A cerveja feita em casa. Para já

Susana Cascais e Scott Steffens
Susana Cascais e Scott Steffens

A cerveja artesanal Dois Corvos é a prova de que em Seattle, nos Estados Unidos, há vida para além do grunge, da chuva e das cadeias de café Starbucks. Há também cerveja artesanal e da boa. Durante dez anos, a portuguesa Susana Cascais experimentou a cerveja made in Seattle, feita em casa pelo marido, Scott Steffens, que começou a fazer as primeiras experiências enquanto estudava engenharia de software.

Quando há dois anos começou a desenhar-se o regresso a Portugal, o equipamento caseiro de produção de cerveja veio no porão do avião. E em boa hora tomaram essa decisão. “Não queríamos estar obrigados a consumir cerveja industrial e começámos a fazer cerveja em casa”, lembra Susana Cascais.

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Por cá, a produção de cerveja artesanal ainda era uma novidade e nos jantares os amigos apreciavam o travo da bebida feita em casa em Lisboa, com sabor a terras do Tio Sam. A dificuldade em arranjar emprego depois de vários anos no marketing da Starbucks e da criação da sua agência de publicidade, a Frank Unlimited, veio dar o impulso definitivo: a overqualified Susana Cascais lançava-se assim na criação da sua marca, a Dois Corvos, com o marido. “É uma pequena homenagem à cidade de Lisboa”, diz. “Era uma das poucas capitais europeias que não tinha qualquer expressão na produção de cerveja artesanal e achámos que seria bom criarmos uma marca aqui.”

A identidade da Dois Corvos foi criada pelo amigo designer Miguel Reis (da agência de publicidade Partners) em troca de “um fornecimento vitalício de cerveja”, brinca Susana Cascais. Agora, até ao lançamento no mercado, previsto para o verão, há um apertado calendário a cumprir. Da sala que têm na Startup Lisboa Comércio – foram um dos selecionados, em cerca de 200 candidaturas – preparam o minucioso cronograma.

“Estamos a negociar com vários distribuidores”: cafés e restaurantes, mercearias de bairro e lojas gourmet são alguns dos canais de venda que estão a ser definidos. A escolha é cuidadosa para garantir uma “boa experiência” aos consumidores da Dois Corvos. A cerveja não “pode estar num barril ao sol no do quintal do café”, frisa Susana Cascais. A produção será feita “numa fábrica no centro de Lisboa”, diz. “Estamos a fechar agora o acordo” – pelo que prefere manter o nome em segredo.

Entretanto, na cozinha lá de casa, vão produzindo pequenos lotes, fazendo experiências com os lúpulos, buscando o equilíbrio perfeito de sabor e fazendo provas com os amigos, o melhor focus group. Em agosto, Susana e Scott querem colocar nas mãos dos consumidores garrafas de 33 cl de Dois Corvos. Tudo com capitais próprios, apesar do investimento “substancial”. “Queremos ser o mais independentes possível e ter controlo sobre todo o processo”, justificam.

A Dois Corvos tem página no Facebook onde se aceitam encomendas. Por isso, Susana Cascais acredita na aceitação das cervejas artesanais junto do público. Afinal, até os gigantes cervejeiros estão a apostar. “Perceberam que é um nicho de mercado que pode ser explorado.”

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