Transportes públicos mais integrados são a chave para a descarbonização

É um dos setores com maior impacto ao nível das emissões de carbono, mas está a reinventar-se e a desenvolver novas formas de mobilidade. "Há falta de qualidade na infraestrutura" em Portugal, apontou Pablo ​​​​​​​Pastega, da FlixBus, no Portugal Mobi Summit.

No segundo dia da cimeira Portugal Mobi Summit, que se realiza em Cascais até sexta-feira, as discussões estão focadas na descarbonização e na mobilidade sustentável. Já esta tarde, o painel "O futuro do transporte público" juntou especialistas e profissionais do setor na procura por soluções e estratégias de futuro. A conversa, moderada pelo jornalista do Dinheiro Vivo Diogo F. Nunes, contou com a participação de Tiago Farias (Carris), Pablo Pastega (FlixBus), Rosário Macário (TIS) e Rui Stoffel (BusUp). "Se considerarmos que a informação é infraestrutura, e é, é onde o investimento me parece mais importante", afirma a professora Rosário Macário.

A geração de dados, mas sobretudo a sua análise, deve ser uma prioridade para os operadores de transportes, que dizem, no entanto, ser difícil integrar toda a informação gerada num único sistema comum de transportes. "Há um ativo muito importante e complexo, que é a informação. É muito difícil fazer a integração da informação de todos os operadores", continua a responsável a administradora da TIS. Este processo de integração seria particularmente benéfico para aplicações móveis que procuram juntar, num único sítio, toda a informação sobre cada operador em determinado local.

"O que a Carris está a fazer é a atualização de todas as suas tecnologias para poder ser um player que se integra facilmente nas aplicações de mobilidade", explica Tiago Farias, que adianta que a empresa está a testar novos serviços nesta área. "No nosso caso particular, a Carris pertende começar a testar um transporte a pedido", refere, sem revelar detalhes sobre este projeto.

Ainda ao nível da infraestrutura, o diretor-geral ibérico da FlixBus, Pablo Pastega, considera que muitos países, incluindo Portugal, têm "falta de qualidade na infraestrutura" física de apoio ao transporte rodoviário. "Estou a falar dos terminais, onde faltam serviços básicos disponíveis em qualquer aeroporto" e que o responsável considera essenciais para viagens de longo curso. "Se fizermos isto, conseguiremos mais pessoas a utilizar os transportes públicos", garante.

Já Rui Stoffel, CEO da BusUp, refere ser "fundamental as entidades publicas e privadas trabalharem nesta integração" para "combater o carro" de forma eficaz. Rosário Macário está de acordo e pede que as empresas se coloquem no lugar do utilizador para tentar perceber as dificuldades dos transportes, mas não tem dúvidas de que "o transporte público tem de ser a espinha dorsal do sistema". Será, porém, necessário integrá-lo com outros operadores que garantam o last mile, ou seja, o serviço porta-a-porta.

Sobre a possibilidade de fazer nascer em Portugal uma solução de BRT - Bus Rapid Transit, Macário considera "difícil" pela limitação de espaço nas cidades. Esta solução, prolífera em países da América Latina, implica a construção de um corredor dedicado e fechado para a passagem de autocarros de alta velocidade. "É o conceito que temos hoje do metropolitano passado para a superfície", simplifica a responsável da TIS. As soluções de mobilidade do futuro são muitas, mas Rui Stoffel acredita que já todas existem e que agora será necessário aperfeiçoá-las e integrá-las para facilitar a sua utilização pelos cidadãos. "É preciso flexibilidade no transporte público", remata.

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