As pessoas bonitas ganham mais: 5% mais

Portman tirou Psicologia. Confiava nela?
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Passado pouco tempo de ter iniciado funções na Harvard Business Review, cruzei-me com o trabalho de Catherine Hakim, professora de Sociologia na London School of Economics. Ela estava a ser muito falada na imprensa por defender que o capital erótico - mistura de beleza, sex appeal, apresentação e competências interpessoais - era uma vantagem a ser valorizada e desenvolvida, como a inteligência.

Será este um assunto que os gestores devem levar a sério? Sim e não. Sim, porque as pessoas atraentes têm, de facto, carreiras mais lucrativas. Daniel Hamermesh, economista na Universidade do Texas, cuja investigação se centra nos ganhos associados a ter uma linda cara, relata que, nos EUA, uma pessoa com um aspecto classificado entre os três melhores do grupo ganha 5% mais. Há dois estudos relevantes: um mostra que os MBA com melhor aspecto viram os seus salários crescer mais depressa do que os colegas mais feios nos dez anos seguintes a acabar a formação (homens bonitos asseguraram salários iniciais maiores); outro indica que os professores giros ganham pelo menos 6% mais do que outros com percursos idênticos. Diz Hamermesh que a diferença chega a 230 mil dólares durante a vida. Conclusão: O papel da beleza no mercado de trabalho está generalizado.

Hakim diz que a definição de atractividade inclui boa forma e personalidade e cita estudos que documentam penalizações nos salários por obesidade ou preferência por candidatos pouco qualificados mas com boa imagem em detrimento de muito qualificados com má imagem. “O capital erótico tem valor em todas as relações sociais, incluindo no mercado de trabalho. Homens e mulheres atraentes têm vantagem e as pequenas diferenças e os sucessos iniciais podem levar a grandes diferenças no resultado final.”

Desejável?

Hakim acredita que o efeito da beleza é garantido e desejável, porque “o capital erótico ajuda a vender ideias, produtos e serviços” e gera melhor retorno em qualquer trabalho que envolva interacção. Mais, ela acha que as mulheres no mercado de trabalho anglo-saxónico não são suficientemente recompensadas por isso. Hamermesh aponta estudos que mostram quão produtivas as pessoas bonitas podem ser (produzindo mais receitas quer em cargos de atendimento ao cliente quer como gestores inspiradores), mas questiona se empresas e governos não devem proteger-se deste tipo de discriminação – contra pessoas muito feias ou desfiguradas, por exemplo.

Não dê muita importância

A resposta à questão que coloquei no início é também não: os gestores não devem levar este assunto demasiado a sério. O prémio de beleza de que Hamermesh fala baseia-se na cara – que os humanos, até em bebés, avaliam. Não o podemos corrigir a nível pessoal (sem imensa cirurgia plástica) nem devemos tentá-lo a nível organizacional, porque é inato e pouco significativo na determinação do sucesso para a maioria das pessoas, quando comparado com inteligência e educação.

Na literatura sobre inteligência emocional, aprendemos que a sensibilidade social e a capacidade de encantar podem ser vantagens, que a apresentação pesa na persuasão e que quem se “veste para o sucesso” o alcança mais facilmente. Estes livros são úteis porque forçam-nos a confrontar com uma realidade que os departamentos de recursos humanos – obcecados com códigos de vestuário e assédio sexual – gostariam de ignorar. Deve esperar-se – encorajar, até – que os empregados usem todas as vantagens no trabalho. Isso inclui beleza, personalidade e competências sociais, que nos tornam mais atraentes. Podemos até flartar se queremos que clientes ou colegas adoptem o nosso ponto de vista. E sorrir mais – uma atitude que Hakim diz ter um papel crucial nos negócios. Se os executivos podem ser mais eficazes usando este poder suave, porque não fazê-lo? E se o fazem com resultados positivos para a empresa, devem ser compensados.

* Alison Beard é editora sénior na Harvard Business Review

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