Horta Osório: Apoios concedidos devem ser "pontuais" para não agravar défice

Os apoios disponibilizados por governos de vários países para enfrentar a crise pandémica também foram positivos para os bancos, afirma o banqueiro.

Para o CEO do Lloyds Bank os apoios disponibilizados pelos governos de vários países, como o lay off ou outras ajudas extraordinárias tiveram um impacto positivo não só para as famílias e empresas mas também para o setor da banca. "As medidas que os governos fizeram, conjuntamente com autoridades de supervisão e com os bancos, incluindo o lay off, as moratórias e as garantias, foram absolutamente críticas para manter a capacidade produtiva das empresas disponível para poder arrancar quando a economia retomasse", explicou, numa intervenção feita à distância, a partir de Londres, devido às medidas de lockdown impostas no país.

O banqueiro português que lidera o banco britânico ressalvou não só os efeitos benéficos também para as famílias, para que pudessem adaptar ao choque súbito de um vírus imprevisível que afetou as rotas de crescimento ascendentes de várias economias, a portuguesa incluída. Mas o banqueiro português sublinha que, de forma indireta, estas medidas acabaram também por ser benéficas também para a banca. "Isso não só foi positivo para empresas, para a economia e para as famílias mas foi também positivo para os bancos, porque caso isso não tivesse sido feito os bancos teriam obviamente sofrido muito mais o impacto do desemprego com as falências das empresas."

Para o CEO do Lloyds, "os apoios disponibilizados para enfrentar os efeitos da crise pandémica em Portugal são "absolutamente adequados a curto prazo". No entanto, sublinha a importância de que os apoios concedidos e "os próximos" sejam o mais possível "extraordinários e pontuais - que não se repitam em anos seguintes" para não agravar o défice orçamental do país a longo prazo.

Recordando que a covid-19 eliminou parte do trabalho de redução do défice feito nos últimos anos - incluindo o superavit registado no ano passado - Horta Osório reconhece que o previsível agravamento do défice "é absolutamente correto", especialmente num período em que há choque externo completamente imprevisível e que não é da responsabilidade de ninguém, como é o caso do covid". "Era fundamental que o governo atuasse através da política orçamental, concedendo apoios às empresas e às famílias para manter a capacidade produtiva e para apoiar as famílias para se poderem adaptar dado esse choque total", frisou.


Embora reconheça que "os bancos estão mais fortes" hoje em dia, Horta Osório não esquece que muitos players do setor "partiram de uma posição de fragilidade" para enfrentar esta crise imprevisível e sem precedentes. Ainda assim, sublinha que os bancos não fugiram ao desafio, tendo "feito parte da solução" no apoio à pandemia - mas isso acarreta também "uma responsabilidade adicional para o setor".

Saudando os anúncios de vários bancos de que não irão distribuir dividendos pelos acionistas - a própria Caixa Geral de Depósitos afirmou na Money Conference que irá seguir as recomendações do regulador, que defende a retenção dos lucros para enfrentar a crise, António Horta Osório descreve que "inevitavelmente vai haver aumentos de malparado no futuro", algo que tem vindo a ser referido como expectável por vários banqueiros.

"Os bancos têm estado a fazer isto de maneira progressiva e na boa direção mas isto é uma fragilidade que já existia e que, devido à pandemia, deve ter uma atenção redobrada", explicou o banqueiro.

Além do aumento do malparado na banca, Horta Osório pede ainda atenção a outras duas questões: o endividamento total da economia o envelhecimento da população, um "problema sério e com forte impacto". Caso contrário, o país voltará ao nível de população registado em 1960, com um rácio de dependentes que terá fortes encargos para a população ativa.

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