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ALA As viagens de finalistas passam agora pelas capitais europeias

Diogo Oliveira e Artur Vieira da ALA Viagens. Fotografia: Artur Machado / Global Imagens
Diogo Oliveira e Artur Vieira da ALA Viagens. Fotografia: Artur Machado / Global Imagens

Nem só de sol e copos são feitas as viagens dos finalistas. Há quem prefira visitar monumentos ou museus em Madrid, Paris ou Roma

Férias da Páscoa. Milhares de jovens do ensino secundário rumam por estes dias ao Sul de Espanha para a tão ansiada viagem de finalistas. Sol e praia de dia, discotecas e bares à noite. Uma viagem memorável que antecede a despedida de muitos amigos no arranque de uma nova etapa, seja ela na faculdade ou no mundo do trabalho.

Mas nem todas as viagens de finalistas se limitam a isso. Há agora uma tendência a surgir entre os que preferem juntar amigos e ir até Paris, Londres, Roma, Madrid ou Barcelona. Respirar a cidade, visitar os locais mais emblemáticos, ver museus e monumentos e depois dar um pulo ao parque de diversões mais próximo. É esta a tendência que a ALA Viagens proporciona.

Diogo Oliveira é licenciado em Gestão e Artur Veloso Vieira em Economia, ambos pela Universidade do Porto. Filhos de homens de negócios, no segmento dos sectores têxtil e da distribuição agropecuária, respetivamente, Diogo nunca teve a ambição de ser empresário, ao contrário de Artur, que desde os 4 anos sabia que esse era o seu destino. Aos 7 criou o seu primeiro negócio, se assim se pode chamar: um clube dos correspondentes da revista Caminho e do Clube Juvenil Verbo. Recebia dezenas de cartas e punha em contacto os miúdos com interesses comuns. Um serviço personalizado e precursor do Facebook de Zuckerberg. Depois veio a internet. “O beijo da morte foi quando recebi uma carta que dizia ‘e se trocássemos endereços de e-mail?’. Acabou-se o negócio [risos].”, refere Artur Veloso Vieira. Não era grande negócio, na verdade. Gastava dinheiro em selos, mas ganhava amigos.

Hoje, Artur não tem dúvidas de que a economia digital é o futuro e, por isso, criou a ALA Viagens, uma agência online, o que lhe permite assegurar uma presença de âmbito nacional com uma estrutura de custos “muito leve”. E que é complementada com uma componente presencial muito forte. “A par de um mecanismo de venda muito baseado na internet – toda a burocracia de inscrição, pagamento e documentação está streamlined para que seja o mais simples possível -, temos uma presença física muito próxima dos clientes. Fizemos dezenas de apresentações em escolas de todo o país, aos estudantes e aos pais”, diz Artur Veloso Vieira.

Formalmente constituída em setembro de 2013, a génese da ALA Viagens remonta a 2010, quando Artur e Diogo, finalistas do ensino secundário, quiseram organizar a sua própria viagem de finalistas e não encontraram no mercado oferta à altura das suas necessidades. Barcelona foi o destino escolhido. Ainda organizaram mais duas, a Paris e a Madrid, mas a falta de tempo levou a deixar de lado esta atividade.

“Mas o bichinho ficou. E, no final da faculdade, achámos que podia ser interessante pegar na ideia e profissionalizá-la. Inicialmente, e para testar o conceito, trabalhámos em parceria com a Solnorte, na Maia. Em setembro de 2013, com a alteração da lei – até aí, o custo de ter uma agência era brutal, obrigava a ter 150 mil euros de capital social e 12 mil para o alvará -, criámos a agência e passamos a operar de forma autónoma”, explicar Artur Veloso Vieira.

O negócio vai de vento em popa, mas houve que diversificar a oferta. Quanto mais não seja porque, como destaca Diogo Oliveira, “a Páscoa só acontece uma vez por ano e não nos convém trabalhar para um único período” [risos]. Além disso, garante, os próprios professores e órgãos diretivos da escolas começaram a pedir a organização de programas semelhantes às viagens de finalistas, mas em alturas diversas do ano. E o segmento de viagens escolares está em crescendo.

Mas não só. Estas são complementadas pela marca ALA Festivais que, como o nome indica, assegura serviços de transporte a milhares de pessoas para dezenas de concertos e festivais. Maioritariamente em Lisboa, mas não só. A empresa é parceira oficial do NOS Alive e do Super Bock Super Rock.

“A ideia surgiu da mesma forma. Achámos que fazia falta um serviço dedicado para festivais e concertos. Que dá a liberdade de se sair do Porto ou onde quer que seja e ir até à porta do recinto sem mudar de transporte. Mais importante ainda, sem ter a preocupação, no final do concerto, se este atrasa ou não atrasa, ou se perdem o comboio”, diz Artur Veloso Vieira.

A empresa promete os melhores preços do mercado. Para partidas do Porto para um concerto em Lisboa, por exemplo, os preços vão desde os 18,90 euros por pessoas até aos 24,90 euros. Quanto mais cedo for feita a reserva, mais barato fica. Braga, Guimarães, Porto, Aveiro, Coimbra ou Leiria são algumas das cidades servidas pelo serviço ALA Festivais. Mas há mais. “Só para o NOS Alive temos partidas de 25 cidades de norte a sul do país. E este é já o quarto ano em que o fazemos”, explica Diogo Oliveira.

Em 2014, a ALA Viagens transportou dez mil pessoas, entre as viagens de estudo e de finalistas e o transporte para festivais e concerto, em 2015 terão sido cerca de oito mil. A diferença reside no chamado efeito Rock in Rio. “É um festival que tem sempre um peso grande nas vendas, sobretudo num ano como o de 2014, em que o cartaz foi muito forte”, destaca Diogo.

Em termos de faturação, Artur e Diogo preferem avançar com as perspetivas para 2016: meio milhão de euros. A divisão de negócios entre viagens e música será de 50-50. Dois terços dos clientes da ALA são estudantes do Centro e do Sul. Ao contrário do segmento de música, no qual predominam os compradores no Norte.
A empresa tem um capital social de cinco mil euros, realizado com fundos próprios, e conta com uma equipa de três elementos a tempo inteiro. Em breve serão cinco. E que é complementada com uma carteira de 40 pessoas, sobretudo recém-licenciadas ou estudantes finalistas do ensino superior, que acompanham os clientes nas viagens.

“São monitores. Têm por função acompanhar as viagens e garantir que tudo corre em segurança. São uma componente essencial do negócio porque ajudam a criar uma relação muito próxima com os clientes e a criar um programa dedicado aos reais interesses das pessoas que com eles viajam”, adianta Artur Veloso Vieira.

E os estudantes gostam mesmo ir a museus na sua viagem de finalistas? “Gostam. Mas adaptámos, sempre, as visitas ao tipo de grupo. Os participantes podem sempre optar por prolongar ou encurtar a visita a museus e monumentos de acordo com os seus interesses concretos”, explica. Barcelona é o destino mais escolhido, mas são são cinco as cidades europeias disponíveis nestes pacotes (juntam-se Madrid, Paris, Roma e Londres), escolhidas por serem as que garantem “uma melhor relação de preço qualidade”. Mas há outros destinos, como os Açores, com procura a crescer. Dois terços dos clientes da ALA são estudantes do centro e do sul. Ao contrário do segmento de música, no qual predominam os compradores a norte.

Expandir o negócio além-fronteiras é, agora, o objetivo. O plano de negócios de internacionalização será feito neste ano, muito centrado em aproveitar a experiência em Portugal para a replicar em países com as mesmas necessidades. Em Espanha, por exemplo. Mas não só.

“Queremos aproveitar, ao mesmo tempo, para trazer turistas espanhóis, franceses, ingleses ou alemães aos festivais portugueses. Grande parte deles acontecem no verão e Portugal tem atrativos fantásticos. É esse um dos nossos objetivos para este ano”, avança Artur. Servir outros eventos que não apenas os musicais é mais um objetivo da empresa que, em 2015, foi parceira oficial da Comicon, que decorreu em dezembro na Exponor, em Matosinhos.

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