Turismo

“Com uma ocupação dos hotéis de 90%, só podemos ficar satisfeitos”

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Associação da Hotelaria confirma sucesso da Web Summit no alojamento. Os hotéis tiveram duas vezes mais pessoas do que o normal para a época

Chamar um táxi em Lisboa nos últimos quatro dias não foi tarefa fácil. A circulação agravou-se em hora de ponta e tanto o metro como os autocarros sentiram um acréscimo de movimento apenas comparável a dias de derby de futebol ou aos festivais de verão. Esta foi a face mais visível dos 53 mil que rumaram à capital para a Web Summit, mas não é a única: os hotéis duplicaram a ocupação, registando valores de época alta, conta ao Dinheiro Vivo Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP).

“As taxas de ocupação em novembro, na melhor das hipóteses, rondam os 50%. Este é o normal em novembro. Se estamos a falar de uma taxa de ocupação superior a 90% nestes últimos dias, só temos de ficar satisfeitos”, afirmou em vésperas do congresso nacional do setor, que se realiza na próxima semana em Ponta Delgada.

“Temos de saudar os governos que lutaram pela vinda da Web Summit para Lisboa, porque a hotelaria precisa de eventos fora da época alta. Hoje, a época alta em Lisboa decorre de abril a outubro e, portanto, o que precisamos é de congressos fora dessas épocas. Desse ponto de vista, a data foi muito bem escolhida para a Web Summit e temos de ficar contentes porque há mais três anos de Web Summit”, lembra Raul Martins, não esquecendo que “além disto, o evento da Web Summit, em si, pode fazer de Lisboa o berço das startups”, que estão a receber fortes apelos para basearem os seus negócios em Lisboa.

Para receber tanta gente, a hotelaria concertou-se. Raul Martins lembra a centralização feita pela Câmara de Lisboa em coordenação com a Associação de Turismo de Lisboa, que decidiram desde cedo todos os passos a tomar. “Todos os atores do turismo estiveram atentos a esta situação”, conta.

O alojamento local também teve uma “procura dentro do esperado”, apesar de muitos dos visitantes “terem aproveitado para ficar em casa de amigos ou de familiares”. Mas com Web Summit por mais dois anos – e possibilidade de prolongamento por outros dois -, a AHP lembra que “aquilo que nós percecionamos nos mais jovens é que, se não são hoje clientes de hotéis, vão sê-lo amanhã. Gostamos de semear para depois colher”, justifica o presidente.

Com a enchente destes quatro dias, que se segue a um verão em pleno, o setor hoteleiro deverá encerrar 2016 com novo recorde de turistas a visitar Portugal. Além disto, a forte procura permite ao setor antever um fecho de ano com uma média de ocupação “superior a 65%”.

Não é só: “Nesta data, com as reservas que já temos para 2017, em comparação com o que se verificava há um ano, já conseguimos saber que no ano que vem haverá novo recorde de turistas no país”, lembra Raul Martins.

O grande objetivo do setor, no entanto, parece estar ainda distante: competir com França, Itália e, mais longe, com Londres. Da mesma forma, encontrar margem para que os preços médios por noite se aproximem da média da Europa, deixando para trás os dias de Portugal destino barato para férias. “Vamos aproveitar as boas taxas de ocupação para melhorar os preços”, afirmou, lembrando que “estes países da Europa têm tido um crescimento que nós apenas com as low-cost é que conseguimos obter”.

Há, no entanto, constrangimentos a superar, como o esgotamento do aeroporto de Lisboa e “as questões por resolver com a Força Aérea”. A AHP defende, por isso, a abertura da base aérea do Montijo como potenciador do crescimento das companhias aéreas e do setor do turismo e ainda como fortalecedor da hotelaria na margem sul do Tejo”, e atrativo para destinos como Setúbal, Troia e Alentejo.

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