2013: Ano de fazedores da Saudade

Rodrigo e os sócios
Rodrigo e os sócios

Mesmo que se confirmem as previsões de crescimento económico,
Portugal não vai poder disfarçar a saída da crise com menos
população. A Comissão Europeia prevê uma redução da população
residente de 1,3% entre o início da crise financeira internacional e
2015, o correspondente a 130 mil pessoas. A tendência acentuou-se em
2012, ano em que a população caiu 0,4%. Este ano, a Comissão
Europeia prevê uma redução de 0,7% da população. Mas a crise é
também oportunidade de negócio.

Leia também: As viagens são o negócio deles

Aquilo que, há uns anos, era um negócio unicamente dedicado aos
turistas e visitantes do país, encontra na crise uma oportunidade de
negócio: os portugueses que vivem fora do país têm uma
oportunidade para matar as saudades de casa e, ao mesmo tempo,
desempenham um papel de embaixadores do país a que, na maior parte
das vezes, pensam voltar.

Foi não só mas também pelas saudades que Dina Martins e Olga
Cruchinho abriram a loja A Portuguese Love Affair, onde vendem
bocadinhos do país em cada recanto dos 28 metros quadrados da loja
que inauguraram em Londres, em agosto último. Da Bordallo Pinheiro à
Claus Porto, muitas pequenas e grande marcas compuseram o bouquet
português: os cadernos da Beija-flor, as agendas e lápis da Fine &
Candy, os livros Serrote, os laços Mario Bow-Ties, as camisas
Daniela., os vinagres Creative e as conservas açorianas Sta.
Catarina ou Maria Organic, entre muitos outros. Vinte e sete
fornecedores portugueses. Por enquanto. “Não queremos transformar
a loja numa confusão mas achamos que é uma boa forma de dar a
conhecer Portugal e mudar a imagem que os portugueses têm de si
próprios”, esclarece Olga.

Leia aqui a história da A Portuguese
Love Affair.

Luís Fonseca e Sandy viveram um processo semelhante mas em
França. A viver fora de Portugal, tinham saudades de muitas coisas.
O Portugal ao Domicílio é resultado dessas saudades e das saudades
que eles reviam nos outros portugueses. Com um investimento de 15 mil
euros, lançaram, no final do ano passado, o site onde, a partir de
qualquer parte do mundo, se podem comprar produtos portugueses que,
diretamente do centro logístico no Porto, são enviados para
qualquer ponto do globo. No Portugal ao Domicílio (leia aqui a
história da empresa
)
, Luís
e Sandy vendem bacalhau, vinho, pomada Halibut, pasta de dentes
Couto, pastilhas Gorila, rebuçados Dr. Bayard, conservas Minerva,
leite com chocolate Ucal e refrigerante Sumol, e muitas outras marcas
e produtos, de vinhos a cervejas, de brinquedos a livros. Tudo
produtos nacionais. E nem as alheiras ficaram de fora: Luís e Sandy
encomendam o enchido a um fornecedor que o entrega, fresquinho,
sempre que alguém o encomenda.

Do outro lado do Atlântico, os portugueses Rodrigo Castelão e
Luís santos, juntaram-se aos brasileiros Adailto Fonseca e Diego
Dias para criarem a Arte Conventual, uma empresa de produção e
distribuição de pães e bolos especializada na doçaria conventual
portuguesa. A experiência de três dos quatro sócios nos hotéis da
rede Pestana facilitou os contactos e os estudos do mercado hoteleiro
do Rio de Janeiro. O investimento, só em capitais próprios – e que
os sócios não revelam -, permite produzir todos os dias mais de
seis mil unidades de pães e bolos. Em breve, a Arte Conventual
prepara-se para a mudança para a nova fábrica em Rio Comprido, no
centro da cidade. Entretanto, a empresa produzia os pastéis de
Tentúgal e de nata no Complexo do Alemão, uma escolha relacionada
com o controlo de custos e com a função social a que os donos da
Arte Conventual querem ser associados.

Leia mais sobre a Arte
Conventual aqui.

A ideia andava há muito tempo na cabeça de Belinda Sobral mas
foi quando ficou grávida que decidiu pôr mãos à obra. A taberna
do avô Daniel estava fechada e Belinda queria dar-lhe uma nova vida.
Por isso, voltou a viver em Silha do Pascoal, Grândola, e entre as
taças de barro e o fogão – que fica sempre sob a administração da
mãe de Belinda, Edeme – serve pão alentejano, azeitonas, canja
caseira e açorda de baldroegas, entre outros petiscos. A engenheira
do ambiente deixou entretanto o negócio entregue a outros donos mas
mantém a atenção na taberna que nunca vai deixar de fazer parte da
família.

Leia a reportagem aqui.

Também foi pela memória que Alexandre Caldas tomou a decisão de
recuperar uma cadeira que a fábrica que o pai tinha comprado depois
do 25 de Abril produzia. Através da AROUNDtheTREE a cadeira Gonçalo
foi reinventada, construída com madeira e cortiça. “Queríamos
criar algo diferenciador para o mercado mas que ao mesmo tempo
tivesse uma história”, explica Soraia Rangel Caldas, mulher de
Alexandre, formada em Marketing e Publicidade e que se juntou ao
projeto. Para o lançamento da marca – o nome inglês foi pensado
desde o início como um passo na estratégia de internacionalização
– registaram a patente da Gonçalo de madeira (a da cadeira de ferro
pertence à empresa do pai) e reinterpretaram a cadeira histórica,
com um modelo feito em madeira e cortiça, chamando-lhe Portuguese
Roots.

Leia a história da AROUNDtheTREE aqui.

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