"Portugal tem uma hipótese fantástica de poder liderar esta transição para uma sociedade carbono zero"

#choosezero foi o tema da intervenção de Pedro Diaz Gaspar, diretor de Future Business Technology do Ceiia, e na qual apresentou o AYR, uma plataforma de sustentabilidade criada pelo Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto que recompensa as pessoas e comunidades por não emitem CO2. Esta plataforma foi premiada pela Google e esta parceria irá ajudar na sua aplicação em várias cidades do mundo.

Pedro Diaz Gaspar começou a sua intervenção "choosezero por lembrar que temos um enorme desafio pela frente e que é reduzir as emissões de CO2, mais concretamente temos nove aos para cortar 45% das nossas emissões. "Temos que fazer opções e essas opções implicam uma tendência para zero emissões. Daí o nosso choosezero", explico o diretor de Future Business Technology do CEiiA.

E é com esse objetivo que o CEiiA criou a plataforma AYR, que "ajuda as cidades, as empresas, os cidadãos, a fazerem uma transição para uma sociedade carbono zero". "O AYR foca em introduzir decisões mais sustentáveis que, de facto, reduzem as nossas emissões. E o que nós fazemos é quantificar essas não emissões. Nós estamos a tentar construir uma cidade que em tempo real monitoriza o impacto que as nossas decisões têm de positivo na redução de CO2 e de que forma eu consigo multiplicar essas decisões no meu dia-a-dia", explicou Pedro Diaz Gaspar. "Por exemplo, um incentivo não tanto de utilizar o meu veículo, mas um incentivo de utilizar transportes e mobilidade suave que têm um impacto muito superior".

"Mas não chega incentivar, não chega nós, de alguma forma, criarmos sharings ou bike sharings, criarmos ciclovias e esperar que as pessoas as usem. É preciso ir mais fundo. E a forma como nós o fazemos implica aqui um segundo passo. Portanto, nós primeiro quantificamos a não emissão, quantificamos as emissões que nós evitamos produzir, e a seguir tokenificamos essa não emissão. Esta tokenificação significa transformar num crédito digital, num ativo digital ambiental transacionável, a minha não emissão. Este palavreado forte significa exatamente o quê? Significa que eu consigo transacionar, há um valor económico-financeiro e social que eu associo à minha não emissão e, a partir daí, eu vou fazer um ecossistema local de transação", prosseguiu o responsável do CEiiA.

E quais são os parceiros que o CEiiA pretende ter neste projeto? "Cidades e municípios, é fundamental alinhar a estratégia das cidades com o que se pretende atingir no terreno pois as cidades variam e os desafios não são os mesmos de cidade para cidade, de país para país, e, portanto, há que adaptar a solução. Os operadores de mobilidade, as empresas locais, a sustentabilidade, para nós, acontece a nível local. O país vai articular, há conceitos nacionais, mas, no fim, somos todos nós, nas cidades em que vivemos, a fazer a sustentabilidade para esta transformação acontecer. Daí o papel dos cidadãos nesta interação ser fundamental".

O AYR já recebeu entretanto dois prémios internacionais, um da Google e outro da Comissão Europeia. "No início deste ano o AYR foi premiado no Impact Challenge on Climate da Google. org, o braço filantrópico da Google. O AYR foi uma das onze soluções premiadas. E esta parceria com a Google permite-nos várias coisas. A primeira é escalar, nós conseguimos agora mais rapidamente escalar a nossa solução. Um dos desafios que nós temos, se nós dizemos que a sustentabilidade tem que ser feita a nível local, a questão que se coloca é como é que nós conseguimos escalar rapidamente ou suficientemente rápido para tornar a solução exponencial? Este compromisso com a Google ajuda-nos a ter outro tipo de abordagem a nível tecnológico, como de alcance", explicou Diaz Gaspar. "A União Europeia aprovou há relativamente pouco tempo o Green Deal e há uma necessidade de ligar esta framework legal aos espaços onde as pessoas vivem, de coisas que nos afetem a nós enquanto cidadãos. Daí criou esta iniciativa, o New Europeam Bahaus, que visa identificar projetos e soluções que permitam ligar o Green Deal às nossas vidas, às nossas cidades. Entre 2100 candidaturas, dez foram identificadas como as vencedoras desta iniciativa, nas quais o AYR também se inclui".

Passar das palavras à ação não é tão fácil quanto parece e, defendeu o responsável do CEiiA, é nisso que o AYR pode ajudar no que diz respeito à redução de emissões. E deu dois exemplos práticos. "Primeiro Matosinhos. Matosinhos é onde nós estamos inseridos, onde o CEiiA tem a sua sede, Matosinhos tem sido o nosso living lab, onde temos testado e cocriado a nossa solução, onde testamos o conceito que podemos levar para outras cidades, para outros países, para outros continentes", explicou, acrescentando que até ao final deste ano, início do próximo, terão todos os mecanismos relacionados com o AYR criados, sendo que já muita coisa que já está a decorrer.

E por falar noutros continentes, Pedro Diaz Gaspar chamou ainda a atenção para um projeto que estão a levar a cabo no Brasil, mais concretamente em Itajaí, no estado de Santa Catarina. "Fomos para lá porque o contexto onde este projeto decorre é absolutamente diferente do contexto que nós temos na Europa. Santa Catarina é um estado bastante avançado, é um estado onde há maturidade sobre estes temas, mas estão a dar os primeiros passos em termos de bike sharing, de partilhas, de ciclovias, de incentivo à população. Portanto, eles estão no início desta transformação, mas já perceberam que podem fazer a transformação fazendo algo que na Europa é mais difícil, uma é saltar etapas, acelerar este processo de transformação aprendendo com quem vai mais à frente, e ser capaz de valorizar a economia local no próprio processo de transformação".

Os próximos passos do AYR passam pela parceria com várias cidades nacionais e internacionais ao longo dos próximos doze meses. E estamos a falar de, além de Matosinhos, de cidades portuguesas como Porto, Gaia, Guimarães, Famalicão, Braga, Lisboa e Viana do Castelo. E europeias como Copenhaga, Helsínquia, Amesterdão, Berlim, Madrid, Milão, Bruxelas e Praga. "Há um conjunto de outras cidades, do lado da América, que para nós são muito relevantes, já falei da cidade de Santa Catarina, há também Niterói, o Rio de Janeiro, que estão no nosso road map, mas Nova Iorque é das cidades com quem temos trabalhado bastante para utilizarmos como laboratório para pensar numa solução global".

"Em jeito de conclusão, gostava de dizer que nós acreditamos que Portugal tem aqui uma hipótese fantástica de ​​​​​​​poder liderar esta transição para uma sociedade carbono zero", rematou Pedro Diaz Gaspar.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de