Inovação

Impressiv3D. Já se imaginou retratado em três dimensões?

Entre as várias soluções 3D que produz, Abílio Alves também faz "bonecos" à medida. Fotografia: André Rolo/Global Imagens
Entre as várias soluções 3D que produz, Abílio Alves também faz "bonecos" à medida. Fotografia: André Rolo/Global Imagens

Na loja de Abílio Alves, no centro do Porto, o cliente consegue uma réplica fiel de si próprio em cinco tamanhos

Um casal londrino repetiu neste ano as férias no Porto para poder ir à loja Impressiv3D, de Abílio Alves, e obter as suas réplicas em três dimensões. Com isso, fizeram uma surpresa à filha, que caiu de espanto quando viu as “estátuas” dos pais na montra.

Outro casal, de médicos, veio de Nova Iorque à procura da mesma emoção e, como eles, outras pessoas chegam de Sydney, Berlim, Paris ou Madrid para usufruírem do encanto da sua própria imagem em miniatura.

Mas o êxito não é só lá fora. Por cá, alguns famosos já trataram de se imortalizar na versão futurista. Foi o caso do músico Tozé Santos, vocalista e líder do grupo Per7ume, e do historiador Martins Pereira, presidente da Porto Histórico e Medieval. Ambos deixaram-se seduzir pela nova modalidade.

Houve até noivos a recorrer à técnica para poderem ficar em cima do bolo, eles mesmos, no dia do casamento; uma grávida fez igual opção, mas para registar aquela fase especial da sua vida. De resto, é só dar largas à imaginação, que pode abranger os animais de companhia, por exemplo.

Quem se quiser submeter à inovação tem de esperar três ou quatro minutos, o tempo suficiente para um scanner 360 graus, sobre uma base rotativa, fazer a imagem de cada pessoa.

O ficheiro que sair da digitalização é editado e segue, depois, para a impressora 3D que reproduz a imagem num composto cerâmico. Consoante a complexidade do retrato, o trabalho de impressão poderá demorar até 20 horas.

Há cinco tamanhos à disposição do cliente, entre os dez e os 19 centímetros de altura. “Pode ser inferior, mas a qualidade já não será tão boa”, avisa o empresário. O que a pessoa tiver vestido, calçado ou usar de ornamentos e a expressão que adotar no momento, assim vai ficar no boneco. Os preços oscilam entre 80 e 120 euros por unidade.

Também se pode fazer a “estátua” a partir de uma fotografia, mas Abílio Alves esclarece que o processo “é mais moroso (dois ou três dias) e significativamente mais caro”.

Não é só retratos
A loja, numa das artérias centrais do Porto, a Rua Formosa, “é muito procurada por turistas”, por isso, o empresário sugere uma consulta ao site, para se fazer o agendamento do serviço, e assim evitar esperas desnecessárias.

A conveniência da marcação prévia tem outro motivo. É que os equipamentos podem estar a ser usados para responder a encomendas de diferentes origens. Estamos a falar de próteses ou outros dispositivos médicos; soluções para arquitetura e engenharia; protótipos para fins industriais, nos setores do calçado, mobiliário, moldes, brinquedos… A empresa faz desde o desenho técnico, à digitalização e a posterior impressão 3D.

É assim há ano e meio, desde que Abílio Alves, de 45 anos, decidiu abrir o espaço na cidade onde nasceu, como uma necessidade, para criar o seu próprio emprego, e como uma oportunidade, para cumprir um sonho antigo.

Percurso multicolor
Ainda estudou Direito, mas o gosto por História falou mais alto e foi esse curso que lhe deu a licenciatura. Após dois anos a dar aulas, viu que, sem horários completos, estar no ensino “não era vida”. Encontrou uma saída na banca – área “em que nunca quis trabalhar” -, mas acabou por ser bancário durante 12 anos. Passou por duas instituições financeiras, um percurso que abandonou há dois anos.

Para começar a nova etapa contou com um apoio do microcrédito, ao qual juntou mais algum capital próprio. A intenção era investir no negócio da impressão 3D.

“Era um hobby que eu tinha desde há uns seis anos, até que descobri em Espanha uma máquina a fazer este tipo de retratos. Mal a vi, deu-se o clique. Soube logo que era aquele o meu negócio e que tinha de o abrir no Porto”, descreve Abílio Alves.

Para futuro, o empresário admite mudar de instalações e contratar uma pessoa, para lhe prestar apoio na parte operativa, e assim ficar mais disponível para se dedicar à gestão e divulgação da empresa, até aqui apenas dependente do simples passa-palavra, real e virtual.

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