BERD vence prémio de inovação com soluções para a construção de pontes 

Empresa vencedora do Prémio PME Inovação COTEC-BPI 2020 nasceu de investigação desenvolvida na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Tem sistemas patenteados em mais de 70 países.

À partida, a relação entre o músculo humano e estruturas de engenharia como pontes e viadutos, pode não ser evidente. Contudo, é esta a base do sucesso da BERD, empresa vencedora da 16.ª Edição do Prémio PME Inovação COTEC-BPI, atribuído no passado dia 25 de novembro, no âmbito do Encontro PME Inovação.

A BERD nasceu em 2006 como uma spin-off da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. A partir de uma tese de mestrado que procurava em teias de aranha, esqueletos e estruturas vegetais a solução para problemas estruturais, e de uma tese de doutoramento focada no músculo humano e possíveis aplicações do conceito a estruturas de grande porte, foram desenvolvidos modelos matemáticos que deram origem à tecnologia OPS (Organic Prestressing System), a primeira solução criada pela BERD e hoje patenteada em mais de 70 países.

"O OPS é uma adaptação do conceito do músculo humano a estruturas para construção de pontes. Com a tecnologia OPS é possível criar equipamentos mais leves, industrializados e sustentáveis, permitindo reduções nas emissões de CO2, no consumo de aço e energia como nas necessidades e transporte e consequente consumo de combustível", diz Pedro Pacheco, CEO da BERD. Foi a tecnologia OPS que esteve na base do desenvolvimento do equipamento M1, que permite construir vãos de 90 metros com o método de construção in situ, o que constitui um recorde mundial.

A BERD lançou-se entretanto na área de negócio de soluções para pontes modulares, mantendo a postura de inovação. "Tendo como inspiração as pontes militares Bailey, desenvolvidas na II Guerra Mundial por Donald Bailey, a BERD identificou uma oportunidade de desenvolver novas soluções de pontes modulares com novos modelos adaptados às necessidades do século XXI", afirma o CEO, que adianta que a empresa investe neste momento em quatro vetores de I&D, dos quais se destaca o sistema Bridge Intelligence. "Será um produto literalmente disruptivo na área de consultoria e engenharia de pontes", garante Pedro Pacheco, que frisa a importância da aposta em inovação para a saúde da empresa. "A BERD tem investido frequentemente mais de 20% do orçamento estrutural em I&D e só isso explica um crescimento em 2019 superior a 100%, ultrapassando assim a fasquia de 20 milhões de euros de faturação", afirma.

O investimento numa rede de contactos com empresas de referência foi outra preocupação dos responsáveis da BERD. É neste contexto que surge a adesão à rede PME Inovação. "A PME inovação é uma das mais bem organizadas e dinâmicas redes a nível nacional, com evidentes contributos para promover a inovação e com inúmeras atividades para difundir conhecimento na rede", refere Pedro Pacheco, para quem as vantagens de integrar este tipo de estruturas são evidentes. "A possibilidade de integrar redes de inovação permite-nos aprender e partilhar e em vários casos ajuda-nos a reduzir erros beneficiando da experiência de outros que já passaram por contextos semelhantes. Em muitos casos a participação neste tipo de redes também contribui para ampliar os horizontes contribuindo para visões mais abrangentes e mais ambiciosas", diz.

Uma visão partilhada por Gonçalo Salazar Leite, presidente da Comissão de Acompanhamento da Rede PME Inovação que, na sua intervenção no 10.o Encontro PME Inovação destacou a vertente de partilha da Rede. "Procuramos a partilha das melhores práticas, do know how, da sabedoria e de uma coisa que sempre faltou no âmbito da comunicação das nossas empresas: a experiência."
Gonçalo Salazar Leite destacou ainda o acesso a ferramentas de análise de risco e projeto e de autodiagnóstico da capacidade de inovação como vantagens dadas pela rede. "Além disso, o facto de ser reconhecida como PME inovadora cria notoriedade", um aspeto a não menosprezar num momento em que a reputação assume cada vez mais importância no momento de entrada em novos mercados. Até porque, como referiu, "uma empresa inovadora é aquela que consegue realizar os seus rendimentos e criar valor através de produtos novos e mercados novos. Idealmente, produtos novos em mercados novos. E o papel da Cotec é potenciar isso, dinamizando a capacidade inovadora das empresas".


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