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De Silicon Valley a Lisboa. A tecnologia está a mudar de capital

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Eventos como a Web Summit, a legislação e a geografia colocam Portugal no mapa das startups.

Começou na segunda-feira, acabou na quinta e ocupou vários espaços de São Francisco, ali mesmo ao lado de Silicon Valley. O Dreamforce foi evento tecnológico mais falado desta semana que passou, nos Estados Unidos. Ainda assim, Jager McConnel, CEO da Crunchbase, a maior base de dados de empreendedorismo do mundo, preferiu estar na Web Summit, em Lisboa, que aconteceu exatamente na mesma data. Esteve no primeiro ano, e em 2017 novamente.

“É ainda maior que o ano passado, é de loucos”, exclama. E justifica a sua opção. “Seria muito mais fácil para mim estar lá, até porque sou de São Francisco. Mas a comunidade de startups que a Europa tem é incrível e está a pôr o foco deste mundo aqui, deste lado,” assegura ao Dinheiro Vivo o responsável, depois de ter subido a um dos palcos da cimeira tecnológica organizada na capital portuguesa pela equipa de Paddy Cosgrave.

Jager McConnel sabe do que fala. A Crunchbase é onde se encontra toda a informação sobre empresas, investidores, financiamentos, resultados e funcionários, com centenas de milhões de registos, atualizados diariamente. É uma espécie de Wikipedia das startups.

“Parece-me bem essa definição. Mas também gostamos de nos ver como o LinkedIn das empresas. Queremos que, na nossa base, seja possível encontrar qualquer informação sobre qualquer companhia,” assume o CEO, que indica que a Crunchbase tem cerca de 36 milhões de utilizadores no mundo inteiro, que também são também uma importante ajuda para manter todos os dados atualizados.

Com tanta informação disponível, a plataforma tem uma visão privilegiada sobre as tendências do mundo tecnológico. “Há várias formas de analisar essas tendências. Podemos fazê-lo através das palavras mais usadas. Isso não é necessariamente bom. Até porque há expressões que são muito repetidas, sem que isso signifique que estão ligadas a setores de sucesso, como por exemplo ‘machine learning’ e ‘inteligência artificial’. Estão em todo o lado,” indica.

O que Jager McConnel não tem qualquer dúvida é que a Europa está na moda, neste momento. “Sem dúvida. Acredito que a Europa está cada vez mais desperta para a tecnologia e para o ecossistema das startups. Aliás, neste momento, é muito difícil ter-se uma startup em Silicon Valley. É verdade que todos os investidores estão lá e será mais fácil angariar financiamento. Mas também é muito mais fácil gastar esse dinheiro. Os engenheiros, os empregados, tudo custa duas ou três vezes mais do que aqui.”

O CEO da Crunchbase assume que aquela que é hoje considerada a Meca mundial das startups será irrelevante no futuro. E Portugal é um dos países que tem estado a sair beneficiado com esta mudança. “Há uma fuga neste momento de Silicon Valley e será maior no futuro. E a Europa ainda vai crescer bastante com esta tendência. Sobretudo Portugal, que está a apostar muito neste setor da inovação.”

A geografia importa. É relevante, por exemplo, por questões de legislação. “Tudo tem a ver com prioridades políticas. Quem pode fazer o quê e onde. Se eu fosse um investidor em tecnologia genética, não iria apostar em empresas de um local onde a legislação fosse demasiado restrita nesse campo,” indica Jager McConnel. E continua.

“Por exemplo, fala-se muito em carros autónomos. É um assunto super fixe, claro. Mas os Estados Unidos, com imensos condutores de camiões, vai, de certeza lançar legislação para impedir grandes avanços nesse campo porque não quer um aumento dramático do desemprego nesse setor. Por isso, um investidor não terá vontade de investir nessa tecnologia ali. Será melhor fazê-lo noutro lado. A geografia importa, claro. E as políticas e a legislação também.”

Mas a posição no mapa-múndi também é uma carta importante na jogada. Que o diga Milan Reinartz, alemão a viver há 15 anos na Nova Zelândia, fundador da Postr, e que decidiu construir um centro de operações em Portugal. “Tem um ótimo acesso à Europa Central, mas também ao Norte de África e à América Latina. É um bom local se queres entrar nesses mercados,” explica o responsável da empresa parceira da Meo, que criou a aplicação que permite colocar publicidade no ecrã do telemóvel, quando este se encontra bloqueado.

Carlos Moedas não tem dúvidas que o país está pronto para assumir o papel de centro global da tecnologia. “Lisboa tornou-se um centro para a inovação, pela capacidade científica, e consegue atrair conferências como a Web Summit, que têm trazido investimento para o país. Porto, Aveiro, Braga e Coimbra também são grandes pólos de atração, sobretudo as universidades, que estão no centro, e têm empresas em redor,” afirma.

O comissário europeu para a Inovação, Ciência e Investigação tem a certeza que presença da conferência tecnológica organizada pela equipa de Paddy Cosgrave na capital portuguesa está a dar uma grande ajuda às startups europeias e, sobretudo, a ecossistema empreendedor português. “Quem pode ganhar mais é Portugal. Mas a Web Summit também é muito boa para a Europa, que precisa de se posicionar na área do empreendedorismo,” conclui.

Com Ana Marcela e Diogo F. Nunes

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