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7 minutos com Paddy. Pai da Web Summit deixa um pitch às startups

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Irlandês sugere que startups portuguesas criem um grupo para encontrar os melhores investidores do mundo em hotéis e fala sobre alterações climáticas

Habituado aos pitch, numa conversa de sete minutos com o Dinheiro Vivo o líder da Web Summit dá dicas às startups que vão participar na cimeira, em Lisboa. A entrevista decorreu depois da apresentação do programa Inspire Portugal, que oferece 10 mil meios bilhetes a 7,5 euros para jovens entre 16 e 23 anos – entretanto esgotados.

Paddy Cosgrave aproveita para explicar a presença da modelo Sara Sampaio e do vice-presidente da liga mundial de wrestling e os desastres naturais em Portugal e Irlanda.

Minuto 1
Uma startup que vai participar na Web Summit pela primeira vez ainda está a tempo de seguir alguns conselhos para tirar o melhor partido desta cimeira: “Leiam os nossos emails, que são enviados quase todos os dias. Alguns participantes já estiveram em outros eventos deste género, mesmo no estrangeiro, mas para muitas startups este é a primeira grande conferência e podem nem ter noção da preparação necessária. E ainda há muita gente que comete o grande erro de pensar que o trabalho da Web Summit começa às 9h e acaba às 17h e vai para casa descansar ou ver séries no Netflix”.

Minuto 2
Segundo ponto importante para Paddy Cosgrave: “Entre as 8h e as 17h os participantes devem estar focados em conhecer o maior número de pessoas possível; depois, é preciso estar ativo também entre as 17h e as 3h. É preciso perceber em que hotel é mais provável estarem os maiores investidores do mundo.” Para descobrir onde estes investidores estão, o irlandês recomenda a troca de mensagens em conjunto. “Eu criaria um grupo no WhatsApp com mais 10 startups portuguesas e começava a partilhar informações e dividir posições entre eles. Nas entradas dos hotéis, às 23h ou mesmo à meia-noite, é onde acontecem algumas das conversas mais produtivas e começam-se a construir relações com potenciais investidores”, alerta.

Minuto 3
“A Web Summit é como um primeiro encontro para as startups.”É desta forma que Paddy Cosgrave fecha a parte da entrevista dedicada aos participantes na cimeira. Perguntamos se a Web Summit se diferencia cada vez mais da concorrência, uma vez que conta com a modelo Sara Sampaio e o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. “A transformação digital afeta todas as indústrias, mesmo a moda. A Sara Sampaio tem quase seis milhões de seguidores no Instagram. Ela é uma marca e é mesmo muito famosa. Conseguimos convidá-la através das ligações aos editores da revista Vogue.” O líder da Web Summit lembra que “os oradores da cimeira mostram que há mudança em todas as indústrias e não é apenas em nichos de mercado”.

Minuto 4
A cimeira tecnológica também vai discutir o futuro das cidades, com a vinda, por exemplo, de representantes dos municípios de Paris e de Berlim, “que estão a sofrer grandes transformações nos transportes, graças à Uber, e no turismo, graças à Airbnb”. Paddy Cosgrave entende também que “há novas políticas que devem discutidas e partilhadas, sobretudo através do Twitter. Há 150 anos ainda não era óbvio que as crianças teriam de ser educadas e a maneira como deveriam ser educadas. Não se pensava em mandá-las para as escolas logo aos cinco anos”. O líder da Web Summit contou também que está “muito interessado” em ouvir o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Minuto 5
Depois de lembrar que o antigo primeiro-ministro português vai falar na sessão de abertura, na noite de segunda-feira, 6 de novembro, e na manhã do dia seguinte, Paddy Cosgrave revela outro dos seus grandes interesses: Al Gore. “É uma personalidade que sigo há muito tempo e que responde ao meu grande interesse pelas alterações climáticas.” Paddy Cosgrave faz um desvio e aproveita para falar de um orador pouco habitual nestas cimeiras: o vice-presidente da liga mundial de wrestling (WWE). “As pessoas esquecem-se que esta modalidade é um grande fenómeno global. O Paul Levesque vai contar como eles usam a tecnologia para tornarem a marca mais global e com mais sucesso. Usam as redes sociais de maneira fenomenal e ninguém faz vídeo como eles. Há muita gente que acha isto ridículo. Não o é.”

Com menos de dois minutos, faltava regressar à questão sobre as alterações climáticas. Paddy Cosgrave deveria ter feito a apresentação do Inspire Portugal na semana passada. Só que no dia 16, Portugal enfrentava os efeitos dos fortes incêndios e o primeiro-ministro António Costa acabou por não estar no evento da Web Summit. No rescaldo dos fogos, a Web Summit anunciou uma parceria com a The Navigator Company para plantar 95 mil pinheiros na região centro para neutralizar as emissões de carbono efetuadas pelos participantes durante a Web Summit e ainda pelas deslocações de avião. Seriam estas iniciativas suficientes para a Web Summit ajudar o país? E foi aí que surgiu um ponto em comum entre Portugal e Irlanda: os fenómenos atmosféricos extremos, como o furacão Ofélia, que, mesmo depois de passar a tempestade tropical, provocou quatro mortos na Irlanda, país de origem da cimeira.

Minuto 6
“O Ofélia foi uma tragédia e morreram pessoas, apesar de ter sido uma dimensão menor que em Portugal”. Situações como esta mostram que estamos a assistir a “padrões a que não estamos habituados. Em Portugal, Espanha, Irlanda e na Califórnia vivem-se condições extremas e que exigem uma ação imediata e global”, alerta. E por isso, as alterações climáticas serão um dos principais temas da Web Summit: pela primeira vez, haverá o palco Planet: tech, onde o debate irá decorrer ao mesmo tempo que arranca a COP23, a conferência das Nações Unidas que debate as alterações climáticas e que, nesta edição, vai avaliar em que medida está a ser cumprido o acordo sobre o clima assinado em Paris. “Quanto mais as pessoas pensarem seriamente como as alterações climáticas estão a ocorrer por causa da intervenção humana, mais depressa encontraremos soluções. O que está a acontecer é terrível.”

Minuto 7
No último minuto, Paddy falou da notícia desse dia: a Uber escolheu Lisboa para instalar um centro de excelência europeu. Serão criados 250 empregos diretos até ao próximo ano e a capital vai servir os utilizadores e motoristas europeus da plataforma de transportes e também da aplicação de comida UberEats. Paddy Cosgrave foi apanhado de surpresa: “Não vi as notícias. Wow”, exclamou, depois desaber todos os pormenores sobre o novo investimento de um gigante da tecnologia em território português. Sobre a Uber, o irlandês confessou: “estava previsto que o agora CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, viesse à Web Summit enquanto líder da Expedia. Depois, mudou de empresa”, e a vinda acabou por não se concretizar.

Mas a Uber estará bastante presente durante a cimeira digital, com a vinda de Joe Sullivan, o responsável de segurança da plataforma norte-americana, e do novo responsável de produto, Jeff Holden, que esteve nove anos na Amazon.

Em apenas sete minutos, Paddy Cosgrave recomendou que todas as startups estejam atentas aos emails enviados pela organização e que se juntem em grupo à procura dos melhores investidores pela cidade de Lisboa, nomeadamente nos hotéis. Espera com interesse elas intervenções de Guterres e Al Gore, pelo debate sobre as alterações climáticas e ainda pela participação inédita do vice-prtesidente da WWE.

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