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SOLshare. Energia partilhada do Bangladesh quase a chegar a Portugal

Sebastian Groh é o fundador e CEO da SOLshare que quer revolucionar a energia do Bangladesh. FOTO: Direitos Reservados
Sebastian Groh é o fundador e CEO da SOLshare que quer revolucionar a energia do Bangladesh. FOTO: Direitos Reservados

O potencial é para mudar o mundo e acabar com a pobreza energética. Criada por um académico alemão a startup recebeu 430 mil euros da EDP Ventures.

O empreendedorismo não estava propriamente nas metas pessoais de Sebastian Groh. Este alemão, a desenvolver um doutoramento em energia, estava, em 2014, fascinado com a realidade energética do Bangladesh. “Fui por interesse académico. Lá existem cinco milhões de casas com painéis solares, o que significa que 25 milhões de pessoas têm a energia solar como fonte primária de energia. É um recorde mundial. Não há país nenhum que tenha esta taxa de penetração de energia solar. Isto acontecer no Bangladesh é inacreditável”, explica ao Dinheiro Vivo.

Por outro lado, é também nesta parte do mundo onde se encontra maior pobreza energética. “A pobreza energética é o problema mundial mais crítico do mundo. Mata mais gente do que a malária e o vírus VIH juntos. Está muito relacionada com a fome”, conta. “Não estamos só a falar de falta de luz. A energia serve para muitas coisas: carregar telemóveis, ligar a televisão, ter um frigorífico. A questão do frigorífico é essencial: serve para conservar medicamentos, ter uma bebida fresca – muitos nunca tiveram -, poder ter carne para comer, ou peixe.” Sebastian Groh quis ir ao Bangladesh estudar o cenário com os seus próprios olhos. Não esperava ficar lá. Mas ficou mesmo.

Criar uma empresa com a realidade energética do país foi outra das metas que não estavam traçadas mas que acabaram por acontecer. “Eu nunca quis ser empreendedor, mas queria entrar na Universidade de Stanford. Eles têm um programa, o Stanford Ignite, para estudantes de doutoramento que mostrem ter feito uma qualquer descoberta interessante. Só que temos de construir uma empresa assente nessa descoberta e fazemos a candidatura com essa ideia. Portanto, para dizer a verdade, só pensei nisto para entrar em Stanford. Mas eles consideraram a ideia tão boa que me convenceram a pô-la em prática.”

E foi dessa forma que nasceu a SOLshare, uma empresa de missão social, assente na premissa da economia partilhada, “criada quando a questão da economia partilhada ainda nem sequer estava na moda”, que permite que o excesso de energia produzido numa casa possa ser vendido a uma outra habitação sem qualquer fonte energética, através de uma Solbox, uma caixa com tecnologia desenvolvida pela startup de Sebastian Groh. “No Bangladesh as pessoas sofrem imenso de pobreza energética, com uma eletricidade muito limitada”, indica o fazedor.

Por outro lado, há um desperdício energético imenso, nas casas abastecidas por painéis solares. “O que encontrámos, no terreno, é que muitos dos painéis solares, às duas e três da tarde, tinham a bateria cheia. O sol continuava a brilhar só que a energia era desperdiçada. Isto em cinco milhões de casas com painéis solares, pelas nossas contas resultava em 600 mil horas de desperdício, por dia, em média. Equivale a conduzirmos cem vezes à volta do globo num Tesla Model S.” Era imperativo juntar as duas realidades. Foi o que fez.

O entusiasmo da EDP
A SOLshare recebeu recentemente um investimento de 430 mil euros da EDP Ventures. A sociedade de capital de risco da elétrica portuguesa liderou uma ronda de investimento de cerca de 1,5 milhões de euros, depois de descobrir a startup de Sebastian Groh no programa de aceleração Free Electrons, dedicado a empresas na área da energia, e do qual a EDP Ventures é um dos membros fundadores. “Estamos muito satisfeitos por ajudarmos a alavancar o trabalho notável desta startup, que atua na intersecção de duas áreas muito importantes para o grupo EDP, o acesso universal a energia sustentável e a eficiente utilização da geração solar residencial” indicou, em comunicado, na altura, Luís Manuel, administrador da EDP Inovação.

“A equipa da EDP ficou bastante entusiasmada com a nossa tecnologia. Identificaram-se muito com a missão do projeto e acreditam que, no futuro, uma solução deste género será bastante comum nas cidades do mundo inteiro. Tem um potencial revolucionário. E acham, por exemplo, que funcionaria lindamente em Lisboa.”

Não foi só em Portugal que o fazedor alemão recolheu o entusiasmo dos seus pares. Devido à sua ideia, Sebastian Groh entrou na restrita comunidade Technical Pioneers, do Fórum Económico Mundial, que junta empresas com elevado potencial de criar impacto positivo na economia e na sociedade. “Sim, isso foi outra coisa que deixou a equipa da Stanford impressionada.”

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