Inovadora Cotec: uma nova distinção para empresas que inovam e são bem geridas 

Lançado este mês, o Estatuto Inovadora Cotec é um rating de inovação cujo propósito é melhorar a informação sobre as empresas que o detêm e tornar mais eficiente a avaliação de risco de crédito pela banca.

"Inovadoras Cotec são empresas que pela aplicação de competências e recursos aos processos de inovação atingem um compromisso superior entre o risco, o investimento, a rendibilidade e a sustentabilidade". Isabel Furtado, presidente da direção da Cotec Portugal, define desta forma a condição das empresas que virão a beneficiar do rating lançado este mês, naquele que é o resultado de uma parceria entre a Cotec Portugal e sete entidades bancárias: Banco BPI, Banco Português de Fomento, Bankinter, Caixa Geral de Depósitos, Banco Europeu de Investimento, Millennium BCP e Santander Totta.

O estatuto procura beneficiar empresas e bancos. "À semelhança do que acontece com um rating de risco financeiro, passa a ser possível discriminar de forma eficaz o desempenho das empresas através de um modelo que combina inovação e o seu impacto económico-financeiro", refere.

Por seu turno, Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec Portugal, sublinha que o Estatuto de Inovadora Cotec é importante para "passar a ideia que uma empresa inovadora é também uma empresa com um potencial de melhor desempenho económico e de um risco financeiro mais atraente".
Inovação diferenciadora

O diretor-geral da Cotec defende que o novo estatuto acabará por funcionar como um selo de prestígio e reputação às empresas. "É uma nova marca que confere reconhecimento às empresas e à sua gestão. Reconhecimento esse que deve ser aproveitado pelo setor financeiro para poder discriminar o risco das empresas, podendo isso traduzir-se em melhores condições de acesso ao financiamento por parte das Inovadoras Cotec", refere Jorge Portugal.

"A capacidade de inovação é uma competência de gestão que se estende a todas as áreas de gestão das empresas. E é uma competência que se traduz em mais crescimento e maior competitividade, mas também no pagamento de melhores salários e na capacidade de contratação de melhor talento", sublinha Jorge Portugal.
Tal como noutras áreas, também ao nível da inovação as empresas de pequena e média dimensão têm, cada vez mais protagonismo, representando 90% das 3884 empresas nacionais que desenvolvem I&D. Os dados da Direção-Geral de Estatísticas de Educação e Ciência (DGEEC) - parceira da Cotec Portugal nesta iniciativa, a par com o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) - mostram que embora ainda sejam as grandes empresas a executar a maior parte da despesa com a inovação (54%), esta percentagem tem vindo a diminuir (chegou a ser de 60%).

Jorge Portugal lembra ainda que, cada vez mais, a valorização das empresas vem de ativos intangíveis como a propriedade industrial. Uma realidade a que as empresas portuguesas estão atentas, como mostram os números do INPI, segundo os quais os pedidos de patente europeia por parte das empresas nacionais subiram de 81, em 2010, para 272 no ano passado, o que mostra que a pandemia não levou ao abrandamento do investimento em inovação. "Esta crise mostra, mais uma vez, que a inovação compensa e permite criar compromissos entre o presente e o futuro", afirma o diretor-geral da Cotec Portugal.

Parceiros financeiros


Os parceiros da banca presentes na apresentação do estatuto Inovadora Cotec, no final de janeiro, sublinharam também essa realidade. Gonçalo Regalado, diretor de marketing do Millennium BCP lembrou que são as empresas inovadoras as mais resilientes, e uma boa fonte de valor para a economia nacional. "Quando as analisamos, percebemos que são empresas com maior autonomia financeira, melhores resultados, melhor rendibilidade, melhor capacidade de transformação de produtos em valor", referiu. A inovação é, aliás, um dos critérios de avaliação do banco noutras iniciativas, caso do Prémio BCP Horizontes, no qual utilizou pela primeira vez o Inovation Scoring da Cotec Portugal.

Por seu turno, Miguel Belo de Carvalho, administrador executivo do Banco Santander Totta, destacou a cada vez maior importância que os ativos intangíveis assumem na avaliação das empresas. "Este é um estatuto muito oportuno porque, daqui para a frente, a inovação vai reforçar ainda mais a competitividade das empresas", disse, lembrando o caráter fundamental que a inovação terá, a par com a digitalização e a transição climática, no crescimento e sustentabilidade das empresas.
"Para a banca este estatuto possibilita uma credenciação quase automática, já que permite perceber se a empresa está preparada para receber os fundos a que se candidata", explicou Cláudia Teixeira de Almeida, diretora de marketing do Banco BPI.

O financiamento pelos vários bancos parceiros é feito de modos diversos, que passam por prémios, programas específicos e fundos. No caso da Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, o Fundo Caixa Empreendedor + tem vindo a investir em startups e iniciativas com business angels, sendo o Caixa Fundos, um fundo de fundos que funciona segundo uma lógica de private equity, canalizado para as empresas de matriz tecnológica. "A inovação é a essência da diferenciação de qualquer empresa. Falar de inovação é falar de continuidade de negócio e não apenas de melhoria de processos e produtos ou inovação disruptiva", assumiu Armando Santos, diretor central de marketing de empresas do banco estatal.

A funcionar de uma forma diferente, o Banco Português de Fomento atua sobretudo ao nível dos fundos de capitais de risco. "Temos 50 business angels apoiados em Portugal, no valor de 45 milhões de euros, e 13 fundos de capital de risco destinados a startups e empresas com estratégia de inovação e crescimento e de internacionalização", referiu o representante do BPF. Marco Neves destaca dois fundos em particular, o Fundo de Inovação Social e o Fundo 200 M, seguindo este último uma lógica de coinvestimento.

"Com 100 milhões de euros e mais de 20 projetos apoiados, este fundo, que atua tanto a nível nacional como internacional, permite trazer a investir em Portugal investidores e empresas de caráter inovador".

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