Eletricidade 4.0, o caminho para um mundo sem emissões

Num artigo de opinião, Victor Moure, Country Manager Portugal da Schneider Electric discute o novo conceito na gestão de energia, uma convergência entre o elétrico e o digital para cumprir os objetivos sustentáveis de 2050.

A nossa sociedade desenvolveu-se numa época em que o carvão, o petróleo e o gás desempenhavam um papel crucial. Estes combustíveis forneceram a energia que possibilitou muitos avanços técnicos, económicos, e mesmo sociais, a nível global. No entanto, também é verdade que a sua utilização tem tido um custo ambiental inegável: 80% das emissões de carbono libertadas para a atmosfera são geradas a partir da utilização destas fontes primárias de energia.

Estamos, agora, na era da descarbonização. Chegou o momento de evoluir em termos técnicos, económicos e sociais para um modelo energético descarbonizado.

O desafio é equiparável aos que levaram aos saltos, de era para era, na história da humanidade. Limitar o aquecimento global abaixo de 1,5ºC em 2030, em comparação com as temperaturas médias atuais, vai exigir acelerar o processo de descarbonização entre três e cinco vezes. Como o podemos fazer? Evidentemente, um desafio desta magnitude tem de ser encarado desde várias frentes, e a eficiência - maior desempenho a custos energéticos mais baixos - é uma das soluções. Outra delas é ter uma estratégia clara para os diferentes atores na geração de valor na sociedade.

Acredito firmemente que devemos focar-nos em investir em soluções energéticas que se adaptem da melhor forma possível ao ponto de partida e ao objetivo final esperado em cada elo da cadeia de valor da sociedade. Através da eletrificação e digitalização, devemos ser capazes de conseguir uma mudança estrutural. Esta convergência entre o mundo elétrico e o mundo digital, a que chamamos Eletricidade 4.0, facilita a transição para uma energia mais limpa. A eletricidade é a forma mais eficiente de energia e é também o melhor vetor de descarbonização, tanto no cenário doméstico como no industrial. Por sua vez, o digital torna a energia inteligente: torna o invisível visível, impulsionando a eficiência e eliminando o desperdício de energia.

Contudo, não podemos deixar de considerar a utilização de combustíveis sustentáveis. A síntese dos biocombustíveis, e mesmo o hidrogénio verde, vão contribuir para construirmos um futuro mais limpo e mais competitivo. Neste aspeto, Portugal e Espanha têm muito a dizer: a nossa localização geográfica privilegiada proporciona níveis de irradiação solar que podem transformar a região numa referência na geração de hidrogénio verde.

De igual forma, não devemos esquecer que o segmento dos transportes é responsável por 25% das emissões globais de dióxido de carbono, fazendo com que estabelecer uma estratégia clara para a eletrificação dos transportes seja um objetivo prioritário. Tanto o transporte de mercadorias como o de passageiros devem ser transformados nos próximos anos para que consigamos atingir os objetivos ambientais.

A verdade é que, enquanto cidadãos, todos podemos fazer a diferença. Uma gestão de energia mais inteligente, graças às tecnologias digitais, é um elemento frequentemente negligenciado e que pode equilibrar um ecossistema de oferta e procura cada vez mais complexo. Isso pode acontecer não apenas nas nossas casas e edifícios, mas também nos sistemas inteligentes de gestão de energia na rede de distribuição de eletricidade, que são a espinha dorsal da transição energética pois asseguram a correta integração das energias renováveis. A capacidade de compreendermos a nossa utilização de energia e de, ao mesmo tempo, tirarmos mais partido da energia solar é um passo importante no caminho para um mundo net-zero (sem emissões) em 2050.

As soluções digitais permitem-nos não só medir, mas também gerir o consumo de energia e as emissões de carbono. Ajudam-nos ainda a perceber como reduzir as perdas de energia, gerar menos emissões e economizar nas contas de eletricidade das nossas casas e empresas.

Benefícios tangíveis

De um ponto de vista empresarial e industrial, a digitalização está a inovar, proporcionando uma visão integrada e em tempo real de toda uma organização. Isto possibilita processos mais inteligentes, uma utilização mais eficiente dos espaços e a otimização da procura de energia. Também proporciona ambientes de trabalho mais saudáveis, melhor qualidade do ar e melhor controlo climático, o que aumenta a produtividade ao aumentar o conforto. Para isto não há melhor exemplo que o das fábricas inteligentes da Schneider Electric, que reduziram o seu consumo energético em 23-31%, em média, através da implementação de tecnologias que já estão disponíveis para todos.

Bem-vindos à era da Eletricidade 4.0!

Victor Moure, Country Manager Portugal, Schneider Electric

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