O 5G “vai trazer uma revolução” para o negócio da Live Electric Tours

Startup portuguesa acredita que a rede de nova geração permitirá monetizar serviços que hoje não são possíveis na sua oferta

Ninguém sabe as curvas que o progresso tecnológico pode dar numa década, mas se a visão de Djalmo Gomes estiver certa, dentro de alguns anos poderemos fazer tours em carros autónomos e transmitir ao vivo não só o que vemos mas tudo o que está à nossa volta. O turismo em quatro rodas do futuro pode ser muito mais ambicioso que o que é possível oferecer agora, e é por isso que o CEO da startup portuguesa Live Electric Tours está tão convicto de que a rede móvel de nova geração vai mudar o jogo.

“Para nós, que estamos a falar em interatividade a bordo de uma viatura para turistas, o 5G vai fazer uma grande diferença”, disse ao Dinheiro Vivo o responsável da empresa, que oferece viagens turísticas a bordo de carros elétricos em Lisboa, Porto e Évora. “A capacidade de upload e download vai permitir-nos fazer coisas que não fazemos hoje.”

Uma dessas coisas é a transmissão ao vivo, o streaming para as redes sociais, mas não se fica por aí. Outra potencialidade é ter, em simultâneo com o live streaming, o navegador de tours que permite otimizar rotas de acordo com o trânsito. “Parece uma coisa muito simples, porque hoje já temos o Google Maps nos telemóveis, mas quando começamos a meter audioguias em cima disto, velocidade de processamentos e depois compatibilidade de vários equipamentos ligados ao mesmo router, isto aumenta imenso a complexidade e a necessidade de velocidade de dados e desempenho da rede”, explica Djalmo Gomes.

“Acho que o 5G vai trazer aqui uma revolução, pelo menos para o nosso negócio, porque vai-nos permitir andar mais à frente, trabalharmos em machine learning, em inteligência artificial, em IoT e fazermos coisas que hoje não conseguimos fazer porque a rede é limitada.”

Ainda sem rede comercial disponível, a Live Electric Tours tem estado a fazer testes em parceria com a Vodafone, que empresta o equipamento de rede necessário, sendo que a empresa precisa de routers, antenas e câmaras compatíveis, além do software apropriado. A startup aproveitou o Web Summit, em novembro, para testar o live streaming em multi-câmara, algo que passa a ser possível porque o 5G tem muito maior capacidade de débito.

O que a startup oferece hoje é live streaming apenas com uma única câmara, que filma a zona envolvente no exterior do carro. Segundo Djalmo Gomes, o 5G vai-lhes permitir ter uma transmissão ao vivo multi-câmara, o que inclui não só uma câmara para fora, que pode ser 360º, e também uma câmara dentro do carro, para ver a pessoa que está a conduzir. Nos testes, a startup consegue fazer um feed destas imagens e transmitir em direto para as redes sociais. “Só é possível porque o 5G tem essa capacidade de dados muito mais elevada do que o 4G permite atualmente”, reforça Gomes.

Com uma frota de 16 veículos, a intenção da empresa é poder rentabilizar este investimento tecnológico quando a rede estiver disponível. “Atualmente, o live streaming não tem qualquer custo para o utilizador, é algo que está incluído no valor do tour”, adianta Djalmo Gomes. “No futuro, com uma tecnologia muito mais avançada, a interatividade também a acabar por ser muito maior, temos como objetivo poder monetizar este serviço.” No entanto, o CEO frisa que tal só acontecerá quando a equipa sentir que está “completamente confortável” para poder fazê-lo. “Estamos em fase de testes e o live streaming que temos hoje funciona bem, mas a rede por vezes é instável e não nos permite nalgumas zonas da cidade termos uma cobertura 100%.”

Isto justifica a cautela do responsável em relação à primeira fase do 5G, porque a cobertura da nova rede “nunca vai ser igual à cobertura que o 4G já oferece.” Os tours, da empresa, por exemplo em Lisboa, cobrem 20 a 30 quilómetros da cidade e será necessário perceber até que ponto o 5G cobrirá todas essas zonas desde o início.

Mas Gomes sublinha que a sua visão é de longo prazo e refere o potencial dos carros autónomos. “Temos o objetivo de um dia, mais tarde, podermos ser um operador turístico com viaturas autónomas, onde temos tours pré-programados, as pessoas entram dentro dos carros e não precisam de conduzir”, explica o responsável. “A viatura vai com eles passear pela cidade.” Isto é algo, reforça, que só uma rede 5G permite fazer. “Por isso, acho que o 5G sim vai revolucionar. Agora, precisamos todos de aprender muito”, avisa o responsável.

Agora com 10 pessoas, a Live Electric Tours planeia entrar em mais seis cidades até ao final de 2020, três no primeiro semestre e três no segundo. A startup não dá detalhes sobre perspetivas financeiras mas Gomes refere que a estimativa é crescer na ordem dos 150% este ano, à semelhança do que aconteceu nos últimos dois anos.

 

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