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Beta-i. Expansão para o estrangeiro com toque lusófono

Pedro Rocha Vieira, presidente da plataforma de inovação Beta-i.
(Leonardo Negrão / Global Imagens)
Pedro Rocha Vieira, presidente da plataforma de inovação Beta-i. (Leonardo Negrão / Global Imagens)

Plataforma de inovação portuguesa conclui ano de fusão com mudança de sede enquanto prepara aposta no imobiliário e nova estratégia para investimento.

A Beta-i vai reforçar a aposta no estrangeiro no próximo ano. Isso será possível depois de a plataforma de inovação concluir um período de transformações significativas: depois da fusão com a boutique de inovação Couture, a empresa fundada em 2010 está a concluir a mudança para um novo edifício, em Lisboa. Em 2019, a Beta-i vai tornar-se uma marca “cada vez mais global”, entrar na área do imobiliário e apresentar uma nova estratégia para o investimento em startups.

“Vamos iniciar uma fase de expansão e internacionalização da Beta-i. A nossa ambição, no próximo ano, é ter vários programas globais de aceleração”, anuncia Pedro Rocha Vieira, o presidente executivo da plataforma de inovação, em entrevista ao Dinheiro Vivo. A este nível, a Beta-i tem aparecido em projetos internacionais como os programas de aceleração Protechting (em parceira, por exemplo, com a Fidelidade e a chinesa Fosun) e Free Electrons (onde a EDP é um dos parceiros).

A nova estratégia de expansão será pensada a partir da nova sede da plataforma de inovação, em Lisboa, onde ainda se ouvem as obras e sente-se o cheiro a tinta e a verniz. Esta mudança começou com um fracasso com a Tetuan Valley, empresa de aceleração espanhola.

“A parceria com a Tetuan Valley não correu bem. Houve uma divergência entre a administração e a direção executiva, que estava alinhada connosco e que acabou por sair. Queríamos que esta parceria crescesse para haver eventualmente uma fusão e uma operação mais conjunta. Percebemos que era um bocado cedo replicar a Beta-i noutro mercado”, assume, sem rodeios.

Além da lógica da economia ibérica, esta ligação com a Tetuan Valley “abria a possibilidade de entrarmos para a América Latina”. Como esta aposta não funcionou, os portugueses decidiram “corrigir a estratégia. Em vez de avançarmos já com uma Beta-i num país e depois noutro, vamos apostar em programas e projetos globais que possam ser replicados”.

As próximas parcerias internacionais irão contar com empresas e associações europeias. Mas Pedro Rocha Vieira assume também que “o mercado de língua portuguesa tem algum interesse porque há alguns ecossistemas a querer arrancar ou consolidar-se e que veem na Beta-i o parceiro certo para dinamizar isso”.

A plataforma de inovação, apesar de estar a abrir-se cada vez mais para o estrangeiro, vai manter a sua base em Portugal. “Lisboa será o nosso centro de operações e depois teremos produtos locais. Não queremos ter uma operação de raiz já noutro país.”

Nas próximas semanas, a Beta-i vai concluir a mudança para um novo edifício, que, em tempos, chegou a ser ocupado pela PT. Alteração justificada pela venda do edifício na Avenida Casal Ribeiro a um grupo de investidores, entre os quais o empresário Dionísio Pestana.

“A mudança significa a consolidação de uma nova fase para a Beta-i, de maior maturidade, estabilidade e ambição. É a primeira vez que conseguimos pensar num espaço a longo prazo. Começámos como associação, em 2010, na rua onde estamos hoje, numa sala pouco maior do que esta. Costumava ser tudo muito improvisado.” O novo espaço, com dois mil metros quadrados, representa um investimento anual de meio milhão de euros. Além da equipa da Beta-i – atualmente com 70 pessoas -, startups como a Zaask, a Sparkl e a Visor.ai também vão para o novo edifício.

As novidades não ficam por aqui: a Beta-i vai lançar uma empresa própria para a área do imobiliário. “Teremos uma forma diferente de gerir espaços. Esta nova marca será separada da Beta-i e poderá ter mais do que um edifício em Lisboa.” O também cofundador conta-nos que a própria Beta-i é “inquilina da empresa que será apresentada nas próximas semanas.

A área do investimento da empresa também vai sofrer algumas alterações. Apesar de a sociedade de capital de risco LC Ventures contar com 40 participadas e 11 milhões de euros sob gestão, a plataforma de inovação prepara-se para apresentar uma nova estratégia para o financiamento de novos projetos.

Nos últimos anos, esta sociedade, graças aos seus três fundos, tem investido em startups que chegam à fase de aceleração e noutras empresas que precisam de reforçar o seu capital, sobretudo nas áreas financeira, saúde, mobilidade e energia.

Ainda em cima da mesa está o regresso do Beta Start, o programa que há alguns anos ajudou a transformar novas ideias em startups viáveis.

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