Zelar@CB acompanha idosos isolados e vence Prémio Santander Uni.Covid-19

O projeto concebido no Politécnico de Castelo Branco para a época de confinamento arrebatou a vitória entre 336 candidatos

A ideia foi criar uma forma de acompanhar os idosos isolados em espaços rurais, sobretudo em tempos de confinamento, que obrigam a ausências ainda maiores dos seus familiares ou cuidadores. Para isso nada melhor do que aplicar as novas tecnologias e o know-how universitário na procura de soluções para as imposições da Covid-19. A inspiração foi do professor Rogério Dionísio, que ensina Tecnologia na área das Telecomunicações no Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB): com a ajuda de três alunos voluntários, a equipa criou o Zelar@CB, um projeto que venceu os 335 outros candidatos ao Prémio Santander Uni.Covid-19, lançado para encontrar soluções para a emergência criada pela pandemia.

“A ideia partiu de um problema pessoal: durante o período de confinamento, não pude contactar a minha mãe durante algum tempo”, avançou Rogério Dionísio. A mãe, contou, vive sozinha, no campo, a cerca de 50 km dele. Se algo lhe acontecesse, o professor Dionísio não teria como saber.

A solução foi criar um dispositivo que monitoriza indicadores relacionados com as atividades diárias dos idosos e lança um alerta caso detete alguma alteração relevante ou acidente. “O Zelar funciona da seguinte maneira: a pessoa idosa transporta com ela uma pulseira ou um dispositivo num bolso e esse aparelho tem uma bateria e a capacidade de comunicar a informação, por exemplo, de uma queda”, explicou Rogério Dionísio.

Esta é a vertente wearable do Zelar, isto é, em que o aparelho se “usa” no corpo, como os relógios hoje tão utilizados por quem pratica exercício físico. Mas o Zelar tem também uma vertente de monitorização de consumos, que se baseia na tecnologia IoT (Internet of Things), em que os aparelhos eletrónicos que existem em casa têm capacidade de comunicar entre si e depois, através da internet, com dispositivos móveis e telemóvel, como avançou o professor. “Aqui tentamos usar a inteligência artificial para, com base nos consumos habituais que o idoso realiza – e os algoritmos conseguem ver padrões de consumo – detetar alterações” nas utilizações de eletricidade, água ou gás. É o que acontece, por exemplo, se as luzes não forem acendidas à noite ou se a televisão permanecer ligada fora de horas e por muito tempo.

Só no distrito de Castelo Branco, diz Rogério Dionísio, há cerca de 2.000 pessoas idosas a viverem isoladas, pelo que o Zelar poderá ser a resposta ideal para muitas situações prementes da região.

Foi precisamente pelo mérito da sua aplicação prática que o Zelar@CB se sagrou grande vencedor do Prémio Santander Uni-Covid-19, de entre 335 outros projetos candidatos de instituições de ensino superior portuguesas para combaterem as contingências impostas pela Covid-19. O galardão valeu à equipa do IPCB um valo pecuniário de 5.000 euros.

“E essa verba obviamente que vai ser muito importante para podermos implementar o sistema não só num teste piloto, mas também utilizando equipamentos mais robustos” – afinal, a estação-base com a qual os dispositivos vão “falar” vai ficar instalada no exterior e sujeita a intempéries – “e vai-nos ainda permitir replicar o sistema noutros locais do distrito”, disse Rogério Dionísio.

Ao todo, Prémio Santander Uni.Covid-19 distinguiu 14 ideias ou iniciativas, que receberam, globalmente, apoio financeiro no valor de 30 mil euros.

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