Free Electrons

António Mexia: “Estou aqui mais para aprender do que para ensinar”

António Mexia, CEO da EDP, esteve reunido de uma forma informal com as startups finalistas do programa Free Electrons. Foto: Sara Matos / Global Imagens
António Mexia, CEO da EDP, esteve reunido de uma forma informal com as startups finalistas do programa Free Electrons. Foto: Sara Matos / Global Imagens

Durante cerca de uma hora, o líder da elétrica esteve reunido com as startups finalistas do Free Electrons. Respondeu a questões e ouviu opiniões.

Pela primeira vez, a final do programa de aceleração de startups Free Electrons – criado por várias empresas do setor energético, incluindo a EDP – vai realizar-se em Lisboa. Tal como o ano passado (a final foi em Berlim), o CEO da EDP aceitou reunir-se com as startups finalistas. Respondeu a questões dos empreendedores, partilhando um pouco da sua visão sobre o momento atual e futuro do setor.

As mudanças na economia e nas empresas estão a ocorrer a alta velocidade. As exigências e mentalidade dos consumidores estão a mudar quase diariamente. A crescente digitalização e o poder dos dados alcançam todos os setores. Questionado pelos empreendedores, António Mexia não escondeu que o setor energético está no meio de uma revolução e que a EDP trabalha para estar do lado dos vencedores. Há alguns anos, “a maior parte das companhias elétricas europeias eram grandes, com mercados internos significativos e em que muitas delas já tinham encetado processos de internacionalização nomeadamente através de aquisição. E, por isso, achavam que tinham dimensão para impor o seu modelo, as suas regras de desenvolvimento”, acrescentou, no fim, aos jornalistas.

“Há uma dúzia de anos, percebemos muito rapidamente que tínhamos de nos diferenciar dos outros porque não íamos ganhar pela escala. E percebermos que essa diferenciação estava ligada necessariamente aquilo que para nós era uma perceção de descarbonização da economia. Ou seja, as renováveis iam evoluir”.

António Mexia não esconde que, no meio da revolução que está em curso, os modelos de negócio das empresas têm de mudar ou caminho que vão enfrentar será de muitas dificuldades. “Há uma mudança significativa nos modelos de negócio do setor, que teve 50 anos sem acontecer nada. Mudámos mais nos últimos 10 do que nos 50 anteriores”.

A aposta da elétrica na inovação já tem assim alguns anos. Além do Free Electrons, a EDP tem também um braço de capital de risco que já investiu em sete empresas e dispõe de 72 milhões de euros sob gestão.

A lição

No final do encontro, e em declarações aos jornalistas, o CEO da elétrica disse estar nestes eventos “mais para aprender do que para ensinar”. “Elas – as startups – são companhias mais focadas numa área mais específica. Temos de ser o agregador disto. Temos a aprender. Obviamente, que eles tem muito a receber de nós, nomeadamente nos que investimos. Mas a questão é que o que procuramos aqui?! E é esta capacidade de alguém ver eventualmente alguma coisa que não tivéssemos a ver. Diria que eles estão à procura de apoio. Nós estamos a ver se não temos ângulos mortos, ou seja, que instrumentos que nos podem ajudar no meio desta revolução”.

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