O equilíbrio do setor empresarial de Aveiro, a sua aposta na inovação e na internacionalização, são mais-valias importantes para a economia da região sair da crise provocada pela pandemia. Na região, explicou Carlos Andrade, economista chefe do Novo Banco, há muitas empresas de "setores ligados à alta tecnologia, empresas que acrescentam valor e estão em setores internacionalizáveis", o que "é importante, pois, na economia pós-covid, a inovação e a capacidade de adaptação" serão mais-valias para superar as adversidades. Ter "recursos qualificados é fundamental, assim como capacidade de gerar mais valor", acrescentou.
A economia de Aveiro, adiantou António Ramalho, CEO do Novo Banco, tem um "equilíbrio mais interessante do que outras economias regionais na resposta à crise". Representa, especificou, "3,5% do PIB e da população, 3,3% das empresas, tem 4% do investimento", mas, sobretudo, "é uma economia que tem mais empresas de valor acrescentado, quase o dobro das exportações e o dobro da industrialização da média do território nacional". Regiões "mais bem preparadas do ponto de vista de equilíbrio são potenciais vencedores e Aveiro pode ser uma delas", advogou.
O "nível de dispersão mais equilibrado", sublinhou o CEO, pode ser "particularmente importante para a questão da proximidade das cadeias de fornecimento", um dos problemas que a pandemia causou, já que várias empresas não puderam continuar a laborar por lhes faltar material vindo de outros países. A pandemia vai levar à criação de "respostas mais próximas", fazendo o mundo passar de "uma fase de globalização desejada, para uma de 'glocalização' inteligente", considerou António Ramalho.
Recuperação lentaEntre os economistas existe a convicção de que a recuperação da crise será lenta. Carlos Andrade acredita que "deverá deixar o nível de atividade económica abaixo dos níveis pré-covid durante algum tempo, nomeadamente 2021 e parte de 2022". O que significa "potencialmente diminuição da capacidade produtiva e emprego".
Quanto mais demorada for a crise, "mais persistentes serão os impactos na economia", pelo que é fundamental "preservar capacidade produtiva", defende o economista. E isso, pode não passar necessariamente por manter "tudo como estava", mas adaptar-se às novas tendências que a pandemia veio acentuar, nomeadamente a nível da mobilidade (maior utilização da bicicleta, por exemplo), diferentes organizações de trabalho (como o teletrabalho), alterações de padrões de consumo (mais online), maiores preocupações com a saúde e sustentabilidade, poupança preventiva nas empresas e famílias, entre outras.