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Academia de Código. Um curso intensivo para mudar de vida

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Academia de Código. Um curso intensivo para mudar de vida

Os cursos intensivos da Academia de Código, startup que dá formação em programação, vão chegar a Gaia.

João Claro trabalhava numa bomba de gasolina. Achava que era “um emprego sem futuro”, mas estava num dilema: para mudar de vida e encontrar um emprego melhor tinha de voltar a estudar e para isso tinha de deixar de trabalhar. Durante dois anos foi adiando os sonhos. Um dia, e até porque o bichinho já lá estava, sugeriram-lhe tentar a sua sorte e candidatar-se a um curso da Academia de Código. Assim fez. Dois anos depois trabalha numa empresa tecnológica holandesa no Fundão, a Fruition Partners.

Catarina Machado estava numa situação diferente. Com uma formação de base na área do marketing, decidiu mudar de vida quando já estava entusiasmada com o mundo da programação. “Tive conhecimento da Academia de Código porque no trabalho anterior tive um ligeiro contacto com programação e comecei a ganhar o gosto de querer saber mais. Comecei por ser autodidata. Na área do marketing é difícil arranjar emprego. Decidi enveredar por esta nova aventura.” Concluído o boot camp [curso intensivo], Catarina foi a várias entrevistas de emprego. “Quando estava em marketing, eu é que tinha de ir atrás e procurar [emprego]. O facto de na área de IT [informática] haver muita procura e muita necessidade de programadores”, e acabar por poder escolher onde quer trabalhar, foi uma surpresa. Escolheu a Novabase, uma tecnológica portuguesa.

A Academia de Código é uma startup portuguesa que dá formação na área de programação. O primeiro projeto-piloto aconteceu em 2015, para licenciados que estavam desempregados e com menos de 30 anos. Agora, as condições de acesso já são diferentes. “Hoje em dia temos os critérios totalmente abertos. O mais importante é realmente a motivação e estarem disponíveis para, durante 14 semanas, não terem vida, ou melhor, darem a vida, o corpo e a alma. Não estamos focados em se tem diploma ou não. Percebemos que o mais importante é ter as skills de que as empresas precisam”, conta João Magalhães, CEO da startup.

Há três anos havia 150 mil jovens licenciados desempregados e cerca de 15 mil postos de trabalho na área das tecnologias da informação por preencher. A Academia de Código ambicionava ajudar alguns desempregados a mudarem de vida e a colmatar esta falha de mercado. O objetivo ainda é semelhante: ajudar a mudar vidas mas no “ambiente que se vive hoje, de uma necessidade louca deste tipo de perfil”.

“Estamos a abrir candidaturas para a 21.ª edição. Já passaram mais de 350 pessoas pelos nossos boot camps. Já existem pessoas a trabalhar em mais de 50 empresas que desenvolvem tecnologia em Portugal e até ao final do ano devemos chegar às 500” pessoas que fazem estes cursos intensivos, aponta.

O primeiro projeto-piloto realizou-se em Lisboa, três anos depois a Academia de Código tem já boot camps no Fundão, na ilha Terceira e prepara-se para lançar estes cursos numa nova cidade: Vila Nova de Gaia. O primeiro arranca em setembro, com 20 vagas. “Tínhamos muitos pedidos da região norte. Andávamos há algum tempo a programar isto. Primeiro, foi os Açores e, nos nossos objetivos, logo a seguir, estava abrirmos no norte. Algumas empresas que já contratam os nossos alunos, e que também têm escritórios em Gaia, pediam para irmos para lá. Com estas quatro localizações, temos oferta para quase todas as pessoas”, justifica.

Com a chegada a Portugal de várias empresas estrangeiras na área tecnológica – em busca de mão-de-obra qualificada na área informática -, as companhias portuguesas têm concorrência direta na captação de talentos.

Para ultrapassar esta questão, a Novabase tem uma parceria, que abre a porta a uma entrada para a empresa após o curso. “O talento é escasso. A formação académica mais formal nestas áreas é excelente e Portugal caracteriza-se por isso mas, nos dias de hoje, não chega. Temos a noção clara de que há talento que continua por identificar. Foi isso que quisemos fazer, acima de tudo: alargar a nossa base de recrutamento”, diz Vera Leitão, da Novabase.

“Primeiro tivemos uma postura mais passiva: conhecemos a Academia de Código e alguns dos alunos que fomos contratando. Avançámos mais recentemente para uma parceria. Apostamos à entrada nestas pessoas, oferecendo bolsas de formação e uma promessa, por assim dizer, de contrato de trabalho na Novabase, se concluírem esta formação com sucesso.”

A Academia de Código não esconde que a internacionalização do negócio está nos plano da empresa. Ainda assim, não pretende para já levantar uma ronda de financiamento, como fizeram – com sucesso – outras startups portuguesas.

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