Worldcoin. Mais de 50 mil portugueses já têm a nova criptomoeda

Startup quer criar o maior ecossistema mundial de cripto com a distribuição de mil milhões de moedas. Portugal é o primeiro mercado europeu e já 50 mil portugueses têm o token na sua carteira digital. Como? O segredo está na íris.

Mariana Coelho Dias
O regional growth manager da Worldcoin na Europa, Ricardo Macieira, ao lado do Orb © Direitos Reservados

"Onde estaríamos hoje se na altura em que foram criadas as primeiras criptomoedas todos tivéssemos tido igual acesso?" Foi a esta pergunta que quiseram responder Alex Blania e Sam Altman, dois gurus da tecnologia, quando criaram a Worldcoin. A startup, que alcançou o estatuto unicórnio em apenas dois anos de vida, criou uma nova moeda digital com o intuito de criar o maior ecossistema de cripto de sempre. Como? Através da distribuição de mil milhões tokens por todo o globo. Ao momento, são mais de 650 mil os que têm o criptoativo na sua wallet (carteira virtual). Destes, mais de 50 mil são portugueses.

Portugal foi o mercado eleito para a estreia do projeto em solo europeu. Desde que iniciou a operação no país, em maio deste ano, a Worldcoin já entregou a mais de 50 mil lusitanos o beta share da sua criptomoeda. O processo funciona como uma espécie de pré-reserva de um artigo: "Quando a moeda for oficialmente lançada e estiver disponível nas exchanges, as pessoas terão imediatamente acesso aos 25 tokens que estamos a distribuir", explica Ricardo Macieira, regional growth manager da Worldcoin na Europa. Quanto ao valor do ativo, ainda não se sabe qual será, uma vez que "depende de várias nuances do mercado e da adesão que se tenha", contudo, a expectativa, acrescenta o responsável, é de que "seja um valor saudável e que as pessoas a usem para transacionar".

A estimativa da Worldcoin é de que apenas 3% da população mundial tem acesso a criptomoedas, caracterizando-se este núcleo por ser muito reduzido e composto pelas pessoas que têm um maior conhecimento tecnológico. O que se quer de diferente neste projeto, de acordo com o líder da startup no continente europeu, é um acesso facilitado e democratizado a um novo sistema financeiro cripto, que tenha uma componente educativa através da aplicação (app) - que disponibiliza pequenos cursos que ensinam sobre o tema.

O registo de acesso ao ativo só pode ser feito pessoalmente, com operadores certificados, que garantem também o suporte. Ricardo Macieira diz que outras ferramentas de apoio ao cliente estão a ser desenvolvidas na app. Ao todo, são nove as localizações ativas no país, repartidas entre centros comerciais e estações de comboio em Lisboa, Aveiro, Viseu e Algarve. Os stands oficiais da Worldcoin em Portugal estão a ser criados em conjunto com Thomas Meyerhoffer, designer da Apple, e construídos por uma empresa portuguesa, cujo nome o responsável opta por não avançar.

Posso ler o teu olho?

Quando o projeto foi idealizado, colocou-se a questão de como poderia ser executado, de forma a distribuir a moeda digital pelas pessoas uma única vez e de forma justa - "foi aí que surgiu um problema", conta Ricardo Macieira. Verificação por email, impressão digital, web of trust e cartão de cidadão foram opções analisadas e chumbadas. Isto, porque nenhuma delas seria viável, ou porque dariam para contornar ou porque não seriam inclusivas, especialmente, no que aos países em desenvolvimento diz respeito, afirma o responsável.

A solução passaria por uma tecnologia que permitisse ler os dados biométricos de cada pessoa. Eis que a Worldcoin cria o Orb, um aparelho que lê a íris dos olhos e gera um código único no mundo, garantindo assim uma identificação fidedigna e distribuição equitativa do token. Ora, há que esclarecer o que acontece aos dados recolhidos, uma vez que, no futuro, poderão servir de acesso a múltiplos recursos. "O nosso foco desde o início é garantir a privacidade dos utilizadores e que estes somente partilham o que querem partilhar", vinca o growth manager.

"O registo na Worldcoin só é possível indo a uma localização física, onde se encontram a trabalhar operadores certificados", começa por explicar. "Neste local, haverá um Orb, que fará a leitura dos dados, capturando a imagem da íris e transformando-a num código, que será posteriormente enviado para a nossa base e que em momento algum poderá ser revertido para aquela imagem. Quanto aos dados que recolhemos para o gerar, a pessoa pode optar por que sejam imediatamente apagados", detalha Ricardo Macieira.

Com cerca de 50 Orbs espalhados pelo mundo inteiro, a Worldcoin já está a apostar na produção da tecnologia em escala, tendo previsto produzir "umas boas centenas por semana". Este passo irá permitir "continuarmos a crescer e ter mais Orbs por localizações", frisa o responsável.

Andreessen Horowitz, Reid Hoffman e Sam Altman são os investidores do projeto, que tem como meta dos próximos dois anos dois mil milhões de utilizadores. "É um tiro para a lua. Mas se há seis meses me perguntassem se estaríamos hoje com estes números, não acreditaria", comenta Ricardo Macieira, com a certeza de que "com pequenas mudanças, abanando um pouco o mercado e trazendo inovação, conseguimos elevar o nível para todos".

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