Logrise: Amplificador digital de vendas para qualquer negócio

A partir de Lagoa, Ricardo Viegas e Nelson Maló criaram algoritmo para promover empresas em motores de busca e redes sociais.

Diogo Ferreira Nunes
Fundadores da Logrise, Nelson Maló e Ricardo Viegas, fotografados no escritório da startup, em Lagoa. © Carlos Vidigal Jr. / Global Imagens

A Logrise quer puxar pelos micro, pequenos e médios negócios de Portugal. Nascida em 2019, a startup de Lagoa construiu um amplificador digital (Amplifier) para empresas, já está a funcionar em cinco mercados internacionais. Com o apoio de dois investidores dinamarqueses a viver no Algarve, a tecnológica vai escalar o negócio durante este ano.

"O Amplifier usa todos os dados, dá-lhes uma forma de monitorizar as campanhas em tempo real e, através deles, cria iniciativas, com uma equipa de marketing de forma mais autónoma", explica ao Dinheiro Vivo um dos fundadores da Logrise, Ricardo Viegas, em conjunto com Nelson Maló.

A empresa tem três tipos de planos: um para promover os negócios em redes sociais; outro para ganhar volume no motor de busca Google; se for necessário, há planos personalizados. A tecnológica também trabalha com páginas como Pinterest, TikTok, Etsy e Amazon, que "são muito usadas em mercados fora de Portugal".

Qualquer negócio, independentemente da dimensão, pode aderir à plataforma, desde que esteja em algum suporte digital, seja numa rede social ou com um site.

O algoritmo construído em Lagoa também serve como filtro. "Um negócio que seja uma boa ideia, quando usa as nossas ferramentas, as coisas correm melhor. Quando não é muito bom, o cliente valida mais rapidamente o que não está a correr bem."

Exemplo disso foi um negócio esotérico: "Tínhamos uma pessoa que fazia tarot cigano em formato remoto. A cliente usou a nossa ferramenta, percebeu que não tinha pessoas suficientes e então desistiu".

Os pagamentos podem ser feitos através de mensalidades, mas não existe período de fidelização.

Além de Portugal, a Logrise conta com clientes em Espanha, França, Suíça, Bélgica e Reino Unido, embora os idiomas disponíveis, para já, sejam o português e o inglês.

Antes de criar este negócio, Ricardo Viegas já tinha estado em equipas de vendas em empresas tecnológicas. Antes disso e da universidade, o algarvio chegou a promover filtros de água e software. Com o canudo na mão - tirado em Lisboa -, Ricardo esteve na equipa de vendas da Vortal. O regresso ao Algarve deu-se com a Moonshapes, empresa especializada em software de relação com os clientes na área do imobiliário.

Após essa etapa, chegou a altura de criar a Logrise. "Qualquer micro ou pequena empresa faz marketing digital por si só, o que implica ter muitos dados. Mas a maior parte das pessoas tem os dados e não compreende se está ou não a funcionar bem, ou então sentem que estão a colocar dinheiro no marketing e não estão a ter retorno."

Ricardo e Nelson abriram a empresa em 2019 com cinco mil euros de capital social - com metade das contribuições de cada um dos sócios. Mas o momento mais importante surgiu mais de um ano depois, com a entrada dos primeiros investidores externos.

"Aparecemos num jornal regional do Algarve depois de termos conquistado o prémio para melhor projeto num concurso da Fábrica de Startups. Houve dois investidores que repararam no artigo e vieram ter connosco."

A viverem no Algarve, os dinamarqueses Carsten Bang Jensen e Jesper Birch Jensen, fundadores da empresa de cibersegurança Outpost24, injetaram dinheiro na Logrise e colocaram-na noutro patamar de crescimento.

"Eles juntaram-se a nós porque há uma sinergia e um grande conhecimento em escalar empresas a nível internacional. Eles veem o negócio de forma muito mais abrangente e estão constantemente a pôr-nos desconfortáveis, o que é essencial no mercado das vendas." Não foi tornado público qual foi o montante investido.

<strong>Ficar no Algarve</strong>

Atualmente, a equipa da tecnológica algarvia conta com 14 pessoas. O objetivo para 2022 passa sobretudo por escalar o negócio, ou seja, crescer no número de clientes sem aumentar muito os custos. Por isso, se for necessário aumentar a equipa "será no segundo trimestre ou no segundo semestre".

Quem entrar, garante Ricardo Viegas, não terá um emprego sazonal, ao contrário do que acontece em vários serviços prestados na região mais a sul do país.

"Queremos dar oportunidades às pessoas do Algarve e mostrar que é possível criar cá negócios tecnológicos e permitir a construção de famílias. O país não é só Lisboa e não se pode descentralizar apenas para o Porto. Têm de existir outras iniciativas."

Ricardo Viegas vai mais longe e lembra que "há zonas do Algarve com muitos investidores por metro quadrado. Basta pensar na Quinta do Lago e em Aljezur". Portanto, "capital não falta. Mas muitas vezes não se conhecem as empresas da região".

Ainda neste ano, a Logrise quer entrar nos mercados da Croácia e da Polónia e outros mercados europeus, "com um produto digital para as micro e pequenas empresas poderem crescer e onde o idioma inglês é muito bem aceite".

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