Aplicação indiana sabe tudo sobre bares e restaurantes portugueses

Pankaj Chaddah e Miguel Alves Ribeiro
Pankaj Chaddah e Miguel Alves Ribeiro

O gosto dos portugueses por comer e beber bem foi uma das razões fundamentais para o investimento da indiana Zomato.com em Portugal. Esta semana, a empresa anunciou um investimento de mais de 2,5 milhões de euros (entre os 2 e os 4 milhões de dólares) para o lançamento da aplicação móvel internacional no país.

A aplicação para smartphones funciona como um fornecedor de informação gratuito para os seus utilizadores todos os meses, e que reúne detalhes sobre restaurantes e bares constantemente atualizados. A rede já está disponível em 41 cidades de 12 países diferentes.

Lisboa foi a escolha para o mais recente lançamento e Portugal o primeiro país da zona euro a pertencer à rede. “Portugal é um mercado muito particular porque tudo o que fazemos, fazemo-lo à volta da mesa. Isso torna o mercado português um país bastante interessante para a Zomato”, esclarece Miguel Alves Ribeiro, 38 anos, cara da Zomato em Portugal.

Criada em 2008, a aplicação que serve de montra a mais de 221 mil restaurantes e bares para 16 milhões de utilizadores escolheu Portugal para ser o seu 12.o mercado e terceiro na Europa, depois de Reino Unido e Turquia. Em Lisboa, a equipa comercial estava à espera de encontrar seis a sete mil restaurantes e bares mas a lista final surpreendeu-os, chegando facilmente às dez mil referências.

“A Zomato é uma empresa completamente diferente daquilo a que estamos habituados, sem pretensões, e que respeita a máxima de deskless. Podemos estar sentados no chão, trabalhar a partir de casa ou de qualquer outro sítio onde queiramos. Tudo se afasta da ideia conservadora e isso dá um novo ânimo a toda a equipa”, explica Miguel Alves Ribeiro, orientador de uma equipa de 15 pessoas – que deverá crescer para o dobro nos próximos meses.

A respeito do modelo de negócio, o cofundador do conceito, Pankaj Chaddah, explica: “A plataforma acompanha determinado comportamento do consumidor e vai-se adequando à oferta em função da procura. É dessa forma que promovemos determinados restaurantes na plataforma e é daí que vem o crescimento do nosso modelo de negócio.”

O indiano Chaddah tinha 23 anos quando, com o amigo Deepinder Goyal, de 25, fundou a empresa. No início, conta ao Dinheiro Vivo, foi complicado e muito difícil de gerir porque ambos trabalhavam a tempo inteiro quando decidiram avançar para um projeto próprio. “Tudo começou como um hobby e foi complicado quando chegou o momento inevitável de decidir que abdicaríamos de um trabalho a tempo inteiro para nos dedicarmos a uma coisa nossa. E sobretudo foi difícil equilibrar o tempo dedicado à Zomato e muito complicado em termos de investimento, nos primeiros anos”, esclarece Chaddah, em Lisboa para o lançamento da plataforma.

A aplicação funciona como uma espécie de mapa para sítios que já se conhecem e ao mesmo tempo como recomendação para as novidades que existem na restauração e bares de uma determinada cidade. Por exemplo, alguém que procure um restaurante romântico para jantar à luz de velas e com vista para o Tejo terá ali uma lista de possibilidades, como um grupo de amigos à procura de um restaurante sem-cerimónias, onde possa fazer barulho à vontade e ficar à mesa até mais tarde, tem ali uma lista de locais disponíveis.

“Saio à noite: onde vou? Se tenho uma aplicação que me ajuda a decidir, uso-a”, diz Miguel Alves Ribeiro. Além dos nomes dos restaurantes, a Zomato oferece a definição do tipo de restaurante, os menus e em breve incluirá as reviews de utilizadores que já estiveram nesse restaurante ou bar. E até apresenta aos utilizadores uma nova característica que não existe no resto do mundo: o prato do dia em cada um dos locais.

Foi esse um dos pontos-chave para o investimento em Lisboa como terceiro mercado europeu. “Portugal é um país onde as pessoas gostam de comer e ir beber um copo e ao mesmo tempo é um país onde uma grande parte da população tem smartphones”, esclarece Naina Sahni, vice-presidente de relações-públicas da Zomato.com, ao Dinheiro Vivo.

A implementação do negócio da Zomato em Portugal contou com o apoio da equipa internacional e vai permitir o lançamento da aplicação em novos moldes. A partir de Lisboa, a Zomato.com vai ganhar um novo rosto e um conceito mais dirigido às redes sociais, através do qual os utilizadores poderão, além de se informarem sobre os restaurantes e bares, seguir as visitas e as recomendações de maneira a poderem acompanhar os roteiros gastronómicos. Ou seja, permitirá construir uma espécie de rede social de recomendações gastronómicas.

O próximo passo será transportar o conceito para o Porto, o que ocorrerá até ao final deste ano.

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