Quando a aposta na inovação é tão natural como respirar

Mais do que um departamento ou a resposta a um pedido específico, a inovação atravessa todas as vertentes das empresas verdadeiramente inovadoras. Uma realidade que ainda não é a regra em Portugal.

Na Pedrosa & Rodrigues, empresa têxtil que produz para grandes marcas internacionais, decorre uma experiência piloto que prepara a estrutura para o modelo de negócio que terá daqui a cinco anos. A Mendes e Gonçalves, detentora da marca Paladin, está a preparar as linhas de produção para responder à tendência de alimentação saudável que se antecipa para um futuro próximo. Por seu turno, a SISCOG, que tem na sua génese soluções de software a partir de inteligência artificial, faz da colaboração com centros de conhecimento uma imagem de marca. As três empresas integram a inovação em todos os aspetos do quotidiano mas são ainda casos excecionais em Portugal, que é, simultaneamente, o país da UE cujas empresas reportam um maior número de atividades de inovação e um dos últimos quando toca a retirar proveito económico de novos produtos e serviços.

Uma estratégia de inovação clara, organização configurada para inovar recorrentemente e o desenvolvimento de atividades transversais que potenciam a inovação são características comuns às empresas inovadoras. Miguel Pedrosa Rodrigues - Corporate Manager & CSR da Pedrosa & Rodrigues aplica todos estes princípios na empresa familiar e tem já claro qual será o futuro da empresa daqui a cinco anos. "Imagino-nos a receber a encomenda diretamente da loja ou do ambiente web e a fazer a expedição para o consumidor", revela. "O maior desafio deste modelo é o de manter os benefícios de uma economia de escala numa situação em que a fábrica passa a ser um ateliê. Chegar lá é um trabalho conjunto entre as cadeias de fornecimento, as fábricas e as marcas", explica. "Trabalhamos sempre com parceiros. Ninguém neste setor é capaz de desenvolver e criar disrupção sozinho", assume.

Uma postura que o leva a valorizar iniciativas como a Rede PME Inovação, da COTEC. "Na colaboração inter empresas quanto mais diverso for o ambiente colaborativo, melhores os resultados", afirma Miguel Pedrosa Rodrigues que lamenta a fraca cultura de colaboração existente em Portugal . "Quando a colaboração entre pares não é possível, isso força-nos a andar de forma individual e a mais devagar. Se em vez de a minha PME estar sozinha ela se juntasse com mais duas, três ou quatro, deixaríamos de ser PME para nos tornarmos uma empresa bem grande a fazer desenvolvimento", defende.

Uma posição em que é secundado por Ernesto Morgado, fundador e administrador da SISCOG, empresa em que as parcerias com universidades e mundo empresarial existem desde sempre e são fundamentais para dar resposta aos objetivos traçados trianualmente. "Os clientes são cada vez mais exigentes e todos os anos nos dirigem pedidos. Na SISCOG, em vez de desenvolvermos soluções para cada cliente, tentamos dar uma resposta global nos produtos que desenvolvemos. Tentamos tornar o desenvolvimento de software mais genérico e por isso mais económico", explica Ernesto Morgado.

Depois de anos focada no nicho de mercado que é a ferrovia, a SISCOG prepara-se para entrar numa nova área de atuação. "Estamos a especializar-nos em data science e machine learning e vamos submeter um projeto para desenvolver Inteligência Artificial aplicada à agricultura, com o objetivo de a tornar mais inteligente e sustentável. É uma mudança que mostra como temos inovar, ler o mercado e ter a capacidade tecnológica e a estratégica para abordar novas realidades", revela.

Na Mendes & Gonçalves, na Golegã, o lema da empresa - "Nascer com a vocação da inovação é viver com a inquietação de fazer acontecer" - está patente em todos os aspetos da empresa. "Nós só produzimos commodities e a nossa obrigação e o nosso foco diário é acrescentar valor e através da inovação, na área em que estamos", afirma Carlos Gonçalves, administrador da empresa.

Com o negócio muito centrado na relação com a restauração, nos últimos meses a Mendes & Gonçalves sofreu o impacto de ter todo um setor parado. Mas a empresa está já a preparar-se para as novas tendências que se antecipam. "É expectável que passe a haver uma maior procura de produtos mais saudáveis, com ciclos mais curtos. Estamos a fazer alterações nos nossos equipamentos a prepararmo-nos para aquelas que acreditamos que sejam as tendências de futuro. Procuramos sempre antecipar tendências globais", afirma Carlos Gonçalves.

Capacitar para a inovação

Jorge Portugal, diretor-geral da COTEC explica o que é como funciona a Rede PME Inovação.

O que é a Rede PME Inovação?

A Rede PME Inovação é uma plataforma de aprendizagem e conhecimento de práticas de gestão, ferramentas especializadas de diagnóstico e planeamento da gestão da inovação, networking profissional, e conteúdos de capacitação para os quadros empresariais. O acesso realiza-se mediante candidatura que implica a realização do exercício de Innovation Scoring e obtenção de um rating superior a 400 em 1000 pontos e a aceitação pela Comissão de acompanhamento da Rede.

Qual o objetivo da rede?

Criada em 2005, a Rede PME Inovação tem como missão contribuir o desenvolvimento e crescimento rentável pela inovação através da capacitação dos quadros empresariais. Essa capacitação dá-se através de diferentes actividades, das quais se destacam o diagnóstico dos processos de inovação, benchmarking e difusão de boas práticas, eventos de networking profissional, plataformas de gestão de conhecimento, bem como o reforço das ligações com entidades do sistema científico e tecnológico ou com instituições públicas de apoio à inovação.

Quais os benefícios para as empresas?

As 215 empresas que integram a Rede PME Inovação beneficiam do acesso a uma rede de aprendizagem nas melhores práticas de inovação e acesso e apoio na aplicação de ferramentas especializadas de planeamento e gestão da inovação que lhes permitem maximizar o retorno e impacto económico dos investimentos. Além disso, beneficiam de networking profissional dentro e fora do setor e da constituição de parcerias e consórcios para projectos, reforço da reputação e prestígio da marca pela associação à COTEC e à inovação; centenas de horas de acções e conteúdos especializados de capacitação dirigidos aos quadros empresariais; finalmente, possibilidade de acesso a melhores condições de financiamento bancário e a fundos públicos.

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