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Filipa Larangeira. Como mudar o mundo, com uma startup de cada vez

Filipa Larangeira tem vários projetos em mãos. Foto: Reinaldo Rodrigues / GI
Filipa Larangeira tem vários projetos em mãos. Foto: Reinaldo Rodrigues / GI

Um livro sobre empreendedorismo, uma startup de RH e um projeto de bem-estar. Filipa Larangeira considera-se uma millennial capaz de fazer a diferença

Idealista, sensível e determinada, o termo millennial assenta a Filipa Larangeira como uma luva. “Há aí uns bichos estranhos que se chamam millennials que vêm agitar as águas nas empresas e perverter o sistema. Já não lhes interessa só o dinheiro, eles querem é propósito”, explica a fazedora, para quem exatamente o propósito é o que lhe comanda a vida.

Licenciada em Direito, deu muitas voltas na sua vida profissional. ; Passou pela Unilever, pela Nokia e acabou por ir dar às startups. Esteve na Vison-Box, na Miniclip e na Uniplaces. “Fiquei farta de pensar ‘se fosse a minha empresa, fazia diferente’. Chega a uma altura em que não quero ser só uma teórica. Quero pôr-me à prova. Acordei a minha saída com o Miguel Santo Amaro [cofundador da Uniplaces] e fui lançar-me nisto de ser empreendedora em outubro de 2016”, conta.

O livro da Queen Be
Com quatro anos de experiência de trabalho em startups, Filipa Larangeira percebeu que tinha um considerável conhecimento de causa. Com algumas ideias já passadas para papel, decidiu escrever um livro. “Quis passar a minha ótica enquanto mulher e millennial. A obra é sobre empreendedorismo. Sobre o que eu acho que tem pés de barro no empreendedorismo e precisa de ser corrigido, especialmente em Portugal.”

Para gerir o tempo e a criatividade à sua maneira e ficar livre de editoras, decidiu financiar o livro ; – com o título Queen Be: How to Avoid the Top Startup Mistakes and Build an Extraordinary Business – através de crowdfunding. A campanha, lançada na plataforma Publishizer em outubro, conseguiu obter a totalidade do valor pedido, 5 mil dólares (4,7 mil euros), logo no mês seguinte.

Os principais patrocinadores foram a sociedade de advogados PLMJ, a Startup Lisboa e a Microsoft. O trabalho será concluído ao longo do ano de 2017.

O Tinder do RH
Ao mesmo tempo que escreve o livro, Filipa Larangeira decide ser consultora. Dedicou-se a ajudar empresas em estratégias de crescimento. “Só que como sou especialista em Recursos Humanos (RH), percebi que as instituições queriam é que eu as ajudasse a recrutar. E eu adoro fazer matchmaking. Deixa-me muito feliz e acho que o faço muito bem. Mas o recrutamento tem uma parte burocrática, de pesquisa, repetitiva, que requer imenso tempo.” Uma noite, pegou no rolo de desenho do filho e começou a desenhar um produto tecnológico que automatizasse toda a sua forma de pesquisa. Nessa noite nasceu a Eyesis, o seu próprio projeto, a sua própria startup.

“Chega a uma altura em que não quero ser só uma teórica. Quero pôr-me à prova. Acordei a minha saída e fui lançar-me nisto de ser empreendedora.”

A Eyesis é uma espécie de Tinder do recrutamento. Junta o talento dos candidatos às necessidades das empresas. “Eu vejo o recrutamento de uma forma holística. Uma pessoa é uma mistura de capacidades e talento. As pessoas não têm noção do seu talento. Os meus maiores casos de sucesso no recrutamento não estavam na sua área de formação.” De novo a Microsoft revelou-se uma grande ajuda. Filipa está no programa BizSpark da empresa, que lhe ajuda com o software, conhecimento e infraestuturas necessários para o seu produto, que ainda está na fase de desenvolvimento.

A cidade do futuro
Mas Filipa Larangeira é tudo isto e muito mais. Um livro e uma startup não foram suficientes e a fazedora ambicionou algo ainda maior. Recentemente lançou-se num projeto de empreendedorismo social.

“Acredito que as empresas têm de contribuir para a sociedade. Por isso, neste momento estou também noutro projeto, que ainda está só a começar.” A ideia é construir uma cidade do futuro. “É a minha grande causa.”

A fazedora já tem uma cofundadora, Christina Lopes, especialista na área do bem-estar, e até um potencial investidor interessado no projeto. “Assentará na premissa wellbeing for all. Bem-estar para todos e a todos os níveis.”

Filipa Larangeira admite que ainda não pode divulgar grandes detalhes, mas adianta que a ideia terá uma componente física, aliada a todo um desenvolvimento digital. “Eu acho mesmo que é possível mudarmos o mundo e torná-lo um lugar ainda melhor. É só preciso juntar o melhor do ser humano com o melhor da tecnologia.”

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