“Alexa, apaga a luz”: como os assistentes virtuais estão a mudar o mundo

Da Alexa à Siri, inteligência dos assistentes virtuais vão mudar não só o ambiente doméstico, mas também o empresarial

Quando a Google ainda sonhava com a massificação dos seus óculos de realidade aumentada Glass, uma das características mais espalhafatosas era ter de bater com os dedos na haste e dizer “Ok, Google” para ativar o dispositivo. Não é que a Apple não tivesse já posto os seus utilizadores a falarem com a Siri no iPhone, mas a ideia de pedir coisas a assistentes digitais era tão nova quanto a ideia de trazer inteligência artificial para dentro do telemóvel. Seis anos depois, milhões de consumidores habituaram-se a falar com entidades virtuais que sabem sempre como vai estar o tempo e como anda a agenda da próxima semana.

De acordo com as contas da Strategy Analytics, metade dos smartphones que são vendidos anualmente já incluem assistentes virtuais inteligentes, com o Google Assistant à cabeça (51%) e a Siri da Apple em segundo (31%). Em 2019, a IDC prevê que sejam vendidos 144,3 milhões de ‘smart speakers’, um crescimento extraordinário em relação aos cerca de 75 milhões do ano passado. E até 2022, a Gartner prevê que 70% das empresas já inclua a utilização de algum tipo de inteligência artificial no ambiente de trabalho, para ajudar os empregados, com foco nos assistentes virtuais pessoais e nos bots de conversação. É uma (r)evolução notável que, aos poucos, mudará não só o ambiente doméstico mas também o profissional. Não será preciso bater com os dedos na haste dos óculos, mas muita gente vai andar literalmente a falar sozinha, dando ordens e conversando com assistentes virtuais.

“Não custa muito levantar para ir desligar a luz à parede, mas quando podemos fazer esse pedido com voz já não deixamos de fazer”, refere Francisco Jerónimo, vice presidente associado da IDC EMEA. Segundo o responsável, a categoria de ‘smart speakers’, ou altifalantes inteligentes como o Amazon Echo, Google Home e Apple HomePod, é aquela que mais vai crescer nos próximos anos.

Números frescos da consultora revelam que estes produtos vão crescer a uma média anual de 13,6% até 2023, ano em que serão vendidas 240 milhões de unidades. Estes números são relevantes porque, ao contrário de outros dispositivos com inteligência que o consumidor pode ter, a componente essencial do ‘smart speaker’ é mesmo o assistente virtual. Aquilo que noutros gadgets pode ser uma funcionalidade extra é integral nesta categoria. Sem o assistente virtual, o Google Home é apenas uma mini-coluna de som glorificada. Por isso, a evolução destes assistentes passa muito pela sua massificação nas casas – e ambientes de trabalho – dos consumidores.

“Tocar música e fazer perguntas automaticamente é um tipo de conveniência a que as pessoas se começam a habituar, e o ‘smart speaker’ tem a facilidade de estar num local central na casa e permitir todas as funcionalidades que poderiam ser feitas por um telefone”, explica Francisco Jerónimo. Neste momento a Amazon domina o mercado, logo seguida da Google, que “cresceu bastante” no último ano.

“A grande diferença entre os dois é que o assistente inteligente da Google tem mais capacidade e melhor inteligência, porque a Google tem acesso a uma série de dados que a Amazon não tem”, explica o analista. A Google “acede a dados através do motor de pesquisa e outros produtos que oferece gratuitamente”, usando depois esses dados, por exemplo fotografias, para treinar os seus algoritmos. Enquanto a Alexa tem mais suporte de produtos de terceiros, como televisões e máquinas de café, e mais skills (70 mil pelas contas da Amazon), “os testes de comparação sobre a resposta a perguntas mostram que a da Google acaba por responder melhor, em média.”

Tudo isto está a evoluir quase diariamente. Em casa, a grande função destes ‘smart speakers’ é a ligação a outros dispositivos inteligentes, como lâmpadas e termostatos, que permitem passar a controlar tudo por voz. Francisco Jerónimo menciona também a função de segurança, visto que speakers como o Echo já conseguem detetar o som de janelas a partirem-se, por exemplo, e alertar as pessoas remotamente (a função chama-se Alexa Guard).

Mas a proliferação de altifalantes com assistentes virtuais também se está a verificar nas empresas, segundo a pesquisa da IDC, com mais de 20% a referir a sua utilização no último ano. As grandes utilizações a nível empresarial são no ambiente de retalho (para tocar música), no lobby de escritórios e também nas salas de reuniões, sobretudo para controlar aparelhos como luzes e projetor e fazer perguntas específicas que possam ser relevantes durante uma reunião.

Ainda assim, em comparação com o número de smartphones vendidos, a base instalada de ‘smart speakers’ é relativamente baixa. “O fundamental para eles é que os algoritmos de machine learning aprendam e para isso têm que ter acesso a milhões de dados, vozes de pessoas, a forma como respondem, etc”, refere o analista da IDC. “O grande desafio na inteligência artificial é ter acesso a dados que permitam treinar os algoritmos de machine learning.”

Isso está acontecer numa conjunção de cloud e edge computing, com computação a acontecer na nuvem e depois a ser executada no terminal. “No momento em que o smartphone tem a mesma ou até mais capacidade de processamento de dados que um computador, é possível que algoritmos avançados de análise e de previsão possam acontecer no telefone”, refere Francisco Jerónimo. Perguntar como está o tempo ou pedir para tocar música é só o princípio. Em breve, estes assistentes virtuais vão conhecer-nos melhor do que nos conhecemos a nós próprios.

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