada na comunidade académica que seja comprometida com o que o rodeia e, na qual, cada um assuma uma participação ativa em prol do bem comum e tenta fomentar estes valores nos estudantes e na sua comunidade", explica.

Por outras palavras, a Universidade do Porto está apostada em desenvolver cidadãos exemplares e completos: tecnicamente competentes e solidariamente ativos. "Está a formar cidadãos para o mundo - e cidadãos com valores, com princípios. Portanto, há um apelo à atuação de pessoas e instituições condizente com estes valores, com estes princípios, finalidades. Para nós é muito importante o desenvolvimento destes valores nos estudantes", conclui Maria Clara Martins.

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