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Amadeo de Souza-Cardoso salta da tela para a roupa

Amarante, Empresa Diwia, das empresárias Diana Monteiro e Cláudia Lucas, que criaram roupa que retratam os quadros de Amadeo de Souza-Cardoso.

(Octavio Passos/Global Imagens)
Amarante, Empresa Diwia, das empresárias Diana Monteiro e Cláudia Lucas, que criaram roupa que retratam os quadros de Amadeo de Souza-Cardoso. (Octavio Passos/Global Imagens)

Jovem dá nova vida aos quadros, criando peças de vestuário que reproduzem as obras de arte do pintor e junta-lhes bijutaria própria.

O showroom que Diana Monteiro acaba de abrir em Amarante é o culminar de um processo vertiginoso de mudança e ousadia de querer triunfar pela diferença. Mas é também o ponto de partida para uma nova vida dedicada à produção de vestuário, não de um vestuário qualquer. Para começar, são peças cujos tecidos reproduzem quadros de Amadeo Souza-Cardoso.

Para trás ficou uma licenciatura em Reabilitação Motora, que lhe garantiu dois empregos num ano, mas sem sequência, porque “não eram uma garantia para o futuro e o rendimento não era o suficiente”, justifica Diana Monteiro, agora com 28 anos.

Surgiu então a ideia de criar um negócio diferente. No início, a opção recaiu na revenda de vestuário, “mas logo se viu que o mercado estava saturado”. Por isso, idealizou que a solução estaria em fazer algo de produção própria. Houve que voltar a estudar. Desta vez, foram cursos de modelagem e costura, em Amarante, terra onde nasceu.

Começou por criar peças soltas que colocou à venda no Facebook, a par dos produtos de revenda. A surpresa veio quando verificou que as pessoas aderiam mais às suas peças únicas do que ao resto da oferta.

O passo seguinte foi a criação e registo de uma marca e de uma empresa em nome pessoal, com inspiração nas origens e associações do nome Diana, até chegar a Diwia, designação que lhe agradou pela singularidade.

Para o arranque do projeto foram essenciais os apoios quase simultâneos por via do Instituto Empresarial do Tâmega, através do programa Acelera o Teu Negócio, e por via do Empreende Já, formação que frequentou durante seis meses. Passou mesmo à segunda fase do projeto e foi contemplada com uma bolsa de 10 mil euros.

Com o incentivo financeiro, ficou o caminho facilitado para a criação de uma loja própria online, o que aconteceu em janeiro deste ano. Decorridos sete meses, chegou a vez de abrir um espaço físico, um showroom, em Amarante, “para um atendimento mais personalizado, onde as pessoas podem experimentar as roupas”.

Nos cursos frequentados no Instituto Empresarial do Tâmega, a fazedora Diana Monteiro reteve que seria importante demarcar-se da concorrência e foi aí que surgiu a ideia de incluir elementos da cultura portuguesa no vestuário. “A primeira pessoa que me veio à cabeça foi Amadeo de Souza-Cardoso”. A intenção foi homenageá-lo na roupa, numa coleção inteira, neste caso de primavera-verão, para senhora e jovens, que inclui vestidos, calças, saias, calções, t-shirts e blusas, detalha a jovem empresária.

Para completar a oferta, a amiga Cláudia Lucas, 27 anos, juntou-se ao projeto, com bijutaria de aço inoxidável, “para garantir maior durabilidade dos acessórios”, e assim criar um “look ainda mais diferenciado às peças”. Cláudia Lucas, também de Amarante, é licenciada em Ciências da Comunicação.
Diana Monteiro explica que, para a obtenção das imagens, entrou em contacto com a Câmara Municipal de Amarante, que “ajudou dentro das suas possibilidades”. No entanto, para o avanço da coleção diz ter sido “fundamental o apoio de uma amiga designer, Maria Moita, que tem também um projeto relacionado com Amadeo, e que cedeu as imagens pretendidas com a qualidade necessária à produção”.

Os quadros que agora as senhoras podem “vestir” são o Menina dos Cravos, de 1913, e outro sem título especificado, de 1917, embora seja das obras mais conhecidas.
A coleção de homem, acabada de lançar, recuperou o Música Surda (1914-15), outro quadro também sem título, de 1917, e o Máscara de Aço.

As dificuldades produtivas superaram-se quando Diana Monteiro identificou uma indústria, a Norte, que aceitou produzir quantidades de tecido adequadas à dimensão do projeto e, sobretudo, com a técnica certa para “imprimir” as imagens dos quadros nos tecidos usados, no respeito perfeito pelas formas e cores com que Amadeo marcou a sua arte cubista de cariz abstracionista.

Escolhido o quadro de Amadeu de Souza-Cardoso, é produzido o tecido, concebido o design da peça de vestuário e a sua confeção. O circuito termina na loja online ou física e, claro, nas mãos de um consumidor.

A próxima etapa do projeto prevê a produção da coleção de outono-inverno, ainda sob a influência de Amadeo, embora a ideia seja, a partir daí, manter o toque da cultura portuguesa, mas com outras referências, como escritores, azulejos, filigrana, cortiça… só Diana Monteiro saberá.

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