"A transição digital é mais do que um projeto one-shot"

Para migrar do analógico para o digital, não basta encher as empresas portuguesas de tecnologia. Há que capacitar os empresários, mas também repensar modelos.

Que a pandemia incutiu uma forte aceleração na transição digital das pequenas e médias empresas (PME) portuguesas não é novidade. O que é notícia, e ficou a saber-se na manhã de quinta-feira, durante o segundo debate dos Think Talks Microsoft, emitido no site dedicado do Dinheiro Vivo, é que essa transição foi feita sem sustentação: "À portuguesa, houve um desenrascanso", disse Estela Bastos, CEO e cofundadora da Visual Thinking e um dos membros do painel de especialistas convidados.

A seu lado estiveram Maria Miguel Malhão, diretora do Segmento de PME na Microsoft Portugal, e Alexandre Meireles, presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE). Foi também Estela Bastos quem defendeu que não é possível operar a transformação digital de uma só assentada.

"Quando falamos de transformação digital, isto é muito mais do que um projeto one-shot, como agora se ouve falar, em que vai haver programas que vão fazer transitar as empresas do ponto zero para o ponto B de maturidade digital supra", afirmou Estela Bastos. "Isto não funciona assim. Há aqui um grande trabalho de capacitação dos empresários", avisou.

Daí que a capacitação dos empresários seja o passo mais importante a dar, ensiná-los a lidar com a tecnologia e a tirar partido dela, disse Maria Miguel Malhão, da Microsoft. Porque, como concorda a responsável, não é só abrir um site, com um endereço www, é "toda uma transformação do modelo de negócio" e "o tecido empresarial português não estava preparado".

Mas, como conta Alexandre Meireles, que enquanto presidente da ANJE acompanha muito os empresários a nível local, é muito complicado convencer as gerações de empresários mais antigas a mudar. "Temos de explicar por A mais B que vai ter mais-valias, "O que está a fazer não está bem, faça assim", o que é complicado", disse.

"Depois temos de ajudar na implementação", continua o responsável. "Eles compram o programa, vão implementar, mas não conseguem tirar a otimização do programa que compraram. Tanto empresários, como gestores de primeira linha não conseguem entender o benefício e estamos a tentar colmatar essa falta", diz, referindo-se à atuação da ANJE.

Para isso, a associação conta com a cooperação das câmaras municipais, entidades locais em quem os empresários mais tradicionais ainda confiam, e a quem se associa jogando a cartada da proximidade. Além disso, "optamos por trabalhar com as câmaras municipais, porque conhecem o tecido mais local e a necessidade das empresas", diz Alexandre Meireles.

Maria Miguel Malhão, responsável pelo segmento de PME da Microsoft, é de opinião que tal não é fácil, mas não é impossível.

Como? Assista ao vídeo ou, se preferir o cheirinho do papel acabado de imprimir, não perca a edição desta semana do Dinheiro Vivo, sábado nas bancas, juntamente com o Diário de Notícias e com o Jornal de Notícias.

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