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Adapttech. Encaixe perfeito entre a prótese e a perna

Mario Espinoza e Frederico Carpinteiro, fundadores da Adapttech, startup que desenvolve moldes 3D para encaixe perfeito entre a prótese e a perna do amputado. 
(Artur Machado / Global Imagens)
Mario Espinoza e Frederico Carpinteiro, fundadores da Adapttech, startup que desenvolve moldes 3D para encaixe perfeito entre a prótese e a perna do amputado. (Artur Machado / Global Imagens)

Tecnologia de modelos 3D criada no Porto acaba de receber mais de dois milhões de euros de investimento.

É a partir do Porto que está a nascer uma solução que vai transformar a vida das pessoas com membros inferiores amputados: a tecnologia de modelo 3D da Adapttech permite o ajuste perfeito entre o coto da perna e a prótese e pode reduzir em praticamente três meses o período de tratamentos. A solução criada por Mario Espinoza e Frederico Carpinteiro acaba de receber mais de dois milhões de euros de investimento dos fundos Hovione Capital e Mercia e prepara-se para as vendas na Europa.

“Atualmente, as próteses são ajustadas tendo em conta o molde de gesso. É um processo que costuma ser muito manual. Com o sistema Insight, é feito um modelo 3D, que vai surgir numa aplicação e recolher dados enquanto o paciente está a andar com a prótese. O técnico, com estes dados, vai reajustar a prótese tendo em conta a informação dada pelo nosso sistema”, explica Mario Espinoza.

Para conseguir o encaixe perfeito entre a prótese e a perna, a Adapttech recorre a um laser, um dispositivo com sensores – posto na perna do amputado – e uma aplicação. Pontos de pressão, temperatura e zonas de desconforto são as informações fornecidas pelo software desenvolvido a partir da associação Founders Founders.

O amputado só fica a ganhar com esta solução: “por exemplo, em vez de as pessoas, até terem a prótese perfeita, demorarem 10 consultas e 3 meses, depois da amputação e sem qualidade de vida, as pessoas demoram 1 semana e duas consultas”. Esta solução já está a ser testada no centro de reabilitação do Alcoitão, junto de 20 pacientes.

Mas como a Adapttech é uma startup da área da saúde, há um longo caminho entre a ideia e o arranque das vendas. Mario Espinoza estava a trabalhar com dispositivos vestíveis, enquanto tirava o doutoramento na faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; Frederico Carpinteiro estava a desenvolver tecnologia 3D. O projeto começou em 2015, numa sala partilhada da cave do UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto. No mesmo ano, os dois fazedores entraram no programa COHiTec, da COTEC.

O percurso da Adapttech tem sido recheado de desafios. “Estivemos mais de um ano na corda-bamba e chegámos várias vezes a pensar em fechar a nossa startup.” Os dois fundadores estavam por sua conta e risco e Mario tinha mesmo investido todo o dinheiro das poupanças para o casamento. “Convencer a minha esposa é que foi um bocado mais difícil, porque estava a pagar para trabalhar.”

A crença de Mario e Frederico deu resultado em 2016, com o primeiro investimento: o fundo de capital de risco da farmacêutica portuguesa Hovione injetou cerca de um milhão de euros na Adapttech.

Ronda de dois milhões
Dois anos depois, a Adapttech já conta com uma equipa de 17 pessoas e até mudou a sua sede do Porto para o instituto de Medicina Translacional de Birmingham, no Reino Unido – mantém o escritório no Porto, com 14 pessoas. Graças a isto, acabou de fechar uma ronda de investimento de 2,3 milhões de euros: 1,5 milhões da parte dos fundos Hovione Capital e dos britânicos Mercia, que lideraram a operação; os restantes 700 mil euros são fundos europeus, sobretudo do Portugal 2020.

Além de reforçar a equipa no Reino Unido, este financiamento vai servir para “terminar o processo de certificação” da tecnologia portuguesa e “começar a vender [o produto] na Europa”, destaca Frederico Carpinteiro. A startup portuguesa já acumula 3,2 milhões de euros de investimento.

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