Como serão os Data Centers do futuro?

Num artigo de opinião, Victor Moure, Country Manager Portugal da Schneider Electric, analisa as melhores práticas na instalação destas infraestruturas, com popularidade crescente em Portugal.

A transformação digital está em pleno auge e os Data Centers estão no centro desta mudança. Claramente, a procura é maior do que nunca: a IDC prevê que, até 2025, a geração de dados globais vá quintuplicar. Por outro lado, e segundo um estudo da Savills, Portugal está muito bem posicionado para se tornar num dos principais polos da Europa para a instalação de infraestruturas de Data Centers.

Atualmente, estão em desenvolvimento diversos projetos a nível nacional, como o de Sines, desenvolvido pela empresa Star Campus, com uma capacidade de até 450 megawatts e energia proveniente de fontes renováveis. Este interesse pelo país pode ser explicado pela localização geográfica privilegiada entre a Europa, a América do Sul e África. Para além disso, Portugal apresenta uma boa rede de conetividade assente numa estrutura robusta de fibra ótica e com uma forte aposta das instituições de ensino na formação de recursos humanos altamente qualificados na área tecnológica, para além de uma sólida rede de cabos submarinos que nos ligam com facilidade a outras regiões do planeta.

Contudo, o cenário não está isento de desafios. Considerando que a energia representa 40% dos custos operacionais dos Data Centers, que são investimentos com uma vida média de 20 anos, e tendo em conta as mudanças tecnológicas que podem ocorrer no setor, o crescimento destas infraestruturas deve estar ligado a alguns eixos fundamentais, como sustentabilidade, eficiência, flexibilidade e resiliência.

Os quatro pilares dos Data Centers do futuro

A expansão dos Data Centers deve reger-se por um tipo diferente de inovação: a que tem a sustentabilidade no seu núcleo. Este setor tem, portanto, a responsabilidade de aderir a práticas sustentáveis e eficientes do ponto de vista energético. A utilização de energia nos Data Centers representa atualmente 2% do consumo global de eletricidade; no entanto, atualmente apenas 43% dos fornecedores de Data Centers afirma ter em vigor iniciativas estratégicas de sustentabilidade e melhoria da eficiência - e isto numa altura em que os clientes o exigem e, em breve, os regulamentos também. Os Data Centers do futuro terão de ser integrados em toda a estratégia de sustentabilidade da cadeia de abastecimento, tanto no sentido ascendente como descendente, e adaptar-se a ela.

Antes que uma empresa possa estabelecer objetivos ou integrar a sustentabilidade na sua estratégia empresarial e nas operações comerciais para enfrentar esta crise, tem de decidir as métricas que quer monitorizar e reportar, e de que forma o irá fazer. É por isto que na Schneider Electric estamos a liderar a indústria para padronizar a medição e a comunicação dos dados de impacto ambiental. Introduzimos um framework para ter um foco abrangente na sustentabilidade ambiental, que inclui métricas-chave e áreas de impacto; para além disso, oferecemos serviços de consultoria sobre as alterações climáticas. Atuamos como "médico e farmacêutico", primeiro a diagnosticar os problemas de sustentabilidade, depois a ajudar a estabelecer objetivos e, finalmente, a disponibilizar a experiência e a tecnologia necessárias para os alcançar.

Estreitamente ligada à sustentabilidade está a eficiência dos Data Centers, um conceito geral que terá de começar a incluir a eficiência dos recursos humanos, o Capex e o Custo Total de Propriedade - e não apenas a eficiência dos processos e do hardware. Ao equipar os dispositivos com sensores inteligentes, e ao acrescentar mais serviços digitais e capacidades de monitorização remota, os Data Centers poderão impulsionar fluxos de trabalho mais eficientes, incluindo alertas mais rápidos e diagnósticos preditivos mais precisos. Isto irá possibilitar decisões rápidas e, sobretudo, reduzir o tempo de paragem não planeado.

Ao incorporar processos, software, ferramentas e recursos que minimizam o risco e permitem uma resposta e recuperação rápidas no caso de acontecimentos imprevistos, os Data Centers vão aumentar a sua resiliência. As poderosas ferramentas de monitorização baseadas em IA oferecem novas formas de gestão remota dos ativos. Por outro lado, aproximar as cargas de trabalho de grande volume de dados dos utilizadores através dos Data Centers Edge é um exemplo de como o poder do cálculo pode ser descentralizado para dar resposta às flutuações das exigências do mercado. A necessidade de rapidez e precisão nestes ambientes remotos também vai exigir soluções de economia de espaço que ofereçam facilidade de programação e monitorização remota. Para fazer frente a todos estes desafios, será também necessária computação, potência e refrigeração sob a forma de Data Centers modulares.

As oportunidades atuais para o setor dos Data Centers são muitas e entusiasmantes, mas gostaria de concluir com o reforço de duas ideias. A primeira é que a expansão dos Data Centers deve ser impulsionada por práticas sustentáveis e eficientes em termos energéticos. De facto, o setor pode continuar a ser uma das indústrias mais sustentáveis e mais procuradas, e ainda reduzir ainda mais a sua pegada ambiental, graças a toda a tecnologia disponível, que suporta a criação do nosso sonho coletivo: um mundo de emissões líquidas zero até 2050. Temos um papel fundamental a desempenhar no combate à atual crise climática. No entanto, e esta é a segunda reflexão, não o podemos fazer sozinhos. Implementar Data Centers preparados para o futuro requer um ecossistema de colaboradores e parceiros que trabalhem como um só para resolver os desafios e impulsionar a inovação, com um mesmo propósito: o do desenvolvimento sustentável.

Victor Moure, Country Manager Portugal, Schneider Electric

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