Desafio Do Well Do Good chega ao fim com balanço "extremamente positivo"

Das cinco equipas que disputaram a final saiu vencedora a Biothentic, que propõe uma assembleia de jovens e uma plataforma digital para votação das ações a propor à CMPorto. Organizadores já falam numa 2ª edição.

Chegou ao fim esta quinta-feira, 1 de abril, a 1ª edição do Do Well Do Good Challenge, um desafio criado pela organização estudantil Share-UP, ligada à Universidade do Porto, para encontrar soluções que melhorem a cidade Invicta. Na final, decorrida online, cinco equipas disputaram o prémio - verem a sua solução posta em prática com o apoio dos parceiros do evento -, mas foi a Biothentic quem saiu vencedora. Daniel Vasconcelos Cardoso, membro da Share-UP e um dos coorganizadores do evento, faz um balanço "extremamente positivo" do desafio.

27 inscrições, 97 candidatos, 15 equipas finalistas, 8 dias de duração, 5 workshops, 15 mentores, 36 horas de maratona. São estes os números a que conduzem o balanço do Do Well Do Good Challenge. O tal que o jovem seu co-organizador classifica tão positivamente.

"Numa 1ª edição, conseguimos chegar a mais de 100 jovens, conseguimos chegar a mais de 10 empresas, conseguimos que instituições que são cruciais para a cidade, como a Câmara Municipal do Porto, a Universidade, o Departamento de Inovação da universidade, as instituições mais avançadas do Porto se associassem à nossa causa, à causa de melhorar a vida dos jovens da cidade, acho que isso foi uma colaboração muito positiva", disse Daniel Vasconcelos Cardoso, estudante do 3º ano de Direito na Universidade do Porto e membro da Share-UP entidade organizadora do Do Well Do Good Challenge..

Para o jovem empreendedor, ser esta a primeira vez em que o Do Well Do Good Challenge chega às ruas, ainda para mais pela mão de uma organização estudantil, e conseguir logo os apoios institucionais e financiamento que conseguiu, é motivo de orgulho. "De certeza que, no próximo ano, ainda faremos melhor", garantiu Daniel Cardoso.

A iniciativa, apoiada pela Porto Business School, a CM Porto e o Santander Universidades, teve por objetivo resolver um "caso de estudo" proposto pela edilidade. No caso, saber como mobilizar os jovens para que sejam mais participativos nas iniciativas promovidas pela CM Porto para a juventude, de modo a que se encontre uma "solução sustentada para paz, justiça e instituições eficazes", divulgou a própria organização.

No fundo, o que se pretendeu foi comprometer os jovens da Invicta com a concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável promovidos pela ONU, "passando sempre a mensagem de que é possível 'Do Well for ourselves while Doing Good for others'" ['Fazer bem a nós próprios, praticando o bem para os outros'], como dizem os organizadores.

"Em relação à final, acho que foi um orgulho nós passarmos de quase 100 estudantes mobilizados para um tema especial, e cujo impacto era melhorar a vida de todos os jovens, para apenas cinco equipas, mais ou menos 25 finalistas, para conseguirem alcançar o objetivo esperado", disse Daniel Vasconcelos Cardoso. "A equipa da Share-UP está toda de parabéns pelo seu esforço. Todos os membros foram incansáveis", concluiu.

A opção do júri pela Biothentic - que, com a solução Cidadania 5.0, propõe a criação de uma assembleia de pessoas dos 16 aos 30 anos que leve temas e ações do seu interesse à votação de todos os jovens do Porto numa plataforma digital, para depois os apresentar à Câmara - também pareceu ao jovem empreendedor uma excelente escolha.

"Enquanto jovem, adorava ter aquelas medidas aplicadas na cidade do Porto", avançou Daniel Cardoso. "O facto de me passarem a mim a tomada de decisão por aquilo que será o meu futuro, acho que é essencial. E a praticabilidade com que a solução da equipa Biothentic conseguiu fazer isso, acho que foi essencial para a escolha do júri. E estou muito orgulhoso de ver equipas a conseguirem fazer um trabalho tão bom", concluiu.

Das 15 equipas selecionadas, só cinco foram à final e a vencedora foi anunciada durante a cerimónia de encerramento, ao final da tarde de quinta-feira, 1 de abril. Para chegarem até aqui, houve uma maratona de 36 horas, com formações, networking, acompanhamento por mentores e a resolução de um caso de estudo.

"Eu estou muito surpreendido com as equipas", disse Daniel Vasconcelos Cardoso. "Tivemos mais de 100 estudantes envolvidos no desafio e, desses, ficaram apenas 57. Na primeira semana de treinos, sobretudo por ser em altura de aulas, estávamos a contar com uma média de espetadores nos trainings de apenas 15, 20 pessoas - até porque nós tínhamos feito uma restrição, em que apenas um dos membros da equipa podia estar presente -, e tivemos uma taxa de comparência de quase 90% ou 95% de todos os participantes", contou.

Na opinião do jovem responsável, "isso está a refletir-se muito nas respostas que eles estão a desenvolver, até porque os mentores também os estão a ajudar imenso e toda a gente envolvida. Ontem, eram quase três da manhã e ainda havia equipas a comunicar com os mentores e a desenvolver os trabalhos e a preparar os Powerpoints".

Os vencedores arrecadarão um prémio com um valor monetário de 750 euros e passarão dois meses a desenvolver a solução que preconizam num gabinete da CM Porto, com o apoio da própria câmara e da Porto Business School.

Já o apoio do Santander Universidades à iniciativa, no valor de 600 euros, é retirado de um pacote que dedica, em média, 100 mil euros a projetos idênticos da comunidade académica da Universidade do Porto. Diz esta instituição que, só no ano passado, foram apoiados 109 projetos e iniciativas no âmbito desta solicitação.

Uma ideia a três que passou a todos

O desafio Do Well Do Good foi uma ideia que ocorreu a Daniel Vasconcelos Cardoso, juntamente com dois amigos, Guilherme Guimãres, estudante de Economia , e Diogo Valente, a tirar Gestão Industrial, todos membros da Share-UP. Mas aquela que começou por ser uma ideia a três, depressa foi adotada por toda a Share-UP. Ou não fosse inspirada no lema da própria organização estudantil.

"O Do Well Do Good é uma competição de um caso de estudo que tem como objetivo mobilizar os estudantes da Universidade do Porto a melhorar a sua cidade. Rege-se pelo lema da Share-UP, que é o do well do good e nós queremos motivar os estudantes a terem um impacto na sua cidade, mas, ao mesmo tempo, a beneficiar-se a eles mesmos, dando credibilidade e tentando uma acreditação para o evento, que tem um prémio apelativo", explicou Daniel Cardoso.

Nas palavras do jovem empreendedor, "a Share-UP é uma organização estudantil, sem fins lucrativos, que se rege por um lema muito simples, que é o Do Well and Do Good. Isto, simplificado, significa que nós somos capazes de fazer o bem por nós próprios, enquanto influenciamos uma comunidade e melhoramos essa mesma comunidade".

Daniel conta que se envolveu com a Share-UP, a convite de um amigo, quando tinha 19 anos. Hoje com 21, Daniel Cardoso já pode listar no seu "palmarés" a coorganização da "maior competição virtual universitária" da época na Invicta, como a classifica a organização.

O jovem empreendedor sublinha que o tema do desafio é "como capacitar os jovens e como envolver os jovens a cocriar o seu próprio destino" e que "todo o caso de estudo é fornecido com dados da Câmara Municipal do Porto para o efeito".

O Challenge começou no dia 23 e foi concebido com quatro fases. "Teve uma primeira fase de trainings, onde nós queremos garantir que qualquer estudante da Universidade do Porto poderia resolver e ter impacto neste desafio. Para isso, tentámos garantir que um estudante de Direito, de Nutrição ou de Medicina iria ter acesso aos mesmos tipos de workshops e formações para poder resolver o caso e ter a mesma preparação para ele", relatou o responsável.

A segunda fase, é então a maratona de mais de dois dias para resolução do caso prático, que começou a 29 de março e termina amanhã, 1 de abril. Segue-se a terceira fase, que é a final, no mesmo dia 1 de abril, com o pitching dos cinco finalistas, seguido do anúncio do vencedor e cerimónia de encerramento. Por fim, há a quarta fase, a de implementação do projeto.

O "bichinho" do empreendedorismo

A queda de Daniel Vasconcelos Cardoso para o empreendedorismo não é de hoje. Logo nos seus primeiros anos de estudante já tinha planos de criar uma empresa com uns amigos. e o "bichinho" do empreendedorismo ainda ficou mais forte com a sua participação e vitória na European Innovation Academy (EIA), a maior aceleradora de negócios digitais da Europa e um evento de empreendedorismo que veio para Portugal com o apoio do Santander Universidades.

Com apenas 19 anos, e graças a uma Bolsa Santander, Daniel Cardoso foi um dos 500 participantes de todo o mundo a integrar a EIA 2019, a última realizada em Portugal devido à pandemia.

Aí, o jovem português e a sua equipa de mais quatro elementos, conceberam o GroupPay, uma solução de pagamentos em grupo que permite criar um cartão virtual que pode ser carregado com dinheiro de várias pessoas para proceder, no final, a pagamentos de uma só vez (de um jantar, por exemplo, ou de um presente coletivo), sem haver recolhas de montantes individuais e necessidade de trocos entre os participantes - ou sem obrigar às reiteradas cobranças junto daqueles que se "esquecem" de pagar a sua parte. O GroupPay foi um dos vencedores na final da EIA 2019, no Estoril.

"Claro que [a EIA] me permitiu ter uma visão de que nós somos capazes de muito mais do que aquilo em que acreditamos", disse Daniel Vasconcleos Cardoso. "Na European Innovation Academy tive a oportunidade de trabalhar com pessoas com mais 5 ou 10 anos do que eu, que já trabalhavam, que já tinham empresas, que já tinham levantado séries de investimento. E eu percebi: quando estou a falar com eles, não sou diferente deles, ou seja, é só uma questão de trabalho e querer".

E é isso que tem feito desde então, afirma o jovem. "Agora, sempre que me aparece um desafio, o meu pensamento é sempre 'Porque não?' Desde que eu tenha uma equipa boa para isso, tudo é possível. E o Do Good Challenge nasceu assim", contou.

Daniel Cardoso admite que a vontade de ser empreendedor ainda lhe ficou mais arreigada com a EIA. "Até porque o empreendedorismo é uma forma de nós resolvermos problemas. Ou seja, [aquilo com] que eu fiquei mais da Innovation Academy é que, quando eu tenho um problema à minha frente, em vez de me queixar, tenho de procurar uma solução e procurar uma equipa que me ajude a resolver aquele problema", rematou.

(Notícia atualizada no dia 1 de abril, com as reações aos vencedores).

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